Na índia, nova biblioteca para clube de críquete ganha destaque por reimaginar esse tipo de espaço na era digital. Texto: Bruno Henrique Silva | Fotos: Suryan e Dang.
O studio HINGE, fundado pelo arquiteto Pravir Sethi em 2014, é uma empresa internacionalmente reconhecida por seus projetos de arquitetura, interiores e mobiliário. Sediado em Mumbai, onde o espaço é escasso, seus projetos incorporam uma abordagem contemporânea com forte atenção ao contexto histórico e social, o que resulta em soluções de design flexíveis. Por seu conhecimento do local, o estúdio recebeu o convite para conceber a nova biblioteca do Cricket Club of India. O projeto inicialmente concebido para um novo edifício teve que ser transferido para o quarto andar do prédio administrativo, o que não impossibilitou a manutenção de algumas estratégias.


O projeto da biblioteca, concebido durante o período de confinamento devido à Covid-19, baseia-se na investigação sobre o que pode ser uma biblioteca na era digital. A Índia viveu um dos mais duros e repentinos confinamentos devido à Covid-19 no mundo, com grande parte da população ansiando por encontros. Antes mesmo da pandemia, as bibliotecas já apresentavam menor número de leitores, o que está fortemente vinculado à leitura por meio de dispositivos eletrônicos. Além disso, as pessoas que visitavam as bibliotecas tinham como objetivo emprestar ou devolver livros e raramente utilizavam o próprio espaço para ler. A biblioteca foi aberta aos membros em janeiro de 2023 com a proposta de uma casa de conhecimento, onde as pessoas podem se reunir em um espaço acolhedor para interagir e trocar conhecimentos.


O projeto inspira-se na natureza, em particular na noção de estar sentado debaixo de uma árvore. O studio HINGE ampliou as janelas viradas para leste e norte de forma a possibilitar a entrada de luz natural e ventilação. Em paralelo, explorou amplamente o uso de madeira, em especial no mobiliário. Devido a dificuldade de encontrar espécies nativas exploradas de forma sustentável, foi utilizada uma espécie de madeira canadense de fontes FSC. O pavimento também foi coberto por azulejos personalizados com lascas de mármore e vidro verde, o que cria padrões abstratos de folhas dispersas.

O layout e seu mobiliário de madeira se organiza como um jardim. As colunas de concreto existentes foram reimaginadas como árvores com estantes circulares. Seus segmentos de madeira ligam o chão ao teto e seus ramos unem-se por cima, o que cria a sensação de caminhar por baixo das árvores. Todas as estantes entre as árvores têm menos de 1,2 m de altura, o que permite que os adultos tenham uma visão desobstruída quando estão de pé e um percepção lúdica para as crianças, com uma aparência quase labiríntica.


