Sob a batuta do mestre Siegbert Zanettini, a malha que se ergue na marquise do Hospital Albert Einstein é a materialização do domínio pleno das possibilidades da estrutura metálica. A solução proposta para hospital, além da fascinante solução plástica, facilita tráfego de veículos e melhora estrutura de hospital na capital paulista. Por Pedro Zuccolotto. Fotos por Roberto Afetian

R eparar a falta de unidade arquitetônica da parte externa do Hospital Albert Einstein foi parte da tarefa de Siegbert Zanettini em seu projeto de retrofit global externo dos edifícios da unidade Morumbi. “Somava-se a isto a precária condição delas com esquadrias não mais funcionando, prejudicando a insolação e a ventilação dos vários ambientes”, explica o arquiteto. O projeto foi feito pela Zanettini Arquitetura e buscou sanar todos esses empecilhos através do uso moderno da arquitetura e do design. Completava o quadro de problemas a quantidade de acessos para internação e alta, pronto atendimento, administração, restaurante, lanchonetes e também para o acesso de veículos. Como entrada principal, não oferecia condições de espaço coberto para embarque e desembarque pelo grande volume de veículos e pedestres. Como condicionante colocado pelos responsáveis, as intervenções não poderiam ocasionar ruído e poeira, pois os ambientes internos continuariam sendo ocupados por pacientes, funcionários e público externo.

A execução

Como conta Zanettini, para esse desafio foi apresentado como proposta sistemas de produção e montagem totalmente industrializados de maneira que toda a execução seria externa com entregas programadas conforme fossem sendo liberadas pelo Hospital. “Para atender esses requisitos, desenvolvemos, juntamente com as importantes contribuições estruturais do Engenheiro Flavio D’ Alambert, todo um sistema estrutural de produção e montagem industrializada e integrada: enquanto fabricava-se treliças baixas para serem fixadas na altura dos peitoris e de grande comprimento, poucos pontos de ancoragem nas prumadas dos pilares de concreto, simultaneamente montava-se na cobertura do edifício uma estrutura para içamento e fixação das mesmas e dos painéis unitizados de vidro e ACM”, explica o arquiteto.

Essas treliças foram fixadas com pouco ruído pelas equipes de montagem e também foram a estrutura para engate dos painéis verticais unificados. Estes possuem esqueleto de alumínio e cobertura de vidro laminado duplo com aberturas em “Maximar” para ventilação
dos vários ambientes em cada pavimento. Nas fachadas cegas, as estruturas de alumínio receberam placas de ACM. “O encontro das janelas verticais externa ou interna, do vidro e ACM e arremates de platibandas compuseram o sistema de tratamento de fachadas”, conta.

Entrada principal

A condição de acesso à entrada principal ocorria através de pequena cobertura de concreto e pela grande área de acesso descoberta de veículos sem tratamento ambiental e paisagístico. “Optamos como solução adotar uma forma escultural e de destaque que ao mesmo tempo organizasse o tráfego geral e abrigasse a entrada de veículos, destacando a paisagem local de dia e a noite com a própria forma fornecendo a iluminação”, afirma.

Juntamente com o Eng. Flavio D’Alembert, foi conceituada a ideia de um parabolóico curvo que já definisse a circulação de embarque e desembarque de usuários protegidos da chuva e que pelas dimensões disciplinasse a ocupação ambiental e paisagística. O atendimento central a essas questões foi a criação de uma forma em arco que disciplinasse as vias de circulação e abrigasse a quantidade de veículos e seu estacionamento em três faixas para embarque e desembarque. “Assim surgiu o design de um grande arco em curva constituído por colmeias de triângulos com estrutura tubular de aço formada de barras convergentes articuladas à nós hexagonais e com gaxetas de borracha para apoio dos painéis triangulares de vidro laminado na cor verde ray-ban”, detalha.

A malha de arco em curva se apoia linearmente em suas arestas de apoio sobre bases. Somente no encontro dela com a superfície do auditório e sobre a marquise de concreto existente foram adotados apoios específicos junto às recepções do auditório e do hospital,
dispensando qualquer outro elemento que ferisse a limpeza formal. “A especialista em iluminação arquiteta Neide Senzi propôs linhas embutidas nas calçadas internas junto aos panos, resultando um efeito noturno deslumbrante e suficiente para iluminar internamente toda a cobertura e externamente toda a praça organizando acessos e o paisagismo circundante que foi mantido, tratado e ressaltado por um painel verde artístico de minha autoria”, explica o arquiteto.

O atrium

Para o desafio do Atrium, foi preciso criar um espaço de destaque como local de recepção, encontro e estar do hospital e que superasse o conflito funcional existente. A proposta consistiu em trazer a iluminação natural para esse ambiente envolvido por massas verticais, todas com diversas utilizações que deveriam receber iluminação e ventilação  naturais ao mesmo tempo que não sufocassem o ambiente no térreo. “Optamos por adotar
uma forma ascendente de tubos de aço que vence o vão maior, começando com pé direito mais baixo sobre o espaço destinado ao restaurante Kacher e que se eleva em curva atingindo a altura maior do 6º pavimento do bloco A apenas na sua extremidade”, finaliza Zanettini.

Ficha técnica

Arquiteto responsável: Siegbert Zanettini
Arquiteto supervisor: Thaís Barzocchini
Arquitetos plenos: Alessandra Cagnani Salado, Natália Brazão Malateaux
Engenheiro colaborador: Ernani Moura
Arquitetos colaboradores: Camila Conti, Éric Fick Gonzalez, Daniel de Souza Gonçalves

Matéria publicada originalmente na revista aU.

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