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Tecnologia para pessoas

Projeto de Flavia Cancian para a Layer2 propõe living office que congrega funcionalidade, colaboração e convivência. Fotos: Nelson Kon

Assim que a porta do elevador se abre, os olhos se enchem com a luz que vem das imensas janelas de vidro debruçadas sobre as copas das árvores da avenida 9 de Julho, importante eixo de ligação da capital paulista. No caminho até elas, um escritório contemporâneo, com espaços generosos, mobiliário fino e a modernidade de uma empresa de engenharia de software dos novos tempos: descentralizada, colorida e que valoriza os momentos de convivência da equipe.

A solução de arquitetura e interiores foi dada por Flavia Cancian. Os volumes, característica marcante da arquiteta Flavia, desta vez colocados no teto e na orientação lógica do espaço, conduzem o percurso pelo corredor central e levam até o lounge que funciona como ponto de convergência de todo o escritório. “O conceito de Living Office orientado as pessoas, foi desenvolvido desde o primórdio, iniciando entre arquitetura e o CEO da empresa. Nosso escritório trabalhou muito ativamente em proximidade de quem comanda a empresa, das necessidades primordiais até as mais básicas e depois com a execução, de forma que o resultado final fosse conceitualmente bem atingido e bem realizado”, explica Flavia.

A chegada ao escritório é comparada a um movimento de aterrisagem. À primeira vista, o painel do artista plástico Andrés Sandoval acolhe quem chega, dispensando um hall de entrada convencional.

Ao final do corredor, o banho de luz e a vista da cidade destacam uma geodésia que alude à bobina de Nikola Tesla e um conjunto de esculturas que convida o visitante a olhar ao longe.

O briefing

O programa de necessidades foi bem definido: imprimir no espaço físico o conceito da empresa. Isso significou valorizar a horizontalidade e a colaboração, permitir que as pessoas se relacionem no trabalho, garantir momentos de descompressão e diversão, favorecer momentos de foco. Para isso eram necessárias uma sala de reunião grande e outras salas de reunião menores, um laboratório de tecnologia, salas de conferência, espaços adequados para gestão administrativa e copa e um espaço central de convivência.

O desafio foi criar foi criar um ambiente que provocasse no time a vontade de estar lá a maior parte do tempo e que fosse ao mesmo tempo produtivo e funcional. “A gente permite que os funcionários façam home office o tempo todo. Eu não queria mudar essa regra, mas queria que eles decidissem vir para o escritório. Então, precisávamos de um ambiente com que trouxesse conforto, que fosse produtivo e que também fosse divertido. E isso aconteceu. As pessoas estão no escritório não necessariamente trabalhando, mas usufruindo do ambiente.         Estar aqui para jogar videogame, bater papo e simplesmente encontrar as pessoas é muito importante para a cultura da nossa empresa. Ela conseguiu criar com o ambiente o que era minha maior intenção. Ela nos trouxe a concretização do conceito de living office”, conta o CEO da Layer2, cliente deste projeto.

A arquitetura criou condições para as pessoas trabalhares de forma mais relaxada e produtiva. Flavia soube balancear eficiência, equilíbrio e custo. A experiência e a leitura apurada fizeram com que itens contemporâneos, modernos e funcionais, mesmo com limitação de orçamento, integrassem o projeto.

O espaço original, um andar inteiro com aproximadamente 500 metros quadrados, foi inicialmente utilizado por um banco nos anos 1980, configurado com baias e algumas poucas salas.

O espaço

Em função de seu uso original e do pé-direito baixo, o espaço foi bastante restritivo a alternativas de passagem de ar condicionado, rede de dados e instalações elétricas. As três faces envidraçadas do andar, que formam um U contínuo de janelas, foram emolduradas por um mobiliário fino e abrigam uma sala de reunião para 12 pessoas, salas dos sócios, sala de engenharia, salas de reuniões menores e uma charutaria.

Discretamente colocada à esquerda da entrada, uma porta escotilha leva à copa e lembra o hobby de um dos sócios, a navegação.

O corredor central divide dois volumes de salas que abrigam equipe administrativa, capital humano e salas de conferência. Entre os dois volumes e as salas que emolduram o andar, o principal espaço de permanência do escritório: um longe espaçoso, com um mobiliário que se movimenta e transforma a grande sala em ambientes menores.

A lógica de volumes norteou o projeto e são eles que desenham os fluxos do estar e do movimentar-se que organizam o espaço. O rigor da estrutura e os recursos de desenho que relacionam as partes com o todo, criaram um jeito matemático na estratégia de intervenção. Há muita lógica e a sensação fractal no espaço, mas elas são suavizadas pelo tato confortável do mobiliário e pelo equilíbrio visual de cores e luz.

Permanência definida

O lounge é o principal espaço de permanência. Central, é o coração do escritório. Dele se vê todas as salas. Nele acontecem as interações mais importantes. O colorido da escolha de móveis e objetos traz informalidade, juventude, alegria. Ali é espaço de espera, de conversa de café, de happy hour, de reunião informal. Espaço para livre apropriação. Ao lado do colorido, poltronas raras da linha Lobby, L´Atelier, de Jorge Zalszupin e Paulo Jorge Pedreira, referências do modernismo, feitas em alumínio e couro nos anos 1960, e da mesma linha de móveis que compõem o acervo de móveis do Palácio do Planalto.

Em vez de buscar soluções corporativas habituais para o mobiliário, criou-se um acervo de longo prazo, com valor artístico e cultural. As cadeiras da linha Aluminium e as mesas das séries Modular e Segmentada, todos Charles e Ray Eames (USA), criam diálogos entre famílias de estofados, pés de mesa, tampos e cadeiras conversarem entre si, num jogo que altera alturas, cores, materiais e formatos, de uma sala para outra. São móveis originais, de alta qualidade e entre as escolhas, destacam-se um sofá mole Sergio Rodrigues, poltronas raras do modelo Lobby Jorge Zalszupin, uma poltrona Wonb, de Eero Saarinen, poltrona da linha Branco & Preto, do designer Jacob Ruchti (década de 50), poltrona reclining Eames Aluminium (Charles e Ray Eames, 1958), além de pufes e mesas de design italiano e brasileiro.

“O grande sucesso deste trabalho foi a satisfação plena da empresa, CEO e funcionários, casa cheia, metas atingidas, qualidade estética, funcional e obra bem executadas”, comemora Flavia. 

Dados da obra

Data de projeto: 2017
Execução da obra: 2017
Localização: São Paulo, SP.

Ficha técnica

Arquitetura: Flavia Cancian
Interiores: Flavia Cancian
Luminotécnico: Flavia Cancian e Rose Lins
Designer Floral: Aline Matsumoto
Mobília: Arquivo Vivo, Operis Design, Fernando Jaeger, Dpot Móveis
Pisos: Portobello Shopping Gabriel
Carpetes: Atec Original Design
Marcenaria: projeto Flavia Cancian e execução Japy Marcenaria
Acabamentos: Flavia Cancian
Intervenções artísticas murais: Andrés Sandoval
Vidros e espelhos: Viplas
Equipamentos: Brastemp, Consul, Nespresso, Cisco
Esquadrias: Abatex Divisórias
Luminárias: Luz de Cristal e Fas Iluminação
Games: PS4 – Sony
Multimídia: Maestro
Objetos de arte e design: Dpot Objeto, Hybrida, Livraria Cultura, Feira Benedito Calixto, Atelier Kimi Nii , Fina Estampa, Doural, Ducale Tabacaria, Tok Stock, L´Occitane
Empreiteiro: Danilo Delmaschio – O Empreiteiro

Conteúdo publicado originalmente pela Revista aU

Categorias:Content, Projetos

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