Sexta-Feira, 27 de Janeiro de 2023

Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e CCLAO apresentam: Pauliceia 2.0

Ao analisar mapas elaborados entre 1870 e 1940, a exposição PAULICEIA 2.0 procura compreender mudanças profundas na capital paulista: a chegada das estradas de ferro, o crescimento da imigração, o final do ciclo do café e, também, a fundação do Liceu de Artes e Ofícios, que andou de mãos dadas com a urbanização de São Paulo. São seis microambientes temáticos com projeções cartográficas de camadas históricas sobrepostas, aproximando o passado da cidade do legado do Liceu em suas obras. Texto por: Gustavo Curcio

O desenvolvimento das sociedades modernas foi acompanhado por profundas transformações políticas, econômicas e socioculturais. O boom industrial da segunda metade do século XIX, mediante uso de tecnologias cada vez mais complexas, viabilizou o rápido crescimento das estradas de ferro, das indústrias metalúrgicas e da construção de máquinas maravilhosas.

Pela necessidade de formar e instruir trabalhadores capazes de ler e decodificar instruções, diagramas e projetos usados no espaço das fábricas, floresceram no período as manufaturas e o que chamamos hoje de artes e ofícios, o que favoreceu o nascimento de escolas e museus de arte decorativa.

A nova cultura técnica demandou a ativação de amplos circuitos relacionados à produção de materiais para o ensino do saber-fazer, nos quais a apresentação deos desenhos mecânicos, de os sistemas construtivos e decorativos foram particularmente apropriados para uso no ensino das artes e ofícios subordinados à arquitetura e à decoração.

Ciência, educação, arte e indústria, inscritas no contexto de expansão do capital industrial, andaram de mãos dadas. O uso de novos materiais construtivos, como o ferro,  e o concreto, e métodos de construção inovadores agenciaram proezas técnicas e novos equipamentos urbanos.

Bares, apartamentos, museus, teatros, escolas, boulevards, mercados, tribunais, residências, coretos, bibliotecas, cabarés, quiosques viraram motivo de orgulho para realizadores e usuários. As cidades transformaram-se em metrópoles, e Paris, a capital do século XIX, tornou-se o modelo mundial da cidade moderna.

Ao longo dos anos 1870 e 1920, a capital da província de São Paulo mudou sua feição colonial, passando a ostentar uma fisionomia eclética. Embora numa escala muito mais modesta do que a da cidade Luz, a cidade de São Paulo cresceu a gabaritos largos com investimentos privados, tanto nacionais quanto estrangeiros, e estatais, na esteira da riqueza gerada pela economia cafeicultora.

A paisagem urbana da “‘Metrópole do Café”’ se atualizava. A influência estrangeira, nativa ou de artífices e comerciantes fixados na cidade pela imigração subvencionada em massa promovia a interação cultural, gerando mudanças inovadoras.

Casas de negócios, importadoras, oficinas, bancos, livrarias, hotéis, casas de moda, restaurantes, lojas de departamento, entre outros ramos comerciais de produtos industrializados instalaram-se no meio urbano paulista dinamizando hábitos de consumo civilizatório traduzíveis em padrões espaciais. São Paulo embelezava-se começando a se verticalizar.

Arte e indústria

A Sociedade Propagadora de Instrução Popular, constituída na capital da província de São Paulo em 1873 como organismo privado de ensino popular e gratuito a qualquer cidadão, reorganizou-se em 1882 como Liceu de Artes e Ofícios. fFoi idealizada, fundada e dirigida por figuras progressistas da elite paulista.

A escola oferecia ensinamentos de ciências naturais, industriais e outras formas de conhecimento útil. Eram admitidas como aprendizes crianças a partir de oito anos de idade sob rígida disciplina. Ganhavam da escola uniforme, lápis, papel e tinta, mas tinham que levar seus próprios canivetes, transferidores e compassos.

Havia ainda os cursos práticos para a habilitação de artífices responsáveis pela construção dos ambientes urbanos, assim como mão de obra especializada para as fábricas, o comércio e a agricultura.

Em 1895, uma nova diretoria, encabeçada pelo engenheiro-arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, promoveu ampla reforma e mudanças nos cursos da escola. O diretor pretendia que professores e alunos dominassem o desenho a partir do tratado de Vignola, conforme recomendado por Domiziano Rossi, arquiteto, diretor e professor do curso de artes do Liceu.

Reconhecido como instituição de utilidade pública, o Liceu recebeu subsídios do governo e um terreno, em frente ao seminário Diocesano, próximo ao Jardim Público da Luz diante da Estação Inglesa, para edificação de seu edifício-sede. O prédio da Avenida Tiradentes serviria também ao Grupo Escolar Prudente de Moraes, que lá permaneceu entre 1901 e 1910, assim como à Pinacoteca do Estado, desde 1906.

O edifício sede, na Avenida Tiradentes, projetado por Domiziano Rossi e Ramos de Azevedo em 1897, abrigou a partir de 1901 as aulas de ensino artístico e industrial. Apenas nos anos de 1910, as tendas de trabalho foram transferidas para a confluência das ruas João Teodoro e da Cantareira, onde eram realizadas as aulas práticas de marcenaria, ebanesteria, serralheria, escultura em madeira, caldearia, fundição em bronze e metais finos e modelação.

Os mestres imigrados contratados para ensinarem nas oficinas especializadas do Liceu praticavam a instrução de técnicas tradicionais vis-à-vis aos esforços de renovação dos repertórios e adaptação das “‘receitas’” para a produção de objetos artísticos encomendados pela burguesia paulista.

Os aprendizes, auxiliares e operários alfabetizados nas aulas noturnas, trabalhando nas oficinas sob as ordens dos mestres, passavam a oficiais, mestres, contramestres e gerentes, sendo remunerados com o lucro das vendas dos produtos manufaturados na escola.

Em 1906 o Liceu, que tinha mais de 800 alunos matriculados, abriria para exposição seu de mostruário permanente, espalhados pelas galerias e salões de sua sede, e exibiria suas manufaturas artísticas premiadas pela perfeição artística e técnica.

O uso de uma enorme gama de repertórios, modelos e estilos históricos, o domínio do desenho e a produção de obras de arte em materiais nobres garantiram alto grau de desenvolvimento técnico na produção de objetos arquitetônicos e artísticos.     Suas oficinas, trabalhando sob encomenda, equipadas com maquinário e instrumentos atualizados, foram contratadas por escritórios e construtoras operando no mercado imobiliário paulista para a construção e decorações internas e externas de edifícios públicos e privados, além de palacetes comerciais e residências de luxo.

Entre tradição e modernidade

Dentre as obras de artes aplicadas à arquitetura, mobiliário, equipamentos urbanos e meios de transporte, como peças de mobília e decorações internas, obras de arquitetura interna e externa, instalações e ornamentações notáveis, realizadas pela instituição, destacamos o Teatro Municipal (1903–-1911), o Cine -Teatro D. Pedro II (1922), o Clube Comercial (1924–-1929), o Palácio dos Correios e Telégrafos (1922), o Palácio da Justiça 1920-1932, o Palácio das Indústrias, o Mercado Municipal (1922–-1933), o  Banco do Comércio e Indústria (1920), o London River Plate Bank (Banco Comercial do Estado de São Paulo, 1933), a Estação Júlio Prestes (1926–-1938), as portas em madeira da Catedral Metropolitana da Sé, a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (1930), a Casa Mappin (1919), a residência de Antônio Alvares Penteado, Vila Penteado (1902), e a residência de Ernesto Dias de Castro, Casa das Rosas (1927–-1930).

Além destas, o Liceu projetou e executou os aparelhos de ginástica do Parque D. Pedro II (década de 1920), o Monumento a Ramos de Azevedo (1934) e o Monumento Duque de Caxias (1941–-1960). Realizou também as esquadrias metálicas e revestimentos de aço inoxidável do Museu de Arte de São Paulo (1947) e do Edifício Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (1979).

Em 1930 foi integrada ao seu complexo industrial a oficina de precisão que fabricou o primeiro hidrômetro nacional, criando o sistema de medição de água e gás individualizada para prédios de apartamento, tornando o Liceu o 5º produtor mundial de medidores de líquidos e gás em 1998. As pesquisas e os investimentos em tecnologia continuaram possibilitando a execução de obras no metrô, em aeroportos e em diversos outros lugares da cidade.

A escola técnica manteve seu caráter livre, atuando concomitantemente ao Ensino Médio, em regime semi-integral, com cursos de desenho de construção civil, eletrônica, edificações e mecânica. Hoje os cursos técnicos de Automação Industrial com ênfase em tecnologias de construção e multimídia ainda continuam gratuitos e são integrados ao Ensino Médio.

O Centro Cultural, inaugurado em 1980 com o Espetáculo Multivisão “Arte é Humanismo”, manteve cursos livres de artes plásticas, como os de Desenho Artístico e de Figura Humana, Pintura a Óleo e Aquarela, Escultura em Madeira e Cerâmica, História da Arte, Entalhe em Madeira, Cerâmica e Modelagem, Tear Manual, Arte Têxtil e Gravura, até seu fechamento em 2000. Em 2014 um incêndio destruiu o espaço, mas o edifício foi redefinido e a cópia da escultura monumental de Davi, de Michelangelo, foi restaurada juntamente junto amais sete obras que integram hoje a exposição “História e Memória”, em cartaz no Centro Cultural do Liceu.

A exposição, com curadoria de Denise Mattar e cenografia de Guilherme Isnard, conta em detalhes a história da escola desde sua fundação até os dias atuais. Sob o arco temporal que cobre os 148 anos de existência do Liceu, a mostra destaca seus principais diretores, os episódios mais importantes de suas gestões relacionados às circunstâncias históricas nacionais, além de fatos relativos ao dia a dia da escola e de sua vasta e variadíssima produção.

Construindo uma espécie de panorama biográfico da instituição, a exibição, com narrativa cronológica divertida e dinâmica, testemunha a importância da preservação das memórias e estudo das expressões da tradição para a Sociedade do Conhecimento.

Unindo arte, conhecimento e produção coletiva, o Liceu foi capaz de estimular o progresso artístico e cultural de São Paulo, contribuindo para a construção de seu patrimônio arquitetônico e tecnológico. Os próprios dados visuais da cidade podem, assim, ser apreendidos como um conjunto de atividades humanas comuns, práticas plurais e construtivas, oriundas do trabalho anônimo, da vida cultural das ideias, das formas artísticas e seus entrelaçamentos nas camadas do tempo.

Pauliceia 2.0: ciência aberta entre computação e história urbana

O objetivo da plataforma Pauliceia 2.0 é permitir a alimentação de dados espacializáveis de pesquisas sobre a história da cidade de São Paulo no período de sua urbanização e industrialização, por parte de qualquer investigador interessado em fazê-lo. Por meio desta ferramenta em constante evolução, estudiosos da história da cidade podem produzir mapas e visualizações de suas respectivas pesquisas, a partir da base fornecida, ao mesmo tempo em que enriquecem a base disponibilizada com as informações que terão alimentado ao sistema.

A plataforma busca facilitar o acesso à tecnologia e à metodologia desenvolvidas para aqueles que porventura queiram elaborar algo similar para outros recortes temporais e espaciais, reforçando, assim, a identificação do projeto com o movimento de ciência aberta e com as humanidades digitais.

A exposição pretende apresentar o estado da arte da plataforma e alguns estudos de caso que ilustram a sua construção e utilização. As camadas escolhidas tratam de temas clássicos da historiografia da cidade, inevitavelmente entremeados pela atuação do Liceu de Artes e Ofícios, graças à atuação essencial da instituição para a construção e o processo de urbanização da capital paulista. A intenção não é dar conta das complexidades historiográficas envolvidas ou esgotar as perspectivas analíticas existentes, tampouco propor ressignificações das abordagens conhecidas, mas apontar as possibilidades que a plataforma oferece para mobilizar esse conhecimento a partir de sua espacialização e de seu amplo compartilhamento.

Como a versão da plataforma atualmente disponibilizada está submetida a uma fase de testes por parte de pesquisadores que se voluntariem para tal, uma atenção especial é destinada às possibilidades de engajamento e de acolhimento de críticas e sugestões. Dessa forma, além de buscar difundir um projeto em que a livre colaboração é decisiva para seu sucesso, pretende-se dar subsídios para reflexões acerca das relações entre a tecnologia, o conhecimento histórico e o movimento de ciência aberta.

O projeto conta com uma equipe multidisciplinar de cerca de 30 pessoas e é uma parceria entre a Universidade Federal de São Paulo (campi de Guarulhos e de São José dos Campos), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a Emory University e o Arquivo Público do Estado de São Paulo. O apoio financeiro veio do Programa eScience da Fapesp.

Já pensou na infinidade de novas camadas que podem ser criadas no Pauliceia 2.0? Junte-se a nós na construção desse banco de dados interativo.

Quem desenvolveu? O projeto é uma parceria entre a UNIFESP (campi de Guarulhos e São José dos Campos), o Arquivo do Estado de SP, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e a Emory University (Estados Unidos). A concepção de “ciência aberta” que orienta o projeto faz dele uma iniciativa amigável à participação de todos os interessados em diversas etapas de sua execução.

Quem financiou? O projeto foi um dos 4 contemplados pela chamada eScience 2016 da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que estimula a colaboração entre as ciências da computação e outras áreas de conhecimento.

Qual tecnologia utilizada? A Pauliceia 2.0 é uma plataforma de código aberto, base web e orientada a serviços. Ela foi implementada usando a biblioteca GIS TerraLib e o geoportal TerraBrasilis, desenvolvido pelo INPE. A equipe também utiliza o software gvSIG, alternativa livre a aberta de SIG. A plataforma foi implementada com base no conceito de Single Page Application (SPA), usando a estrutura Vue.js desenvolvido em linguagem JavaScript e as ferramentas jQuery e OpenLayers.

A Exposição

Dentre as diversas camadas de dados sobre a cartografia paulistana disponíveis na plataforma, a curadoria da exposição, composta pelo Prof. Dr. Luís Ferla (Pauliceia 2.0), Prof. Dr. Fernando Atique (Unifesp) e Prof. Dr. Gustavo Curcio (FAUUSP), optou por cinco recortes expositivos, em microambientes alocados no Centro de Exposição do Liceu de Artes e Ofícios.

Enchentes
A mancha da enchente de 1929 produzida pelo grupo Hímaco, no mapa da São Paulo atual.

A mancha da enchente de 1929 em São Paulo foi produzida pelo grupo Hímaco em 2015 e retrata a maior inundação da cidade até então. As dimensões temporais e especiais da enchente já justificam por si mesmas uma substancial atenção historiográfica, que é amplificada pelas suas relações com os interesses fundiários e especulativos que a Light & Power Co. possuía na cidade. A camada foi gerada a partir do Modelo Digital de Terreno da cidade de 2004 e é uma aproximação da área inundada, a partir da cota de altura das águas de 724 metros, fornecida pela clássica pesquisa da geógrafa Odette Seabra.

Para esta exposição, combinamos a camada da enchente com a das as indústrias do bairro do Bom Retiro da primeira metade do século, a partir da pesquisa da Professora Sarah Feldman, num exercício que permite especulações historiográficas acerca do quão teriam sido atingidas pela tragédia. Também contrapusemos a camada da enchente de 1929 com os pontos de alagamento da enchente de 2020, compilados pelo jornal Folha de São Paulo, indicando uma significativa permanência histórica dos espaços inundáveis da cidade.

Cartografia Negra
Camada no mapa de 1860.

Construída a partir das informações e pesquisas levantadas pelo coletivo Cartografia Negra, atuante em São Paulo desde o ano de 2017 e formado por Pedro Alves, Raissa Oliveira e Carolina Vieira, a camada tem por objetivo colocar em tela alguns dos espaços que marcaram a história do povo preto na cidade de São Paulo. A visualização traz onze lugares, cobrindo um período que vai de aproximadamente 1560 até os dias de hoje.

Compiladas a partir de levantamentos bibliográficos e pesquisas em arquivos e acervos, as informações do grupo acabaram subsidiando um roteiro de visitação, de periodicidade mensal. Segundo descrição contida em material produzido para tal, “a caminhada Volta Negra (…) passa por praças, igrejas e lugares de encontro e celebração localizados no centro da cidade que até o fim do século XIX foram espaços de grande concentração da população negra em São Paulo”.

Desse modo, o trabalho desenvolvido propõe uma reflexão acerca dos apagamentos e permanências que envolvem as memórias da Pauliceia, buscando aspectos que identifiquem a participação dos negros e negras na história da cidade.

Prostituição e cortiços
“Casas de Tolerância” 1931-1955 em vermelho, Territórios de prostituição feminina 1924-1939 nos polígonos, Cortiços na imprensa na década de 1910 em amarelo escuro e Cortiços de Santa Ifigênia 1893 amarelo claro. Mapa SARA Brasil (1930) de fundo, com zoom geral.

Esta seção apresenta os locais de prostituição e cortiços na cidade. Tanto as prostitutas quanto os moradores das habitações populares eram considerados, pelas elites e pelo Estado, como “corpos problemáticos”, “fora de lugar”, perspectiva que mobilizava noções de imoralidade e insalubridade. As políticas de segregação desses grupos envolveram tentativas de afastar os trabalhadores da cidade e a restrição das atividades de prostituição ao bairro do Bom Retiro, na busca de uma pretensa “limpeza social” do centro da cidade. Ao se fazer a contraposição das camadas dos cortiços, das casas de tolerância e dos territórios de prostituição feminina, é possível se perceber a presença desses sujeitos e suas práticas em espaços muitos próximos ou coincidentes, emprestando a eles algumas identidades comuns no contexto da cidade.

Fábricas
Fábricas em 1914 e Ferrovias IBGE. Mapa de 1924 ao fundo.

A urbanização de São Paulo está bastante relacionada com o seu processo de industrialização. A virada do século XIX para o XX é marcada pela expansão das indústrias da cidade. Elas se instalaram principalmente nos terrenos próximos às ferrovias, o que impulsionou o surgimento de bairros operários, como o Brás, a Mooca, o Belenzinho, a Barra Funda e a Lapa, habitados majoritariamente por  trabalhadores e trabalhadoras das fábricas e suas famílias. A escolha pelos terrenos próximos às ferrovias está relacionada à facilidade de escoamento da produção dessas indústrias e também às características dos terrenos de várzea, que eram planos e mais baratos.

A Planta Geral da Cidade de São Paulo de 1914 apresenta, entre diversas informações, a localização das fábricas na cidade e foi a base para a criação dessa camada, que traz a localização de um total de 264 fábricas.

Cinemas

“O cinema, no seu progresso, vae tomando conta de tudo”. É assim que a edição do jornal Gazeta de 8 de fevereiro de 1926, em um texto curto, destaca a chegada de uma nova sala. Naquele dia, o Cinema Olympia exibia “Confissão de uma rainha”. Do outro lado da rua, o Cinema Avenida apresentava “Nas malhas do serviço secreto”. Subindo a rua Barão de Limeira, se descobria que o Royal Cinema anunciava “Poder feminino”. Nos espaços cada vez mais movimentados da cidade, circulavam títulos atrativos, polêmicas, sinopses e datas de projeções das salas de cinema.

Para a produção da camada “Salas de Cinema entre 1895 e 1931”, foi utilizado o livro Salas de Cinema e História Urbana de São Paulo (1895 – 1930). Nessa obra, José Inácio de Melo Souza, demonstra que, ao crescimento de São Paulo a partir de seu famoso triângulo histórico, correspondeu o espraiamento das salas de cinema pelo território da cidade. O mapa apresenta, ao menos em parte, esse crescimento do espaço do cinema na Pauliceia e nos convida a refletir sobre as conexões entre as imagens em movimento, a urbanização acelerada e a afirmação da modernidade em São Paulo.

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