Gerente da Expolux e diretor executivo da Abilux falam sobre as mudanças e oportunidades verificadas diante do cenário imposto pela Covid-19.

A pandemia acarretou uma série de mudanças inclusive no setor da construção. Ao passar mais tempo em casa, as pessoas começaram a perceber a importância de um projeto de luminotécnica de qualidade. O mercado percebeu a tendência e reagiu. Segundo Ivan Romão, gerente da Expolux, a relação das pessoas com a luz sofreu uma ampla mudança no contexto da pandemia. “Desde o interesse por produtos com maior eficiência energética até a busca pelo entendimento do tipo de iluminação mais adequado para garantir as atividades domésticas e profissionais”, afirma. Já sobre o próximo ano, Marco Poli, diretor Executivo da Abilux, adianta que “2022 será um ano de crescimento auspicioso” para o setor. Para se atualizar do mercado de iluminação, Téchne conversou com os dois sobre o panorama da produção nacional e internacional, investimento em iluminação pública de qualidade, tendências do setor e a Expolux deste ano.

Ivan Romão – Gerente da Expolux

Fale sobre o momento do setor da iluminação, desenhando um panorama da produção nacional e internacional.

O setor de iluminação vem demonstrando recuperação. O impacto do dólar e a falta de alguns componentes que compõem a cadeia produtiva já foram absorvidos pela indústria. As demandas por produtos de iluminação se mantêm aquecidas, pois hoje, a permanência das pessoas por mais tempo em ambientes internos gerou a necessidade de termos produtos mais eficientes. O setor da construção civil mostra sinais de recuperação no biênio 2020/2021.

Há anos os investimentos em infraestrutura urbana estão estagnados em todo o país. Há perspectivas ou sinais da retomada destes investimentos com ênfase no setor de iluminação pública? Quais são os principais desafios e barreiras a vencer?

Um dos pontos mais relevantes das administrações municipais é a segurança e o conforto da sua população. A iluminação pública atua diretamente nestes dois pontos. Estudos mostram que uma área bem iluminada impacta diretamente na diminuição da criminalidade naquele local. A troca das lâmpadas de vapor por LED estão movimentando o mercado brasileiro. As novas administrações municipais que assumiram no início deste ano têm o desafio de melhorar e implementar novos projetos de iluminação pública em suas gestões.

Quais são os principais impactos do investimento em iluminação pública de qualidade (explore aspectos ligados à manutenção, sustentabilidade e segurança pública)?

A manutenção das lâmpadas de mercúrio e Sódio por LED vai movimentar o mercado de iluminação pública, gerando um aquecimento de toda a cadeia produtiva. Fabricantes, engenheiros, técnicos e instaladores irão atuar ativamente na troca dos produtos antigos pelas novas tecnologias. A preocupação com o meio ambiente, sustentabilidade e eficiência energética movimentam o desenvolvimento de novas tecnologias. A iluminação das vias com a tecnologia LED trará uma maior eficiência e um menor impacto no meio ambiente.

De que forma a pandemia impactou o setor de iluminação?

A pandemia do novo coronavírus teve uma série de consequências em diversos setores, mas na construção civil o impacto foi diferente. O isolamento social fez com que os olhares voltassem para o morar, para as casas, onde boa parte foi transformada ou adaptada em escritórios. Isso fez crescer o número de pequenas reformas e, consequentemente, materiais e produtos como lâmpadas, luminárias e tecnologias relacionadas fizeram parte do pacote.

A relação com a luz também mudou. Desde o interesse por produtos com maior eficiência energética, em cenário de bandeiras tarifárias altas e maior propensão ao consumo, já que muita gente estava em casa, até a busca pelo entendimento do tipo de iluminação mais adequado para garantir as atividades domésticas e profissionais, como as reuniões virtuais. Considerando, também, o fator bem-estar, utilizando a iluminação para a diferenciação de ambientes e a valorização de sensações, como tons aconchegantes para relaxamento, por exemplo.

Neste sentido, falar dos impactos trazidos pela pandemia vai além do número de vendas, mas a percepção da iluminação como um elemento dinâmico e que pode ser explorado de diferentes maneiras, não só como um recurso que já está integrado no nosso dia a dia automaticamente. Isso, obviamente, traz oportunidades muito interessantes para as empresas do setor, que precisam estar atentas a estes movimentos e aos seus respectivos públicos. Justamente o que queremos mostrar com a Expolux.

Como será a Expolux desse ano? A agenda presencial está mantida, ao contrário de grandes eventos ligados à arquitetura, engenharia e design. Fale sobre a estratégia da organização para garantir a segurança.

É preciso salientar que a Expolux é organizada pela Reed Exhibitions, a maior referência em eventos no mundo. Isso significa que toda e qualquer ação para a realização da feira
em formato presencial será detalhadamente estudada, tendo como base as normas vigentes e todas as recomendações das autoridades de saúde.

A Expolux é um evento que acontece a cada dois anos e em 2020, infelizmente, não foi possível a sua realização devido à pandemia. Em 2021, com um maior entendimento sobre o vírus, suas formas de contágio e a chegada da vacina, a expectativa é oferecer um ambiente seguro para trazer as atualizações e as oportunidades de relacionamento e negócios que são esperadas com grande ansiedade por toda a cadeia que forma a indústria.

Como as regras de vigilância sanitária dependem do cenário e dos números da COVID em cada cidade, poderão ser alteradas até a data da realização e, por isso, manteremos expositores, visitantes e mercado constantemente atualizados sobre as ações específicas a serem adotadas para receber o público nos dias de evento.

Quais serão as principais tendências reveladas?

Os conceitos de conectividade, iluminação inteligente e de produtos que “conversam” entre si, independentemente das marcas fabricantes, com certeza serão bastante discutidos. Uma das atrações, inclusive, será a “Cidade do Futuro”, um espaço de 500 m² que reunirá representantes do setor público, fabricantes, desenvolvedores de softwares, entre outros atores, para a apresentação de novas tecnologias e de possibilidades de aplicação.

A parte de decoração também ganhará um papel ainda mais estratégico depois da pandemia, conectando as soluções de mercado às novas necessidades e a um outro perfil de público, mais preocupado e exigente, mas que também não dispensa a parte estética. A feira trará uma nova edição do Decor Prime Show, reunindo marcas, light designers, arquitetos e estudantes para apresentação de propostas.

Iluminação pública é um outro ponto que terá bastante destaque. Das trocas de lâmpadas com foco em economia e sustentabilidade, iniciativas que vemos crescer em diversos pontos do país, até projetos massivos que devem entrar na pauta de implementação em grandes cidades, os desafios são inúmeros e precisam ser administrados com projetos modernos e inteligentes.

Marco Poli – Diretor Executivo da Abilux

Quais serão as principais tendências reveladas? Nos setores de iluminação residencial e comercial, quais são as principais expectativas? De que maneira a indústria dailuminação tem investido em pesquisa e desenvolvimento no  Brasil? Cite exemplos de inovação tecnológica no setor.

As expectativas para os setores de iluminação residencial e comercial são promissoras. Observamos que os clientes estão buscando produtos e soluções de iluminação que façam a diferença. Esta diferença pode ser traduzida em obter resultados de impacto, isto inclui efeitos da iluminação – sensoriais (ciclo circadiano, conforto, aparência entre outros), além da técnica de iluminação propriamente dita. A indústria brasileira de iluminação, sintonizada com essas expectativas do mercado tem trabalhado junto aos arquitetos e light designers para continuamente desenvolver e entregar o que é desejado. Exemplos poderão ser conhecidos na Expolux.

Faça uma projeção do setor de iluminação para o próximo ano.

Antevemos que 2022 será um ano de crescimento auspicioso. O segmento residencial continuará aquecido com as reformas e os novos empreendimentos residenciais e comerciais. O retrofit abrangerá vários segmentos da construção civil, infraestrutura e o setor de lazer, turismo como alavanca para crescimento pós-pandemia. O consumidor final, que é o rei, está ávido por viver intensamente novas experiências que são ofertadas pela iluminação tanto em residências como em outros espaços. As ferramentas incluem os projetos de iluminação, por exemplo de destaque do ambiente, os controladores que propiciam variação de intensidade – dimerização, diferentes temperaturas de cor, uso de cromaticidade. Sendo assim, para preencher estes desejos além de ofertar produtos será importante dar atenção aos projetos e serviços. A concorrência entre fornecedores de produtos e serviços será um destaque que exigirá investimentos em comunicação, exposição dos produtos para expor sua funcionalidade e seus aspectos diferenciados e inovadores.

Matéria publicada originalmente na revista Téchne.

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