Com o intuito de valorizar a edificação, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) lançou uma força-tarefa voltada a reunir esforços para a restauração do monumento.

A proposta pioneira se inicia com a parceria entre a superintendência do Iphan no Rio de Janeiro e o Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores. Além destas instituições, o Ministério do Turismo e a Secretaria Especial de Cultura endossam a iniciativa.

O primeiro passo já foi dado: o Instituto cedeu ao Itamaraty uma arquiteta do quadro da Autarquia. Ao longo de dois anos, a profissional viabilizará a interface entre três iniciativas – com recursos que totalizam 12,5 milhões – dedicadas a produzir projetos executivos de restauro e a efetivar as obras em si.

Outro propósito da parceria Iphan-Itamaraty consiste em buscar novos modelos de gestão dos monumentos, que priorizem a sustentabilidade econômica do Patrimônio Cultural, promovam o turismo, se integrem ao cotidiano da sociedade e atendam às necessidades dos cidadãos no campo do lazer, da cultura e da educação.

Viabilizada pela Lei Rouanet, a primeira fonte de recursos tem origem em um termo de cooperação com o Instituto Pedra. São R$ 6,6 milhões voltados ao projeto executivo de restauração de três edificações que compõem o complexo do Palácio Itamaraty: a construção original, a biblioteca e o prédio da antiga cavalariça. Já emenda parlamentar disponibilizou R$ 2 milhões para o projeto executivo da edificação que abriga a parte administrativa do Itamaraty.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por sua vez, concedeu R$ 3,9 milhões para implementar o projeto de prevenção, combate a incêndio e segurança do Museu Histórico Diplomático (MHD), localizado no prédio original; bem como do imóvel que abriga a Biblioteca, onde também se encontram a Mapoteca e o Arquivo do Itamaraty.

A história do Palácio
Uma das primeiras edificações a ser tombadas pelo Iphan, em 1938, o palácio foi inscrito nos Livros do Tombo Histórico e das Belas Artes. Construído na década de 1850, o imóvel foi encomendado pelo barão e depois conde de Itamaraty. O projeto de construção é atribuído a José Maria Jacinto Rabello.

A fachada sóbria apresenta composição neoclássica francesa de fundo italiano. O interior revela características dos grandes solares do século XIX: saguão de acesso e salões nobres decorados se sobressaem no prédio de dois pavimentos.

O Complexo do Itamaraty
Quem avista apenas a fachada do Palácio nem sempre imagina o vasto conjunto de atrativos que habitam o interior das paredes centenárias. Logo na entrada, os jardins e o prédio original cativam a atenção dos visitantes, mas o cenário mais marcante do monumento se encontra na parte de trás desta construção.

Um longo espelho d’água é rodeado por altas palmeiras imperiais. Às margens do lago se distribuem as edificações da antiga cavalariça, que atualmente é usada pela Organização das Nações Unidas (ONU); o prédio administrativo do Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro; e a Biblioteca, instituição de referência na América do Sul que possui expressiva coleção na área de relações internacionais.

Aos valores históricos e artísticos do monumento se somam a singularidade e dimensão dos acervos museológico, bibliográfico e documental. O complexo dispõe de acervo bibliográfico com cerca de 70 mil itens e de vasto acervo de mapas, considerado o mais importante da América Latina no gênero, com aproximadamente 30 mil itens.

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