Quarta-Feira, 27 de Outubro de 2021

O poder dos ventos

Com vãos de entrada de ar que integram todos os ambientes no alto das paredes, Loft de Patrícia Hagobian é inspirado no deus grego do vento do oeste Zéfiro no seu conceito e no uso de ventilação cruzada. Fotos por Salvador Cordaro. Foto de capa por Pedro Zuccolotto.

Proteção e liberdade. Apesar desses dois conceitos soarem antagônicos, Patrícia Hagobian se apoia fortemente em ambos para criar o Lóft Zéfiro Dunelli, presente na CASACOR São Paulo deste ano. A ideia partiu do atual momento em que vivemos, onde é preciso se proteger da pandemia enquanto se faz necessário tentar sentir a liberdade que nós, humanos, tanto amamos. Com um total de 140 m², o espaço é marcado pela ventilação livre e fora do óbvio.

O conceito tem como base principal Zéfiro, deus grego do vento oeste e que dá nome ao projeto. Indomável e violento, destruía tudo que via pela frente. Para conquistar o coração e não destruir as flores de sua amada Clóris, deusa da primavera, ele precisou se reinventar e domar sua força, tornando-se um vento mais suave e brando.

Sandro Botticelli, The Birth of Venus (c. 1484–1486). À esquerda e soprando Vênus, Zéfiro voa com Clóris em seus braços.

A narrativa criada pela arquiteta também se apoia em uma frase dita por Fernando Pessoa: “só de sentir o vento passar, já valeu a pena viver”. É em busca da simplicidade perdida que o partido do projeto se apropria de maneira delicada na questão de que a casa, assim como nós, também precisa respirar e, acima de tudo, ressignificar, transformando o espaço em um verdadeiro lar, um refúgio, um lugar seguro.

O velejador

O loft busca contar a saga de um velejador apaixonado pela brisa que, em tempos em que se faz necessário ficar em casa, conduz o vento para dentro de sua casa e da sua alma. A concepção é de um espaço híbrido e multifuncional marcado por “blocos” independentes. A permeabilidade do vento revela, em momentos estratégicos, a linha do horizonte, exibindo pontos de calmaria para o olhar. No convite para sermos mais amigáveis com o planeta, por que não escancarar a janela, deixar a porta aberta e permitir a brisa entrar?

Um respiro

A necessidade de ambientes arejados em uma situação de pandemia é uma das principais características trazidas pelos profissionais da CASACOR este ano. Além da ventilação cruzada, um pré-requisito da própria mostra, o projeto Loft Zéfiro Dunelli traz vãos de entrada de ar que integram todos os ambientes no alto das paredes.

A releitura para criação das lacunas atravessa todas as paredes em aberturas contínuas de 50 cm acima das janelas, dando entrada para o vento e para o céu e tornando o ambiente um dos mais frescos da mostra. Os curiosos vãos trazem a tendência de novos tempos de forma prática, arejando e trazendo segurança sanitária para o ambiente, mas também abraçam a tendência do subjetivo, dualidade entre o sólido e o fluído enquanto traz conforto, respiro e acolhimento. 

Casa completa 

Logo na entrada do amplo ambiente, patrocinado pela Dunelli, uma porta generosa e pivotante se destaca. Ao adentrar, revela um espaço onde a premissa é leveza.

Ao passar pelo Hall de distribuição, a janela se abre e um volume se forma, demarcando a área da Cozinha e Sala de Almoço. Com o pé direito mais alto e volumes pronunciados, o Living é emoldurado pela vista.

É no espaço mais generoso da casa que a paisagem de tirar o fôlego se anuncia: o Home Office passa a coexistir e permite um momento de absoluto respiro. Em total interação, o closet completamente aberto confere fluidez.

Um novo pórtico se abre e abraça a sala de banho. Não menos importante, o quarto é o espaço mais intimista. Grandes portas de correr permitem a integração. A cama possui linhas verticais trabalhadas individualmente e, ao mesmo tempo, sugerem uma curva, unindo tecnologia construtiva e design artesanal.

No lounge de saída, estantes assinadas pela arquiteta e fornecidas pela Dunelli recebem uma coleção de ampulhetas, fazendo alusão que apenas o tempo pode curar tudo. Se trata de uma coleção que foi reunida ao longo dos últimos dois anos pela própria arquiteta.

Foto por Pedro Zuccolotto

Destaque também para as obras de arte e peças assinadas que finalizam a atmosfera do projeto e trazem exclusividade. Nos mobiliários da cozinha, chama atenção a mesa de jantar assinada pelo Studio Luazzu, com acabamento acetinado, cadeiras com estrutura em madeira maciça tauari e assento em fibra de vidro revestida desenhadas por Lattoog, ambos da Dunelli. A iluminação e pendente são desenhados por Albert Murta e Ari Coelho da Natilux. A obra de arte concebida em tule sobre canvas é assinada por Will Sampaio. 

Na sala, o sofá e poltronas, idealizadas por Mauricio Bomfim e exclusivos da Dunelli, estão em composição com a mesa de centro e com o tampo em mármore exótico prada nuovo, ornando com os materiais naturais explorados pelo conceito do projeto. A poltrona aramada foi fruto de garimpo e é uma antiga peça francesa utilizada em jardins. Seu autor é desconhecido. A obra de arte intitulada de Super Nova 1 e Super Nova 2 é assinada por Marcelo Macedo e é composta por madeira descartada com pintura acrílica. O artista transita entre criar e recriar, ressignificando objetos ou partes deles que foram jogados fora, gerando combinações e possibilidades. São fornecidas pela Galeria de arte contemporânea Luciana Caravello. Iluminação em trilhos Trinity assinadas por Waldir Junior, da Natilux. Produção e styling por conta de Luiz Whitehead. 

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