Gleuse Ferreira assina bilheteria da CASACOR São Paulo 2025 com projeto que mistura memória afetiva, sustentabilidade e o legado do sertão nordestino. Texto: Bruno Henrique Silva | Fotos: Denilson Machado | MCA Estúdio
Inspirada por suas raízes sergipanas e pelo cenário verde do Parque da Água Branca, em São Paulo, a arquiteta Gleuse Ferreira retorna à CASACOR com um projeto que acolhe e emociona. Em sua segunda participação na mostra, ela assina a bilheteria com o ambiente “Meu Verde, Meu Sertão”, onde memória, cultura e design sustentável se entrelaçam em 89 m² pensados para receber com afeto e identidade.

Logo na entrada do evento, Gleuse propõe um espaço de conexão entre o tema da edição – “Semear Sonhos” – e sua ancestralidade, que carrega o legado de Lampião e Maria Bonita, seus bisavós. A estrutura original do antigo celeiro foi mantida com mínimas intervenções, revelando o telhado metálico e sua atmosfera rústica. No piso, o revestimento cimentício em tom suave dialoga com o restante da proposta e guia o visitante por uma experiência sensorial e afetiva.



O layout funcional privilegia a fluidez e o acolhimento. Um sofá generoso e curvo da designer Roberta Banqueri convida à pausa e ao encontro, enquanto o papel de parede com folhagens e o tapete roxo desenham uma paleta que remete ao verde do sertão após a chuva – símbolo de vida e renovação. A iluminação, delicadamente embutida na estrutura do telhado, garante uma atmosfera suave, quase poética.

A recepção, em quartzito Del Mare com veios esverdeados, reforça o vínculo com a natureza. Ao fundo, tapeçarias, obras de arte e objetos afetivos costuram a narrativa. Há esculturas de Véio, porcelanas pintadas à mão pela avó de Gleuse, e livros que homenageiam o Cangaço. O mobiliário, as obras de arte e os materiais naturais expressam o encontro entre o passado e o contemporâneo, entre o afeto e o fazer arquitetônico.


