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Gerenciamento: a chave para o sucesso da obra

Fundador da Gerpla, o engenheiro mackenzista José Simão Neto é o responsável pela condução de importantes obras no país. Com foco na produção privada, a empresa acumula décadas de expertise e inovação no setor. Fotos: Pedro Zuccolotto

Em meados da década de 1980, José Simão Neto percebeu que poucas pessoas faziam o trabalho de gerenciamento de obra no país. Decidido a investir na área, fundou a Gerpla — José Simão Neto Gerenciamento e Planejamento em 1983. Formado há 43 anos pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o engenheiro conversou com a Téchne sobre o papel do gerenciamento e a importância de um planejamento de obra em uma construção, seja de pequeno, médio ou grande porte.

O que é gerenciamento de obra e por que ele é necessário?

José Simão: Em uma obra pequena as coisas acontecem normalmente. Por exemplo, para fazer uma casa, é necessário fazer a fundação, pilares, alvenaria, etc. No caso de uma construção grande, se não for bem planejada, é um problema porque existem muitos imprevistos. Em prédios de apartamentos já é mais comum por serem feitos bastante. Mas se você vai fazer um empreendimento diferente e não tiver um gerenciamento e planejamento você está perdido, como é o caso de um supermercado, shopping center ou hospital. Planejamento nada mais é do que programar uma obra e as atividades que vão ser feitas para você não ter surpresas.

Quando surgiu a Gerpla?

JS: Eu havia perdido meu emprego nos anos 1980 e já tinha trabalhado em gerenciamento. Apenas a empresa que passei trabalhava com isso no mercado. O gerenciamento, naquela época, não tinha fiscalização, era só a parte de controle. Um dia eu fui numa grande construtora de São Paulo, apresentei uma proposta, a pessoa gostou da minha ideia sobre a importância de se ter esse tipo de trabalho e me contratou. De um dia para outro começaram a aparecer outras obras. Depois começamos a fazer hospital, shopping, indústria…

O trabalho no começo era boca a boca.

JS: Sim. Depois começamos a fazer banco, fizemos cerca de 800, prédios foram mais ou menos 400 e 13 shoppings. Como gerenciamento é algo que me envolvo diretamente com a obra, eu viro o departamento de engenharia do cliente. Não posso ter 10 clientes ao mesmo tempo, por exemplo. Hoje, fazemos cerca de 12 lojas Riachuelo por ano (chegamos a fazer 20 até). Estamos trabalhando também na reforma do shopping Eldorado, além de outros clientes.

Você já trabalhou com obra pública?

JS: Para trabalhar com obra pública você tem que agradar alguém. Eu não participo de concorrência dirigida, coisa que ocorre. Há muito tempo fui convidado para fazer as obras do CDHU, na reunião foi feito um acordo entre as empresas participantes e eu não fechei o acordo.

Quais são as obras de grande porte que a Gerpla já fez?

JS: Já fizemos obra para Gerdau, diversos shoppings, o Manauara, em Manaus, foi o maior. Geralmente são obras de portes que têm de duas a três mil pessoas trabalhando. Também fizemos o gerenciamento da casa do atual governador de São Paulo João Doria.

De que forma sua empresa tem se atualizado diante do BIM?

JS: Fizemos uma obra para o shopping Eldorado toda feita em BIM e foi excelente. Antigamente, chegava um projeto e era necessário um profissional que enxergasse ele nas várias áreas nos mínimos detalhes. O BIM nos permite ver o tubo de água passando do ar-condicionado, por exemplo.

De que maneira o planejamento de obra interfere caso haja alguma alteração no projeto?

JS: O gerenciamento faz o orçamento e afere com as interferências internas. Se chove muito, se cai um barranco ou a energia acaba, a fiscalização embargou a obra, tudo isso muda o prazo de entrega dela. Pode acontecer também do cliente dizer que não gostou do lugar em que uma parede foi erguida, temos de refazer o projeto.

Como o senhor se envolve diretamente no gerenciamento e planejamento de um cliente?

JS: Procuro ir toda semana na obra. Eu tenho uma equipe alocada que são: um engenheiro sênior – pessoa de extrema confiança minha – e alguns juniors. Depende do tamanho da obra, se for muito grande, geralmente, vai mais gente. Além disso, temos também estagiários e arquitetos para acompanhar o projeto.

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