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Oásis nipônico em Londres

Edifício georgiano em Marylebone foi remodelado sob a óptica do movimento slow down. Projeto de interiores respeita patrimônio e insere minimalismo japonês para separar hóspedes do movimento urbano.

A Prince Hotels, marca japonesa de hotéis, abre seu primeiro empreendimento em Londres, The Prince Akatoki London. Inaugurado em setembro no mesmo endereço do antigo The Arch London, na região de Marylebone, o conceito foi conduzido por Mark Bithrey, diretor criativo do B3 Designers. “Trouxemos o melhor do Japão, um lugar realmente incrível onde o design evidencia diversos elementos da vida cotidiana. O artesanato, os espaços e o cuidado com detalhes foram pensados com o objetivo de criar a sensação mindfulness (de vivência plena do presente). Para trazer isso à vida, inspiramos nosso design em painéis decorativos típicos, as tradicionais portas de correr japonesas que se movem e redefinem o espaço. Portas abertas são um convite para experimentar algo novo”, explica.

Batizado de Akatoki, uma antiga expressão japonesa que significa amanhecer, o hotel representa uma renovação de energia e de expectativas pelo que uma nova manhã tem a oferecer. A atenção aos detalhes, o esmero encontrado nos tradicionais arranjos de flores (ikebana), a suavidade das cores, a presença de trabalhos resultantes das artes manuais e o minimalismo da decoração estão expressos nos ambientes comuns e nos primeiros 20 quartos renovados. 

Minimalismo japonês presente no mobiliário, revestimentos e paleta de cores. 
A equipe de designers produziu projeto inspirado no país asiático. 

Para Roisin Reilly, designer da equipe de projeto, o conceito de oásis em meio ao frenético movimento urbano foi perseguido durante a fase de concepção. “Seguimos a filosofia japonesa ma, que é a ideia de encontrar equilíbrio e harmonia justapondo espaços positivos e negativos. Este conceito segue a ideia de omotenashi, que em japonês significa hospitalidade. Ter omotenashi nos negócios significa fazer de tudo para que o cliente se sinta especial e garantir um atendimento impecável e de alto nível”, explica.

O movimento slow down

O projeto de interiores do Akatoki seguiu os preceitos do Movimento Slow (ou Slow Movement). Trata-se de um estética que propõe uma mudança cultural para a desaceleração da vida cotidiana em meio à correria da cidade. A ideia surgiu quando Carlo Petrini, um jornalista italiano, realizou um protesto contra a inauguração de um restaurante McDonald’s na Piazza di Spagna, em Roma, no ano de 1986. Nesse contexto, surgiu o movimento Slow Food, que atualmente conta com mais de 100 mil membros e tem escritórios na Itália, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido, além de apoiadores em 150 países. A sede internacional está localizada em Bra, no Piemonte, na Itália.

A filosofia do Slow Food é centrada no conceito de que a comida deve ter 3 princípios conectados: boa (de qualidade e saudável), limpa (produzida sem prejudicar o meio ambiente) e justa (preços acessíveis para consumidores e condições justas para os produtores). Com o tempo, esse princípio “Slow” foi sendo aplicado em outras áreas, como Slow Food, Slow Cities, Slow Fashion, Slow Aging, Slow School, Slow Travel, Slow Books, Slow Living, Slow Money. No Brasil, o movimento Slow Food também está presente. Esporadicamente ocorrem eventos com essa temática, como o Dia Sem Pressa, organizado pelo Desacelera SP, que se descreve como “uma desaceleradora de pessoas e negócios” para a “valorização das relações humanas com afeto, tempo, dedicação, franqueza e verdade”. 

A concepção do projeto

A equipe de designers procurou trazer um conceito japonês que fugisse de algo totalmente imersivo. A proposta é um aceno para a cultura japonesa. Foram exploradas formas japonesas, proporções e princípios estéticos. Toda essa imagem foi trabalhada considerando o cenário londrino. Para isso, lançaram mão dos pontos de contato japoneses por excelência: minimalismo e modernismo nas áreas comuns do hotel, que incluem recepção, santuário, espaço de trabalho comunitário, corredores, elevador, The Malt Lounge & Bar e o TOKii. Os 82 quartos foram projetados para emanar a atenção à hospitalidade, tranquilidade e leveza de uma experiência japonesa. “A equipe do cliente, aqui e no Japão, foi muito receptiva aos nossos projetos, e foi um projeto realmente agradável em geral”, garante Bithrey. 

Os trabalhos de remodelação do hotel foram conduzidos sem interromper o funcionamento. “Esse foi certamente um aspecto desafiador para garantir que não perturbássemos a experiência do hóspede durante a mudança”, explica. “Trabalhamos em estreita colaboração com a gerência do hotel, o contratado e a equipe de gerenciamento de projetos para desenvolver um processo tranquilo durante todo o programa em fases. O maior desafio do programa foi que nenhum dos 82 quartos tinha a mesma forma ou tamanho. Assim, ao projetar, trabalhamos a partir do mesmo princípio em cada sala, e só saberíamos com certeza o espaço exato com o qual estávamos trabalhando quando a sala fosse disponibilizada no início de cada fase”, conta o designer. 

“Criar um espaço tranquilo, de inspiração japonesa, em um edifício georgiano com status de patrimônio histórico provou ser um desafio. Planejamos cuidadosamente as áreas de recepção, o santuário e o espaço de trabalho numa perspectiva aberta. As divisões feitas com telas permitem transparência e diferentes camadas para controlar a entrada de luz e de ar. Isso provoca uma sensação instantânea de relaxamento”, completa. Ao projetar o bar, foi preciso respeitar a estrutura arquitetônica pré-existente. Algumas colunas inesperadas tornaram-se uma barreira durante a construção do restaurante. Isso forçou a equipe a redesenhar a área principal do balcão de sushi para garantir que mantivesse o impacto visual desejado, sem prejudicar os aspectos operacionais. 

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