Com dicas para a escolha dos materiais, a arquiteta Karina Korn leva em conta questões como a finalidade e as tendências do segmento

O projeto de arquitetura de interiores pede atenção em todos os detalhes. Dando início às etapas de acabamento, os revestimentos para pisos e paredes devem ser pensados com antecedência. Mas como decidir e não pairar dúvidas nessa composição? Para a profissional, piso e parede não são coadjuvantes, mas sim atores principais na composição dos ambientes onde serão usados.

Nos projetos que realiza, a arquiteta explica que o processo de escolha tem início na análise que realiza com os futuros moradores. Compreender os desejos, as predileções e o alinhamento de expectativas é o primeiro passo. “Olhar o ambiente como um todo também é outro caminho muito bacana. Com o estilo de decoração adotado, vamos eliminando o revestimento que não cabe para aquele cômodo”, relativiza a arquiteta.

Nesta sala proposta por Karina Korn, um trecho da parede foi composto por pedras comumente empregadas no calçamento. | Foto: Eduardo Pozella

Cada ambiente carrega suas peculiaridades.

No banheiro, os revestimentos devem ser resistentes à absorção de água, bem como a alta incidência de vapor e mofo. Já na cozinha, é primordial que facilitem a limpeza de gorduras e respingos. A sala é um capítulo à parte, pois permite um toque de ousadia com revestimentos arrojados e que chamem atenção, mesmo que não disponham de uma alta resistência técnica.

Quando a decoração é montada do zero, a arquiteta sugere uma maior autonomia na seleção. “Neste caso, indico elaborarmos um moodboard com várias opções de revestimentos de pisos e de paredes, bem como cores e tecidos. Isso nos ajuda a criar um quebra-cabeça que nos levará ao resultado esperado”, revela Karina Korn.

Nesta varanda com pé-direito duplo, a arquiteta usou o brick para compor a atmosfera do local que combina com o tom do porcelanato do piso | Foto: Eduardo Pozella

Porém, algumas percepções necessitam prevalecer. O piso, por exemplo, deve ser sempre resistente e pautado na coerência. Não adianta aplicar um piso de madeira na área do box do banheiro e, da mesma maneira, um revestimento para área interna não pode integrar o lado externo. Por conta da finalidade que a indústria indica para cada modelo, usar de forma errada compromete a performance, bem como pode provocar acidentes.

Por serem peças de longo prazo, ou seja, de difícil alteração após o projeto executado, é preciso que a escolha prossiga além da funcionalidade, traduzindo o gosto pessoal de quem estará todos os dias no ambiente “Embora seja muito interessante estar de olho nas tendências do mercado, nem sempre aderir por modismos seja o mais indicado, pois em pouco tempo o material pode enjoar”, compartilha Karina.

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