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Volume cinético

Proposta de Giovanni Vaccarini para a SPG, na Suíça, cria envelopamento de vidro multifacetado que reproduz, de acordo com a imagem do entorno, diferentes nuances de cores e reflexos. Fotos Fabio Paolucci

O contraste da arquitetura proposta por Giovanni Vaccarini para a Swiss Société Privée de Gérance (SPG), construída na Route de Chêne, e o centro histórico de Genebra é gritante. A caixa de lâminas de vidro, com nuances e um mosaico de cores e reflexos surpreendentes ao espectador que passa pela rua só é mais incrível para quem olha de dentro para fora do alto dos modestos 26 metros de altura do edifício (rigorosamente adaptados ao gabarito da região).

O trabalho que consistiu na remodelação e ampliação de uma construção pré-existente se deu por meio do envelopamento da estrutura por um conjunto de planos e arestas de altíssima eficiência energética. A qualidade e o bom desempenho dos espaços de trabalho foram a principal tarefa delegada a Vaccarini, que resolveu a demanda com uma proposta de valor estético e sustentável. A fachada de vidro combina a necessidade de sombreamento e controle de entrada de luz ao mesmo tempo que permite a abertura visual para a paisagem ao redor do edifício. O desenho ousado permite ainda a ventilação natural por meio de uma dupla camada de vidros não estanques, que promovem a ventilação natural por convecção e reduz assim o consumo energético do edifício durante o verão. O ritmo modular da fachada se dá por meio dos perfis metálicos da Stahlbau Pichler, especialista no setor. O reflexo das arestas nas peles de vidro tem como resultado a plasticidade única do conjunto.

O sistema móvel da fachada

A repetição do módulo de aço e vidro gera um desenho completo que varia de acordo com a intensidade de luz da abóbada celeste (de dia) e da iluminação do edifício (à noite). Para chegar nesta solução, Vaccarini inspirou-se nos princípios de Kandinsky, identificando a variabilidade das nuances do tempo e a capacidade de absorção dessas variações pela superfície. Nasce assim o ritmo de percepção mutante do volume do edifício.  

A janela aumentada

O envelope é composto por duas peles, sendo a primeira formada por uma camada tripla de vidros e a segunda uma lâmina ventilada micro-perfurada, que funciona como uma espécie de  veneziana para regular a entrada de luz. Telas feitas de serigrafia funcionam como brises e são ancoradas na estrutura metálica exterior, dando ao conjunto o padrão modular desejado pelos arquitetos. O elemento gráfico impresso nessa segunda pele ajuda a enfatizar o efeito de reverberação produzido, suavizando a superfície do perímetro do edifício em uma espécie de “nuvem evanescente e brilhante”, como define Giovanni Vaccarini. À noite, esses painéis de vidro são iluminados por luzes LED brancas, que fazem do prédio um prisma brilhante, em diálogo com o entorno consolidado.

A visão interna

Visto de dentro, o envelope de vidro produz um efeito que Vaccarini define como “janela aumentada”, através da qual a visão do entorno do edifício é amplificada, refletindo e transformando as imagens por meio das lâminas de luz. Do lado de fora, a superfície espessa dos painéis de vidro impressos em tela e o aço tornam-se um volume que define o próprio volume da arquitetura, cujos contornos desmaterializam o concreto para um material pulsante sensível e em constante mudança de cor. O efeito disso é a transformação contínua do edifício. As visões sobrepostas da fachada, tanto por dentro quanto por fora, têm um efeito cinético.

Para este projeto, a Stahlbau Pichler concebeu um sistema de engenharia de fachada exclusivo que permitiu que as aletas fossem ancoradas individualmente. Esse sistema foi fundamental para reduzir todos os obstáculos visuais a um padrão mínimo, permitindo a maior precisão e integridade possíveis à fachada. Ali, necessidades estáticas e estéticas se uniram num solução única. Com uma ancoragem esguia e leve, reduziu-se o peso total da pele de vidro, que considerando apenas esse material, excede as 100 toneladas. “O resultado é extraordinário, fora do comum. Conseguimos conceber e executar uma arquitetura de multiplicação complexa das visões, nos dois universos do projeto: dentro e fora do edifício”, conclui Vaccarini.

Dados da obra

Local: Genebra, Suíça
Projeto: Giovanni Vaccarini Architetti
Ano do projeto: 2012-2013
Início da obra: 2013
Inauguração: 2016
Área do terreno: 650 m2
Pavimento-tipo: 385 m2
Altura do edifício: 26 metros
Pavimentos sobre o solo: 8
Pavimentos subsolo: 2
Área da fachada: 1.900 m2

Fornecedores

Direção técnica: Fossati Architectes SA
Colaboradores: Francesca Di Giannantonio, Alice Cerigioni, Luisa Di Blasio, Ida Blasioli, Anthony Bove, Alfonso Di Felice, Matteo Mucciante, Daniele Silvestri, Giuditta Maria Lelli
Engenharia da fachada: BCS SA
Fachada: Stahlbau Pichler
Iluminação interna: Erco
Ilmuninação da fachada: SIMOS
Estrutura: Wintsch&Cie

Conteúdo publicado originalmente pela Revista aU

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