Quarta-Feira, 30 de Novembro de 2022

Restauração e modernização do Museu do Ipiranga

O projeto de revitalização do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, mais conhecido como Museu do Ipiranga, alcançou a marca de 50% de obras concluídas neste mês. Para a revitalização e ampliação segura de um dos patrimônios tombados mais importantes do Brasil, a nova estrutura conta com cerca de 120 toneladas de aço. Texto: Louise Trevisan.

Foto: Governo do Estado de São Paulo.

Foi aberto ao público em 7 de setembro de 1895, sendo o museu público mais antigo da cidade de São Paulo. O prédio – assim como suas dependências – é tombado pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e constitui um dos mais preservados conjuntos urbanísticos da cidade, abrigando também o Monumento à Independência, onde está localizada a cripta de Dom Pedro I, e a Casa do Grito.

Quando anunciada pelo Governo do Estado de São Paulo, em 2019, o processo de revitalização do museu estava estimado em R$ 160 milhões. O projeto de restauro e modernização do museu é do escritório H+F Arquitetos, vencedores do concurso público realizado em 2018. Entre outras novidades, o projeto remaneja o acesso principal para a cota inferior onde será construído subsolo de 3 mil metros quadrados e um mirante na cobertura. A expectativa é que as obras sejam finalizadas até setembro de 2022 para a comemoração dos 200 anos da Independência do Brasil.

Imagem: Divulgação H+F Arquitetos

Assinado pela engenheira Heloisa Maringoni, da Companhia de Projetos, o projeto de revitalização do edifício monumental neo-renascentista, construído para celebrar a Independência do Brasil, foi desenvolvido com o objetivo de dar uma resposta objetiva, rápida e limpa, para não haver conflito com o delicado trabalho de restauro, que deveria acontecer simultaneamente às obras.

“O sistema em aço foi escolhido porque o Museu, por ser um edifício tombado, tinha limitações quanto às dimensões de peças, detalhes de vinculação, poucos pontos possíveis de apoio e necessidade de prontidão na performance estrutural. Mas como diria o pintor suíço naturalizado alemão, Paul Klee, toda limitação é um apoio”, explica Heloisa.

A engenheira conta que as estruturas de aço trouxeram, entre outras vantagens, harmonia com os elementos de madeira e ferro fundido da construção original, redução das áreas de interferência e canteiro de obras, transporte por acessos limitados, montagens precisas e esbeltez dos elementos.

“Para se ter ideia, os primeiros desenhos de fabricação chegaram para comentário no dia 20 de julho de 2020 e a grande treliça foi montada em 5 de outubro do ano passado. Em menos de um ano, quase toda estrutura em aço, que soma 120 toneladas do material, já está montada”, conta.

Foto: arquitetos e engenheiros da obra.
Foto: arquitetos e engenheiros da obra.

No caso do Museu, de acordo com a engenheira, o ganho de tempo foi importante, mas a logística acabou por falar ainda mais alto. “O tempo não é só definido pela execução, mas muitas vezes pela substituição ou reforço de estruturas existentes, que devem ser preparadas previamente para a intervenção. Houve casos em que não havia previsão para o uso do aço, mas ao iniciar os trabalhos da recuperação da madeira, ele se fez presente justamente por oferecer a agilidade que a obra demanda”, diz.

Além da agilidade e sustentação, as estruturas metálicas também trouxeram ganhos em termos de sustentabilidade. “O projeto teve a preocupação de reuso de materiais, como os barrotes em peroba rosa na composição dos novos pisos sobre as estruturas em aço, e nestas, a durabilidade e manutenção”, diz a engenheira. De acordo com o Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), o aço apresenta características sustentáveis significativas, principalmente por ser um material 100% reciclável e ter a possibilidade de retornar aos altos fornos sob forma de sucata e tomar um novo molde, sem perda de qualidade.

Perspectivas do projeto da equipe da H+F Arquitetos
Foto: arquitetos e engenheiros da obra.

Esse novo projeto, com certeza, fará com que o Museu Paulista seja compatível aos grandes museus internacionais. “Eu costumo dizer que fiz um trabalho de alfaiataria estrutural, pois a alfaiataria é roupa sob medida, feita especialmente para aquele corpo, tem que ser justa, confortável e especial”, compara.

Com a revitalização, o museu terá uma nova área de 6800 m² e, assim, a visitação pública na instituição será ampliada de forma significativa, podendo receber um público acima de 500.000 visitantes por ano.

Para acompanhar as obras, a organização do museu disponibiliza um passeio virtual gratuito pelo link: www.banibconecta.com/site/tour/concrejato/museuipiranga2021/autostart.

As obras do Novo Museu do Ipiranga são financiadas via Lei de Incentivo à Cultura.

Patrocinadores e parceiros: BNDES, Fundação Banco do Brasil, Vale, Bradesco, Caterpillar, Comgás, CSN – Companhia Siderúrgica Nacional, EDP, EMS, Itaú, Sabesp, Banco Safra, Honda, Postos Ipiranga, Pinheiro Neto Advogados, Atlas Schindler e Novalis.

Confira mais imagens do projeto:

 

Compartilhar artigo:

Quarta-Feira, 30 de Novembro de 2022
ArQXP – Experiências Inovadoras em Construção | Alameda Lorena, 800 | Cj. 602 CEP 01424-000 Tel.: 55 (11) 2619.0752