Manifesto pelo futuro

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A partir do know-how acumulado nos últimos cinco anos em colaboração com outras empresas e empenhada em cumprir os objetivos do Acordo de Paris, a Foster + Partners lançou seu próprio manifesto de sustentabilidade. Por Pedro Zuccolotto

O documento lançado no fim de 2019 contém a metodologia para construir edifícios mais verdes e sustentáveis por meio de uma abordagem holística e medição da quantidade de carbono emitida em cada etapa da construção civil. “A Foster + Partners há muito tempo acredita no design holístico e respeitoso das necessidades das pessoas e do planeta. A causa principal das mudanças climáticas e do aquecimento está diretamente relacionada às emissões de gases de efeito estufa, e a construção civil representa cerca de 26% do total dessas emissões globais. Com a publicação deste documento, passamos a ter um parâmetro para nos ajudar a reduzir emissões de carbono e adequar nossos projetos às exigências do Acordo das Nações Unidas, em Paris”, defende a equipe do escritório na abertura do manifesto.

Segundo o Acordo de Paris, para que não haja danos permanentes à vida na terra, a mudança de temperatura global deve ser limitada a um aumento de + 2 oC, e idealmente em + 1,5 oC. Atingir a meta da ONU significa um impacto e uma mudança não apenas na concepção de novos edifícios e cidades, mas na adaptação das construções e centros urbanos já estabelecidos. “É possível chegar a uma mudança da ordem de 30% a 40% nas emissões, com adaptações em construções já existentes”, afirma o manifesto.

Como forma de aplicar os princípios do manifesto em suas próprias operações, na base da empresa, em Londres, a Foster + Partners utiliza há três anos eletricidade advinda 100% de fontes renováveis. Além disso, o escritório também compensa integralmente suas emissões globais anuais de carbono associadas ao transporte (linhas aéreas e veículos), bem como aquelas associadas ao aquecimento de resíduos.

O CENÁRIO 

• As mudanças climáticas têm sido causadas por conta da emissão de gases de efeito estufa. 
• As operações de construção são responsáveis por um total de 26% dessa emissão. 
• Em 2015, o Artigo 2 do Acordo de Paris determinou que a temperatura global deveria ser limitada a um aumento de até 2 oC acima de níveis pré-industriais. 
• Em 2018, cientistas publicaram uma pesquisa em que determinaram que o aumento da temperatura global não deveria passar 1,5 oC para evitar um dano irreversível na vida na Terra. 

AS POSSIBILIDADES 

• O atual sistema de certificação foca na energia operacional gasta por um edifício, mas não contabiliza a energia utilizada durante o processo de construção e manufatura. 

• Se o mundo continuar sua produção atual, a temperatura do planeta poderá subir cerca de 4,2 oC devido às emissões. 

• Mesmo com as novas construções sendo
feitas para serem ambientalmente mais eficientes, segundo vários órgãos de certificação internacionais, as temperaturas ainda subiriam 3 oC. 

COMO A METODOLOGIA FUNCIONA 

Para fazer um cálculo mais eficiente, é necessário levar em conta a energia gasta durante o processo design, construção e também uso futuro. A plataforma calcula as emissões em todas as etapas, criando uma estimativa de quanto será gasto no futuro para manter a construção em funcionamento. Isso possibilita uma redução já no início do processo. É utilizado o sistema BIM para saber a quantidade de energia que será gasta, sendo o projeto dividido em sete componentes: 

• Configuração do projeto 

• Estrutura
• Fachada
• Serviços de construção 
• Ajuste e operações 
• Energia
• Transporte 

A BUSCA PELO EQUILÍBRIO 

O Artigo 4 do Acordo de Paris solicita também uma absorção de emissões de carbono para balancear a emissão e a absorção no planeta. Todas as emissões que estão ligadas a construções precisam ser absorvidas para manter esse equilíbrio. As nações devem trabalhar juntas a fim de entender sua capacidade de absorção e seus objetivos para reduzir emissões. “Nossa metodologia quantifica o total das emissões de carbono produzidas por edifícios e projetos durante uma vida útil típica, incluindo todas as etapas desse ciclo, desde o projeto, passando pelo estágio de construção, adequações e reformas. Nossa plataforma pode prever e monitorar as emissões operacionais de carbono durante toda a vida útil do edifício”, explicam. 

“As emissões residuais de carbono devem ser compensadas de outras maneiras, por exemplo, com a geração de energia renovável ou o aumento de zonas reflorestadas para absorver mais carbono”. Trecho do manifesto publicado pelo estúdio Fosters + Partners

COMPENSAÇÃO DAS EMISSÕES DE CARBONO 

Mesmo com o design mais eficiente, é impossível reduzir o carbono a zero, principalmente porque hoje as fontes de energia ainda não são totalmente renováveis. “As emissões residuais de carbono devem ser compensadas de outras maneiras, por exemplo, com a geração de energia renovável ou o aumento de zonas reflorestadas para absorver mais carbono”, descreve o manifesto. Este processo é atualmente reconhecido pela ONU como estratégia eficaz. “Estamos estabelecendo parcerias com diversos agentes para tentar solucionar este problema, incluindo o financiamento de iniciativas para a geração de energia renovável e plantio de árvores”, concluem.

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