Neuroarquitetura e as relações humanas

Texto: Christie Schulka | Imagens: Freepik

Uma das minhas missões à frente da Roca Cerâmica é disseminar a importância da “neuroarquitetura”, que em linhas gerais se baseia na união entre neurociência e arquitetura para compreender como como os ambientes influenciam as emoções, o bem-estar e o comportamento humano. E por que falamos tanto sobre sentir-se bem nos ambientes? Por que é tão importante que o local onde estamos ajude a canalizar os estímulos que precisamos?

Respondo que essa é uma necessidade que urge em nível global. A partir de estudos sobre percepção espacial, iluminação, cores e materiais, essa abordagem possibilita projetar espaços que promovam conforto, produtividade e saúde mental, desde hospitais que acelerem a recuperação de pacientes, escritórios que estimulem a criatividade que acrescente nos resultados e que também nos traga satisfação, além de moradas que sejam um porto seguro para nossa reconexão individual.  

E não há como dizer que seja possível imaginar, em um futuro próximo, eu diria, a desconexão entre arquitetura e o entendimento mais aprofundado sobre o ser humano. Definitivamente, corpo e mente não são interdependentes e há de se entender que é preciso olhar para dentro.

Para facilitar a compreensão, nas palestras que realizo em todo Brasil acerca do tema, cito um cenário pujante capaz de mostrar que a neuroarquitetura não é uma tendência, mas um olhar e abordagem para se promover as boas sensações em ambientes construídos. 

Há uma preocupação global e nacional devido ao aumento expressivo no consumo de ansiolíticos, sedativos e antidepressivos. Conforme o “Boletim Radar Mais SUS N.2 – A oferta e distribuição de serviços de saúde mental no Brasil entre 2013 e 2023”, elaborado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) no período entre 2013 e 2023, o uso de medicamentos antipsicóticos aumentou mais de 50% e o atendimento psicossocial no Sistema Único de Saúde (SUS) dobrou nesses 10 anos.

Paralelamente, o número de afastamentos do trabalho por ansiedade e depressão triplicou em 10 anos, atingindo 307 mil em 2024, segundo o Ministério da Previdência Social. A pandemia também desencadeou um aumento na prevalência de ansiedade e depressão em todo o mundo – em um estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), houve um aumento de 25%.

Diante dessas constatações, você pode me perguntar: mas Christie, a arquitetura pode contribuir para melhorar esse cenário? Eu digo que sim, pois sabemos que ela exerce esse poder de ativar nossas sensações e emoções através dos nossos sentidos – visão, audição, olfato, tato e paladar –, uma vez que estamos expostos a ambientes construídos em grande parte do nosso dia. E através deles, ativamos percepções através das cores, iluminação, sons, aromas, formas e gostos. 

E quando esses estímulos estão equilibrados dentro de um ambiente, o que é esperado? Que o lugar possa contribuir com o desejo de permanecer nesses espaços. 

Esses insights são apenas pílulas para uma análise mais profunda sobre a relevância do papel da arquitetura em nossas vidas. Não se trata apenas de reunir o belo que cause uma admiração temporária ou que encante, em um primeiro momento, por ser uma novidade que está em alta, mas de um olhar multidisciplinar com foco no bem viver.

Nos vemos em breve.

À frente do marketing do Grupo LAMOSA no Brasil, Christie Schulka é formada em propaganda e é Especialista em Neurociência com ênfase em Neuromarketing Digital. Antecipa conceitos na prática e traduz tendências.