Entrevista exclusiva com Marcos Bertoldi: a importância de se manter os princípios

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Com uma rica produção ao longo da carreira, o arquiteto gaúcho fala sobre seu novo livro, as dificuldades que enfrentou ao longo dos anos, o mercado brasileiro e a importância de manter a essência no trabalho.

Foto: Pedro Zuccolotto

Foi durante um sábado ensolarado que Marcos Bertoldi lançou seu livro na Casual Móveis, em São Paulo. A obra documenta seus mais de 30 anos de carreira, reunindo suas principais obras num belo volume. “O enorme desafio é continuar a carreira”, contou durante a entrevista. Após o evento, o arquiteto falou com exclusividade ao ArqXP. Confira a entrevista a seguir.

ArqXP: Como foi a elaboração do livro?

Marcos Bertoldi: Desde o início eu queria ter, em cada área do livro, um profissional que pudesse me orientar e ficar responsável por aquele setor. Então, eu imaginava que o Carlos Eduardo Comas, que é um importante crítico brasileiro e que fez uma exposição no Moma (Museu de Arte Moderna) em Nova Iorque uns três anos atrás sobre arquitetura latino-americana, pudesse ser responsável pela curadoria do livro, que implicaria em textos e em escolhas do que o livro apresentaria. Começou como um sonho, porque eu não sabia se ele se interessaria pelo job ou não, mas a partir de um primeiro contato ele se dispôs a ir até Curitiba, conhecer melhor nosso trabalho que, de alguma forma, ele já conhecia, já havia escrito sobre, e nos deu um sim, um ok. Então, toda a parte de curadoria, seleção de obras e textos, ficou por conta dele que é arquiteto, crítico, e um teórico gaúcho muito importante.

Nós tínhamos também o limite de trabalhos para colocar no livro. Como queríamos apresentar muito bem os trabalhos – que abrange desde a arquitetura até a decoração, vai da composição da mesa de canto com os objetos em cima à macroestrutura, infraestrutura de uma casa – ele percorre um arco muito grande. Nós precisávamos ocupar um livro que seria de aproximadamente 300 páginas, então definimos que seria um máximo de 17 obras para poder apresentar da maneira que os trabalhos precisavam ser apresentados, devido a essa complexidade e esse detalhamento mínimo da arquitetura, dos interiores e do paisagismo.

Marcos Bertoldi. Foto: Pedro Zuccolotto

Então, foram 17 obras e, dentro do nosso trabalho, ele elegeu quais 17 obras seriam já com o critério também focado e fixo em obras residenciais. Nós não escolhemos nada que fosse loja, comércio, restaurante, motel… já fizemos projetos em toda as áreas, mas o foco foi residencial. Ele começou também, nessa seleção, a criar um enredo para tudo isso, uma narrativa, um link, como apresentaria os trabalhos ao longo dos anos. O livro não tem uma pegada oportunista no sentido de “fiz cinco trabalhos super legais nos últimos anos e vou colocar isso no mercado”. Não. Nosso livro é completamente diferente, é pra ser um livro autoral de carreira. A gente apresenta desde o primeiro projeto que eu fiz, em 1982, assim que me formei, até a primeira casa que eu fiz, em 1994, até as mais recentes. Então não é um livro focado em uma produção de um período, ele é um livro realmente de carreira que se preocupa em apresentar a carreira como um todo e, dentro da carreira como um todo, teve essa seleção de 17 obras.

ArqXP: E tudo passou por uma aprovação sua?

MB: Eu não discuti muito. Eu gosto muito de deixar os profissionais autônomos dentro das suas áreas. Então, eu respeitei bastante os critérios que o Carlos usou. Talvez tenhamos de última hora sugerido algum trabalho que estava ainda em finalização e que ele não teve acesso durante sua visita em Curitiba. Houve alguma interferência nossa, mas muito periférica, muito sutil, delicada, porque eu acredito que a seleção dele tenha todo um pensamento estruturado, uma lógica, e a gente queria salvaguardar isso.

Foto: Pedro Zuccolotto

ArqXP: Qual foi o maior desafio da sua carreira?

MB: O enorme desafio é continuar a carreira. Uma carreira de arquiteto nunca se estabiliza, na minha opinião. O arquiteto está sempre, principalmente na área que eu trabalho, buscando um novo cliente, um novo desafio, um novo trabalho… e a gente sabe que o mercado de arquitetura é um mercado com particularidades, com especificidades que não ocorrem em outras profissões. Eu, por exemplo, se fosse médico ou advogado com o prestígio que eu tenho hoje, certamente estaria muito folgado, muito tranquilo, com uma clientela vasta, enorme, teria filas em meu escritório, eu escolheria quem eu gostaria de atender, cobraria o valor que eu quisesse porque, como médico ou advogado, isso ocorre. Como arquiteto, isso é quase não se realiza, quase é uma impossibilidade.

Em mercados mais sofisticados como São Paulo, os top 10 arquitetos do mercado, digamos assim, chegam muito próximos disso, mas em mercados menos sofisticados, como é o nosso caso em Curitiba, ainda estamos muito sujeitos a chegar uma pessoa na minha frente – eu tenho 35 anos de escritório – e a pessoa me comparar com um cara que é recém formado, com a filha que acabou de se formar, com a sobrinha… então é diferente. Se você tem uma doença séria e precisa de uma operação cardíaca, você não vai considerar a hipótese de você se operar com a sua sobrinha que acabou de se formar. Você vai pagar o medico mais caro que você conseguir pagar. Se você quer contratar um arquiteto, você pode pensar “ah, talvez eu contrate minha sobrinha, ela é tão legal, tão descolada, por que vou pagar o arquiteto com 35 anos de experiência se tem aqui minha sobrinha tão bacana e tal, e eu quero também participar do projeto, quero mexer um pouquinho, ter minhas ideias, o arquiteto mais formado, mais estrela, vai querer fazer o que ele quer”.

Então, é um cenário completamente diferente de um cenário de um profissional como um advogado ou um médico. Nesse sentido, acho que o maior desafio é continuar trabalhando dentro de um critério pré-estabelecido e dentro de coisas que você tenha efetivamente preservado e feito questão de ter no teu trabalho. Se eu estivesse disposto a fazer qualquer coisa, eu certamente teria muito mais clientes. Se hoje eu pegasse prédios neoclássicos, decoração B, C e D, eu teria uma clientela muito maior, mas eu não faço isso. Nós, para trabalhar, precisamos de critérios mínimos para poder aceitar aquele cliente no escritório. E não que seja seletivo, a gente acaba sendo seletivo pela nossa própria postura. Não é que o cara chega no escritório e eu digo “você sim, você não”. Na verdade, os que são “não” nem nos procuram mais porque a gente tem uma história que leva a isso. Acho que o desafio maior é continuar mantendo o escritório como a gente mantém.

ArqXP: Qual são os projetos que você pega com mais frequência hoje?

MB: Nós gostaríamos também de trabalhar de uma maneira mais ampla e flexibilizada em um cenário maior, mas também existem elementos que nos inviabilizam. Por exemplo, projetos comerciais são muito inviáveis em Curitiba. As pessoas investem muito pouco em projetos comerciais. Elas contratam um arquiteto considerado o principal do mercado para fazer sua casa, mas quando elas fazem o seu escritório, a sua loja, o seu restaurante, elas vão para um arquiteto que elas consideram B ou C. Então começa o problema por aí. Em outros momentos, os projetos comerciais realmente qualificados vêm já prontos de Rio, São Paulo, com arquitetos desses lugares, então acabam não caindo para nós também. Enfim, por essas e por outras, o que mais surge para nós nos últimos anos são projetos residenciais, seja interiores, seja arquitetura, seja paisagismo e ainda prédios. A gente não tem um portfólio de muitos prédios executados, mas quando o incorporador quer fazer um prédio especial, um prédio que tenha algum diferencial, que possa usar nossa grife como um critério para venda, nos chamam.

Foto: Pedro Zuccolotto

ArqXP: Há algum projeto que você está fazendo atualmente?

MB: Para nós, não temos assim um projeto que achamos especial em relação ao outro. Todos os nossos projetos são igualmente importantes. Se pegamos um quarto de neném para fazer na decoração ou um prédio, qualificamos da mesma maneira. Tentamos fazer de cada um algo importante. E estamos numa rotina de trabalho, fazendo casas, fazendo prédios, fazendo interiores. Eu acho que nesse momento no escritório não tem nada que seja fora da nossa rotina. Não tem um projeto estranho ao nosso trabalho. Então estamos desenvolvendo.

Estamos fazendo uma casa, totalmente metálica, que é algo mais incomum no nosso cenário local. É basicamente metal, vidro e madeira. Isso está sendo inclusive um aprendizado para nós, não temos muito a tradição disso. É uma casa para uma construtora high end que faz as melhores casas locais, não só para nós, mas para todos os outros arquitetos também. E é a casa deles, foram os próprios construtores que nos chamaram para fazer a casa deles. Então, tudo nessa casa esta sendo muito inovador e muito inédito para que sirva inclusive como laboratório, experiência para outros projetos que podem se desdobrar a partir desse. Então estamos sempre com novidades, sempre aprendendo alguma coisa, interagindo com outros profissionais. Nesse caso, agora, tem muita mão de obra aqui de São Paulo, desde cálculo estrutural até fornecedores para poder dar conta dessa casa que não é muito conectada com o que se faz habitualmente em Curitiba.

ArqXP: Na sua carreira, algum projeto se destacou no quesito sustentabilidade?

MB: Sempre estivemos preocupados com esse quesito mesmo antes de ser “moda”, digamos. Eu acho que toda a arquitetura, mesmo a mais antiga, quando é de qualidade, ela tem um critério de sustentabilidade em si própria. A sustentabilidade começa até na implantação de uma casa no terreno. Uma das casas que está no livro, por exemplo, a Casa Matsumoto, procura apenas tocar o terreno. Nós tínhamos um terreno muito íngreme, que era uma encosta 100% arborizada, e nós apoiamos essa casa em 6 pilares para que tivéssemos o mínimo de dano ao terreno sem mexer na topografia original, ou seja, mantendo, dentro do possível, a vegetação original ou permitindo que a vegetação se gerasse, mantendo linhas de drenagem natural (porque quando chove no terreno, ele escoa de uma determinada forma e queríamos preservar isso), mantendo fauna local inclusive (porque ali é uma região que tem a sua própria fauna). Em alguns momentos que precisamos criar plataformas que seriam impermeáveis, optamos por fazer isso descolado do solo e usando grelha para que a luz e a água passassem. Antes de pensar em sustentabilidade, a gente pensa em critérios paisagísticos que revertem em sustentabilidade. Então, essa casa tem uma relação muito dócil e gentil com o local de implantação. Sempre que falamos em sustentabilidade lembramos dessa intervenção. Ela realmente procura criar o mínimo de impacto e dano ao meio ambiente.

ArqXP: Como arquitetura e paisagismo conversam?

MB: Eu considero ter feito o curso de paisagismo muito importante na minha formação porque a relação da arquitetura com a paisagem é um item fundamental e que qualifica a arquitetura. Não existe arquitetura sem o terreno, sem o local. Arquitetura não é uma coisa genérica que você possa fazer e depois possa implantar em qualquer local. A relação da arquitetura do que você pensa com aquele sítio especificamente… o local ele é muito exigente, demanda uma série de coisas do projeto. Então, saber interpretar o local e poder extrair essas vantagens e potencialidades que cada sítio te oferece é muito enriquecedor. Isso vai desde a relação do projeto da topografia do terreno, a arborização, as vistas de fora para dentro e de dentro para fora, insolação, ventos dominantes… para o arquiteto, o paisagismo não é simplesmente colocar plantas no canteiro. As plantas são uma das informações constantes do projeto paisagístico. O paisagismo, inclusive, pode ser feito sem vegetação nenhuma, pode ser seco, só de pedras e iluminação, o que seja.

Para o arquiteto, o paisagismo é tudo aquilo que está da porta para fora. Iluminação, estruturas, construções, caminhos, o que quiser imaginar, inclusive plantas. A vegetação é um detalhe. Então, sim, eu considero importantíssimo os arquitetos prestarem atenção nessa relação umbilical entre obra e terreno e fazermos disso um critério muito importante, preservar no terreno tudo que for possível preservar. Inclusive, no beneficio do próprio todo, porque se cada proprietário pega seu terreno e transforma numa coisa desvinculada do todo, da paisagem maior, você passa a ter uma colcha de retalhos que um terreno não conversa com o outro, uma obra não conversa com a outra e aquilo perde uma razão de continuidade e continuação de paisagem. Se todo mundo usasse os critérios paisagísticos adequados, hoje teríamos uma paisagem mais gentil com a natureza, mais numa continuidade que as vezes a gente infelizmente não percebe porque os projetos são muito rudes ou não prestam atenção nesses aspectos.

ArqXP: Quais foram as maiores mudanças que você percebeu no mercado da arquitetura nos últimos anos?

MB: Eu acho que mudou pouco, devagar. Gradualmente, um maior número de pessoas vai tendo informação sobre assunto, sobre a área, então isso vai ser compartilhado por um número maior de pessoas. Mas, ao mesmo tempo, me recinto até em parte porque a arquitetura é muito difícil de ser avaliada pela sociedade como um todo. Ela é um tema complexo e que as vezes gera, inclusive, ponderações ou atritos entre os próprios arquitetos. Nem sempre há um julgamento homogêneo ou um pensamento único. E cada arquiteto que vai abordar um projeto ele vai abordar de uma forma própria, pessoal. Não é um trabalho mecanizado a ponto de a solução ser só aquela. As soluções são variadas e cada profissional pode entender aquilo de uma maneira.

Tudo isso somado ainda mais ao fato de que arquitetura tem um componente artístico importante faz ela de um tema de muita difícil percepção pela sociedade. É muito difícil a sociedade entender o que é arquitetura. Uma vez que você não entende, fica muito difícil para você vincular aquilo, desejar ou achar aquilo importante. E por que a sociedade também não entende? Porque também é intrínseca a qualquer atividade artística essa dificuldade de apreensão e compreensão. Se você vai num museu ver arte contemporânea, você não vai entender exatamente tudo aquilo. As vezes você vai sair mais confuso do que quando você entrou, que é muito a função da arte. A arte sempre foi entrincheirada, particular, para um grupo de pessoas. A arte, infelizmente, não é uma coisa para consumo aberto de todo mundo, é uma coisa erudita, específica, fechada de alguma forma. Esse conhecimento é muito especifico, muito especializado, e a maioria das pessoas não está interessada, não quer saber, não significa nada.

Tudo isso eu acho que gera uma complexidade nesse campo da arquitetura. Acho que evolui assim, a passinhos lentos, de tartaruga, com maior número de pessoas interessada por aquele assunto, mas sempre, a priori, tendo que ter alguém com alguma sensibilidade, interesse, alguma vocação no tema. Para você gostar, você precisa entender, e se você não procura entender, você não vai gostar. Eu acho que a arquitetura tem um lado artístico que dificulta e infelizmente a gente não consegue fazer da arquitetura uma coisa popularizada pra todo mundo porque tem todos esses aspectos. Foi até um sonho dos arquitetos, por muito tempo, que a arquitetura pudesse ser mais e mais acessível e, muitas vezes, isso fica frustrado porque a gente não consegue dar conta.

Se pensar em Curitiba nesses 30 anos de trabalho, acho que a coisa se mantém um pouco. As aquisições de informação da população em geral são pequenas, vem com o tempo, melhoram, mas são graduais realmente. Não percebo grandes evoluções ou transformações. Eu quero acreditar que pouco a pouco a coisa se expanda, cresça e se popularize e alcance mais gente, mas eu entendo que sempre há uma dificuldade nisso.

Foto: Pedro Zuccolotto

ArqXP: Daria algum conselho para quem está entrando agora no mundo da arquitetura?

MB: Eu tenho uma certa dificuldade nisso. Fui professor muitos anos e, assim, eu odeio ser desmotivador e tirar os anseios, a vontade que todo mundo tem ou precisa ter para poder entrar num campo e fazer daquilo uma coisa para sua vida. Tem um lado que eu acho complicado porque tem muita universidade de arquitetura hoje. Quando eu me formei, tinha duas faculdades de arquitetura que formavam duas turmas por ano. Isso porque eu sou da segunda turma da minha universidade. Até eu começar, só tinha uma turma se formando por ano em arquitetura em Curitiba. Hoje, talvez tenham 12 ou 13. Contando com todo o interior do estado, que não tinha nenhuma universidade, mais 14 ou 15, perde-se a conta. Então, eu acho que é um mercado complicado para as pessoas se fixarem devido a tudo isso que a gente já conversou. Não é uma necessidade que a sociedade perceba como vital como é o médico ou o advogado. Vejo isso como uma grande dificuldade. Há um excedente de arquitetos no mercado, óbvio. Na minha própria geração, 90% não trabalhou como arquiteto. Então, hoje que são 15 vezes mais, obviamente que isso não vai mudar.

Tirando essa parte que eu não quero desanimar ninguém, arquitetura é uma belíssima profissão se tudo der certo. É espetacular. É uma profissão autônoma, liberal, criativa, onde você só lida com o lado bom da vida, com a beleza. Pega as pessoas nos melhores momentos das vidas delas, onde elas estão realizando sonhos, onde você embarca nesses sonhos e se torna um artífice que viabiliza esses sonhos todos. Então, eu acho a profissão, quando dá certo e quando é esse o foco (autônomo e profissional liberal), eu acho fabulosa.

ArqXP: E como chegar nesse ponto da carreira?

O que eu diria para uma pessoa chegar nisso, que eu eventualmente possa ter chegado de alguma forma, a minha receita foi, não sei se serve para todo mundo, mas a minha receita foi: nunca fiz nada que eu nunca quisesse fazer. Eu nunca fiz nada que agredisse os meus princípios fundamentais, importantes, do que eu achava bom e certo de ser feito. Porque eu acredito que quando você se agride, coloca em prática alguma coisa que você sabe que não está certo, mas que você está fazendo por grana, porque você precisa botar algum dinheiro no teu escritório, o que acontece a partir disso é que todos os clientes que vão te procurar são aqueles mesmos clientes “errados” que você não gostaria de estar atendendo. Porque você passa a ser visto como o cara daquele trabalho ali e o cliente certo nunca vai procurar o cara que fez o trabalho “errado”. Então, essa pessoa, que pouco a pouco vai fazendo o que ela sabe que não é o melhor ou o mais adequado, eu acho que depois ela vai pagar um preço caro nisso, vai acabar inviabilizando a própria carreira.

Eu acredito que você realmente que deva ter metas, foco, saber o que você quer e trabalhar dentro de uma área que seja da sua eleição, que você, enfim, acredite. Sem acreditar você não vai a lugar nenhum. Claro que isso implica em sacrifício. As vezes é mais fácil você fazer o que o cliente quer, mesmo você sabendo que é errado e botar uma grana no bolso porque você está precisando. Todo mundo precisa de dinheiro. E daí começa o problema. Eu abri mão de momentos que eu precisava de trabalho para não fazer o que eu não achava certo. Agora, de alguma forma, eu tinha um respaldo familiar que também me permitia abrir mão de determinadas coisas. Não que eu pudesse não trabalhar, mas, ao mesmo tempo, eu também podia, em algum momento, dizer não. Tem pessoas que não podem dizer não nunca, elas tem que acabar fazendo o que aparece. Eu acho isso muito negativo como uma carreira que pretende ser importante em algum momento.


Abaixo você confere uma pequena amostra do livro.

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