Content

Toada contemporânea, concreto escultural

As cicatrizes das fôrmas das paredes de concreto são o pano de fundo para o equilíbrio impecável da Casa DR, criada por Marcos Bertoldi. Fotos: Alessandra Okasaki

“Uma caixa de sensações e experiências”. É assim que o arquiteto define o projeto que tem a leveza e a transparência de planos equilibrados e a força do concreto como elemento predominante. “Interiores em proporções variadas são acessados por percursos verticais e horizontais, onde, a cada momento, a geografia interna dos espaços se revela”, descreve Bertoldi. O deslocamento pela atmosfera criada conduz o olhar através de perspectivas e pontos focais. Percepções conectadas à paisagem externa, natural e construída e moduladas pela luz e pela atmosfera, são percebidas por meio do vazio central proposto e pelas grandes esquadrias presentes nas faces menores do prisma concebido.

O projeto

A atmosfera se desenvolve, nos seus espaços principais, em torno de um vazio central que intersecciona os três pavimentos. No andar inferior, este vazio dá lugar a um pátio ajardinado com uma forração de maranta-barriga-de-sapo e uma árvore, e conduz a luz e a ventilação naturais para a garagem, acesso diário dos moradores. Esse vazio possibilita a fluidez da circulação pela casa e permite o acesso visual aos outros ambientes da casa. Há ainda outros dois níveis de ajardinamento, (floreira e pátio).

O principal desafio do projeto, segundo o arquiteto, era “gerar um nível adequado de privacidade, evitando muitas aberturas para as duas fachadas laterais da casa”. Essa foi a preocupação inicial e fez com que a sala principal estivesse voltada para a rua e o quarto do casal para a mata ao fundo do terreno. “Foi assim que surgiu o vazio a céu aberto e em pé-direito triplo no coração da casa, para compensar a falta de aberturas na parte mais central do projeto. O piso branco funciona como uma superfície refletora desta luminosidade natural”, explica Bertoldi.

Inspiração

Marcos inspirou-se, para a criação da Casa DR, no formalismo e estética da casa em que mora, projetada pelo arquiteto Vilanova Artigas. “Habito uma caixa de concreto armado, onde as circulações em rampa e diversos espaços de estar também se organizam em torno de um jardim separado por  panos de vidro generosos, nos colocando o em contato com o exterior a maior parte do tempo”, conta.

Os espaços da Casa DR se apresentam de maneira integrada. Mesmo as salas frontais, menos utilizadas, permanecem visualmente acessíveis a partir do vazio envidraçado e da circulação em passarela instalada no pé-direito duplo de acesso à área íntima. Da mesma forma, a partir dos espaços mais sociais da casa, temos acesso visual às áreas mais íntimas e quartos. As superfícies generosas atuam como um grande refletor, que age como caleidoscópio das intempéries. “A casa reage constantemente as condições climáticas e atmosféricas. É uma arquitetura que se propõe a aproximar usos e atividades cotidianas à natureza”, explica Bertoldi.

A Implantação

A casa está situada num condomínio residencial fechado, de vizinhança homogênea. As dimensões do lote e os parâmetros construtivos compartilhados por todos definem a volumetria do conjunto das casas. “O terreno em aclive nos permitiu posicionar o pavimento  térreo vários metros acima do nível da rua, o que foi conveniente  para as salas principais que tiveram o seu campo de visão alargado” conta o arquiteto. Aos fundos, uma estreita faixa natural interna ao condomínio e um talude com cobertura nativa garantem as visuais e a  privacidade para o quarto do casal e áreas da piscina.

Coerência no interior

Os elementos maiores — como o balcão amarelo, a mesa de jantar e o sofá — estruturam a composição. Peças menores em posicionamento mais livre e informal movimentam o arranjo. A solução em  organização assimétrica busca equilibrar espaços ocupados e vazios num conjunto de mobiliário autoral brasileiro que sublinha a arquitetura proposta. Materiais, cores e texturas variadas atraem o olhar. Obras de arte e objetos pontuam a decoração.

Dados da obra

Localização: Itajaí, SC
Projeto arquitetônico: 2009
Projeto de interiores: 2016
Conclusão da obra: 2016
Área construída: 435 m²

Fornecedores

Móveis: Decameron,  Alfio Lisi, Atelier Fernando Mendes, Estudio Bola, Jader Almeida e Futon Company
Marcenaria: Formus
Iluminação: E-light
Objetos: Kraft-Kartell, Holaria, Interpan, Villa Batel e Elisa Atheniense
Arte: Ybakatu Espaço de Arte, Glauco Menta e Sim Galeria
Cálculo estrutural: Tramo Engenharia
Construção: Construtora Greenwood

Conteúdo publicado originalmente pela Revista aU

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.