Artista mineira radicada no Rio, que transforma seu ateliê em laboratório, criando novas técnicas e processos, inaugura exposição. Texto: Divulgação | Fotos: Vicente de Mello

Simone Cadinelli Arte Contemporânea abre para o público no próximo dia 8 de março de 2021 a exposição “Escombros, peles, resíduos”, com trabalhos inéditos da artista Jeane Terra, criados a partir de várias técnicas e processos singulares que ela vem desenvolvendo nos últimos anos – incluindo os meses do isolamento social – tendo como ponto de partida os escombros das casas do Pontal de Atafona, praia no norte fluminense que está sendo tragada pelo mar. A exposição ocupará toda a galeria, onde além das pinturas secas – ou “pele de tinta”, processo que criou e que agora está patenteado – e as “monotipiassecas”, estarão reunidas esculturas, fotografias, um bordado e duas instalações: uma escavação na parede e uma ocupação da vitrine, que dá para a Rua Aníbal de Mendonça, em Ipanema. 

Máscara Gold por Jeane Terra, 2020: Reprodução de escombro em concreto folheado a ouro, 50 x 27 x 3 cm.

O público poderá ver, reunidos, os trabalhos poéticos desta artista singular, que discute a memória habitada em destroços de casas, e agora, de maneira mais ambiciosa, de quarteirões inteiros. Os trabalhos expostos são resultantes da imersão que a artista fez em janeiro de 2020 em Atafona.

Miragem Tecida por Jeane Terra, 2020, bordado em ponto cruz sobre entretela, 57 x 87 cm.

Agnaldo Farias, curador da exposição e autor do texto crítico, destacou, em um bate-papo virtual com a artista em dezembro, que acompanha o trabalho de Jeane Terra “desde quando ela era ainda apenas uma promessa”. “O trabalho dela tem muita força, e é um privilégio fazer esta viagem por ele”, diz. Ele acha “impressionante o fato de ela se chamar Jeane Terra, e ter esta pesquisa muito particular”. “Não acredito em coincidências”, diz ele. “Esta ideia de resíduos, peles, escombros tem a ver com construções e com uma arquitetura que é reivindicada pela própria terra para a condição de ruína, para que esta construção volte à própria terra”, observa. 

Ruína do Pontal por Jeane Terra.

Agnaldo afirma que “este é um momento lindo, em que não apenas a artista pode ver reunidos seus trabalhos, que ficavam espalhados no ateliê, como o público poderá tomar contato com toda a riqueza, a fertilidade e a amplitude de sua pesquisa, e isso é um privilégio muito grande”.

Panorâmica da exposição

Para Jeane Terra “tudo é experimental. Sempre estou buscando algo novo. Gosto da dificuldade, de trabalhar o erro e o acerto, da surpresa que me aguarda diariamente no ateliê. São muitas frustrações, e a busca até descobrir o caminho certo é o que me faz me sentir viva como artista. O ateliê é um laboratório. Me sinto uma artista alquimista”. 

Ver reunido este conjunto de obras será uma excelente oportunidade de percorrer o universo desta artista inventiva, que se por um lado tem na memória – a sua, familiar, a de casas específicas, e agora bairros inteiros –, um agente propulsor, por outro é movida pela inquietação diária em estar sempre procurando processos, técnicas, materiais não existentes até então. 

Serviço

  • Exposição: Jeane Terra – Escombros, peles, resíduos;
  • Curadoria: Agnaldo Farias;
  • Patrocínio: Grupo Petra Gold;
  • Local: Galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea, localizada na Rua Aníbal de Mendonça, 171, Ipanema, Rio de Janeiro;
  • Prévia para convidados: 3 a 5 de março de 2021;
  • Visitação pública: 8 de março a 29 de maio de 2021 (segunda a sexta-feira, das 13h às 18h. Aos sábados, sob agendamento);
  • Agendamento: +55 21 3496-6821 | +55 21 99842-1323 (WhatsApp);
  • Entrada gratuita.

Durante a exposição, todo o protocolo contra a covid-19 será cumprido.

Para mais informações sobre o evento ou sobre a galeria, acesse www.simonecadinelli.com.

 

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