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Paisagem emoldurada de madeira Cumaru

Dois volumes, um de concreto, outro metálico, compõem a casa idealizada pelo arquiteto Otto Felix em fazenda no interior de São Paulo. Ripas de cumaru em portas camarão fazem o contorno do projeto. Fotos: Denilson Machado / MCA Estúdio

Com a proposta de criar uma casa para a família, Otto Felix projetou a Fazenda EP. “Toda a área de lazer da casa está disposta no pavimento térreo, com ambientes integrados e cercados por extensas folhas de vidro. Trabalhamos o máximo de transparência para trazer a natureza para o interior da casa”, explica o arquiteto.

Com uso de formas equilibradas e ortogonais, os espaços amplos são interligados. A volumetria chama a atenção ao emoldurar pelas linhas horizontais e verticais imensos quadros de paisagem ao longo dos cômodos. 

A casa foi construída na fazenda da família e conta com uma vista privilegiada para a densa mata local e também para um grande lago. Ela se organiza a partir da sobreposição de dois volumes grandes. O primeiro é a caixa do pavimento térreo, que possui uma estrutura de concreto, emoldurando e sustentando o segundo volume, que é o pavimento superior, feito inteiramente de estrutura metálica.

O peso do concreto é subliminarmente a base densa que sustenta a leveza da estrutura metálica do pavimento superior. Justapostos, os prismas são gentilmente interligados pela escada em espiral, que lembra dos desenhos de Escher e ilustram a capa desta edição da aU. Segundo Felix, um dos grandes desafios e destaque do projeto foi justamente a estrutura metálica, que permitiu o balanço de 7,5 metros sobre a garagem. “É como se o volume do pavimento superior estivesse flutuando sobre a caixa rígida de concreto que compõe o pavimento térreo”, explica.

Entre os tons neutros e os revestimentos naturais presentes na arquitetura, a madeira cumaru é protagonista e reveste piso, parede e forro. A sensação de leveza também é reforçada pelas portas camarão ripadas que envolvem todo esse volume, trazendo uniformidade e camuflando as vigas metálicas. Na fachada posterior, um grande pergolado de madeira emoldura o jardim interno, aproximando a natureza dessa vez para a área íntima da casa. É ela quem faz as vezes de moldura ao abraçar a paisagem do entorno. O fechamento ripado da caixa metálica revela um volume semi-permeável, em que a luz se revela por entre as frestas.

As suítes estão localizadas no andar superior, junto com a sala íntima e o deck privativo, uma espécie de área de convívio para a família com vista para o lago. Assim, o horizonte verde é visto de todos os quartos. Para subir, a escada espiral embeleza o caminho, unindo design e funcionalidade. “É ela que dá as boas vindas para os convidados permitindo acesso direto do hall social para a área de lazer da residência”, comenta. 

No mobiliário, as cores são pontuais. Os tons claros compõem com os detalhes em linho, madeira, pedra e couro. As peças, de design brasileiro, formam uma composição leve e aconchegante para os ambientes. Grandes superfícies como pias e bancadas ganham tons neutros de off-white. 

Ficha técnica

Arquiteto responsável: Otto Felix
Equipe: Flávia Ganselli, Tici Andriani, Marcela Goraieb, Bruno Bridi, César Martini, Priscila Balbino.
Localização: Bragança Paulista, São Paulo
Ano de conclusão da obra: 2018
Área total construída: 906,42 m2
Construção: Lock Engenharia

Publicado originalmente na revista aU, edição 290 de outubro de 2019.

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