Lâminas extremamente finas, grandes formatos, redução do emprego de zircônio. Estes são apenas alguns dos pontos de atenção na indústria de revestimentos

Os revestimentos cerâmicos são o resultado da mistura de diversas argilas que recebem uma técnica de queima diferente para cada resultado desejado. Basicamente, são os insumos “argila, feldspato, quartzo, caulim, filito, torta e resíduos moídos resultantes do processo de fabricação” os principais elementos utilizados na produção, explica Davi de Almeida Fernandes, operador de sistema de gestão da Cerâmica Atlas.

Atualmente, “utiliza-se também vidros de telas de TVs e monitores de computadores, vidro de lâmpadas fluorescentes descontaminadas e até  cinzas provenientes da queima da lenha na produção dos revestimentos”, conta Ludmila Lepri, diretora de marketing da Lepri Cerâmicas. Para a redução de consumo de energia, a marca tem diminuído o tempo de queima dos produtos, o que provoca a redução no consumo de gás, de energia elétrica e a diminuição da emissão de gases de poluentes.

A Cerâmica Atlas, outro player do setor no Brasil, criou a linha REC – Revestimento sustentável: feita com 65% de material reciclado da própria fábrica. Segundo Almeida, “são revestimentos indicados para projetos de engenharia que se preocupam com o meio-ambiente e priorizam produtos ecologicamente corretos”.

Reaproveitamento de resíduos

“A Indústria Cerâmica tem um poder muito grande de absorver na produção industrial diversos materiais descartados na construção civil.” É o que garante Ludmila Lepri, diretora de marketing da Lepri Cerâmicas. A empresa, em seu processo produtivo, investe desde 2005 na busca por matérias-primas que venham do descarte de outras indústrias, com o foco no reaproveitamento de materiais.

A executiva conta que  a primeira substituição começou com a utilização de vidros de lâmpadas descontaminados, e seguiu para telas de TV e monitores de computador. “Utilizamos ainda resíduos de louças sanitárias e até lama proveniente do desastre de Mariana”, conta. Cerca de 95% do portfólio de produtos da marca são fabricados com materiais descartados. Alguns exemplos são a Coleção de Bricks, Coleção Terracota e Coleção Raku. Um exemplo desse processo é o Brick Natura Cappuccino que surgiu com o reaproveitamento da lama de Mariana.

Impressoras digitais diminuem o consumo de água

A Cerâmica Atlas recentemente adquiriu impressora digital (HD), que conforme sua tecnologia, vêm proporcionar considerável redução no consumo de água e energia elétrica durante utilização no processo. Além disso, “tem perspectivas de novas aquisições deste tipo de equipamento para substituir as linhas convencionais de esmaltação. Atualmente, faz-se a aplicação das texturas dos esmaltes por meio de cabines de esmaltação”, explica Davi Almeida.

Tecnologia Contínua

Quando se fala em grandes formatos, entende-se na indústria de revestimentos o emprego de alta tecnologia. A grande inovação, segundo Patrícia Uchida, Gerente Industrial da Roca Cerâmica, está nas lâminas extremamente finas, com apenas 7 mm de espessura. “Isso foi alcançado graças à tecnologia Contínua+, exclusiva da Roca Cerâmica nas Américas, que utiliza uma super-compactadora para produzir os revestimentos em lâminas contínuas”, explica. O resultado são revestimentos em grandes formatos, com extrema resistência, qualidade e acabamento perfeitos.

No que diz respeito à sustentabilidade, a tecnologia Contínua+ reduz potencialmente o consumo de recursos naturais, principalmente de zircônio, material extremamente escasso, encontrado em apenas duas minas no mundo. Com esta metodologia, foi possível não só reduzir a quantidade empregada desse material, como também reduzir o consumo de energia. “O moinho contínuo de dois estágios utiliza apenas um terço da energia elétrica utilizada por moinhos descontínuos”, explica Uchida. Isso resulta em maior economia de água no processo de fabricação, pois não é necessária a limpeza do equipamento a cada troca de massa.

8 maneiras de aprimoramento no processo de produção de cerâmicas

Fonte: Davi de Almeida Fernandes, operador de sistema de gestão da Cerâmica Atlas.

  1. Tratamento de efluentes gerados no processo produtivo.
  2. Reutilização da água tratada na produção.
  3. Reaproveitamento dos resíduos moídos descartados pelo processo fabril, reaproveitamento de resíduos do processo da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) posteriormente reintegrados no processo produtivo.
  4. Controle na geração, armazenamento e destinação correta dos resíduos perigosos gerados no processo produtivo, destinando-os a coletores credenciados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) ou órgãos correspondentes em outros estados.
  5. Política interna de coleta seletiva e destinação aos coletores.
  6. Instalação de equipamentos adequados para a captação de materiais particulados gerados pela atividade fabril.
  7. Frequente umidificação dos pátios de matérias-primas e vias de tráfego da empresa, a fim de evitar a poluição do ar ocasionada pela ação dos ventos.
  8. Aquisição de novas tecnologias de fabricação para reduzir o consumo energético e aumentar a eficiência na produtividade.

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