Catê Poli e João Jadão criam espaço de pausa e contemplação entre prédios históricos no Parque da Água Branca, na CASACOR São Paulo 2025. Texto: Bruno Henrique Silva | Fotos: Renato Navarro.
Entre dois edifícios tombados do Museu Geológico, no Parque da Água Branca, surge um convite à desaceleração: o Jardim da Alameda, projeto de paisagismo assinado por Catê Poli e João Jadão para a CASACOR São Paulo 2025. Em meio a uma paisagem marcada pelo tempo, o espaço propõe um respiro silencioso, onde a natureza se integra ao patrimônio histórico sem a necessidade de intervenções estruturais.

Com uma proposta leve, desmontável e 100% reaproveitável, o jardim transforma uma travessia em permanência. A vegetação tropical de grande porte do parque se funde às espécies selecionadas pelos paisagistas, como cambucás, jabuticabas Sabará e folhagens exuberantes que variam em textura, altura e tom. São cerca de 30 vasos cerâmicos (Organne) e 30 floreiras metálicas (Firgal), organizadas de forma intuitiva para compor um cenário de tons de verde, sem flores ou excessos — apenas o essencial.

Para permitir o descanso, poltronas e chaises (Hio Decor) feitas em espuma maciça e tecidos outdoor se moldam ao corpo e reforçam a ideia de um lugar onde o tempo corre em outro ritmo. À noite, o projeto luminotécnico de Carlos Fortes transforma o jardim com luzes indiretas e estratégicas, que destacam texturas e criam um ambiente de recolhimento. O conjunto respeita o espaço tombado e se insere com suavidade no cotidiano do parque, próximo a um café e um restaurante.

Inspirados pelo tema Semear Sonhos, Catê e João criaram um jardim com caráter de praça, que valoriza o simples e o essencial. “Pode existir beleza na simplicidade e no respeito ao patrimônio histórico”, afirmam. Ao pensar no agora, os profissionais plantam também um desejo de futuro: mais espaços públicos verdes, acessíveis e bem cuidados para todos.


