Engenheiro responde: Sasquia Hizuru orienta sobre reforço estrutural

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Sasquia Hizuru Obata, professora dos cursos de Arquitetura e Engenharia da FAAP, explica sobre as alternativas mais viáveis para fechamento de estruturas com segurança

Seja com chapas de aço ou com fibra de carbono o reforço estrutural é de extrema importância.  Em série de perguntas, a profissional Sasquia Hizuru Obata orienta como a técnica funciona em uma construção civil.

1.     Há alternativas mais baratas à fibra de carbono no caso de necessidade de reforço estrutural?

Se se fixar somente o custo material entre reforço com fibra de carbono e os reforços mais tradicionais com barras de chapas de aço, os realizados com fibra de carbono ainda são de maior custo. Porém há considerações relativas como tempo de libração da obra como cura e nível de resistência adquirida se o reforço for utilizar concreto ou graute que será em torno de 14 a 21 dias e tempo de cura da cola epoxídica da fibra que é cerca de 7 dias.

A praticidade de colagem das fibras de carbono e leveza do material e fator densidade& resistência, ou seja, com baixo peso e alta resistência, quantidade e tempo de disponibilidade de mão de obra no local, formas de transporte e escoramentos, exigências de preparos de superfícies e desmontes distintos – como demanda de extensão e profundidade para ligação e ancoragem de barras de aço e reconcretagem que serão maiores do que para a fixação de fibras de carbono.

Há ainda a questão de durabilidade e suscetibilidade a corrosão que os aços comuns e não galvanizados podem corroer devido a condições ambientais de umidade, vapores e agressividade do meio, condições que as fibra de carbono aderida com epóxi é muito mais resistente. Portanto o custo torna algo relativo, excetuando obras ou face de recuperação que são suscetíveis a incêndio e temperaturas elevadas e  incidência solar, devido a radiação uv – situações que exigirão cobertura ou revestimento protetivo.

Portanto caso se realize um comparativo entre materiais é claro que os materiais básicos como o graute, aço e fôrmas serão de longe mais baratos que o rolo de fibra de carbono e a cola epoxídica isto por serem de uma nova geração tecnológica e cadeias produtivas distintas, mas no computo global os custos dos reforços com fibra de carbono serão menos onerosos, isto é claro e se tomando a devida atenção de estar diante de um projeto de especialista em recuperação estrutural.

2.     É possível abrir uma porta ou janela em um edifício de alvenaria estrutural com blocos de concreto? Como deve ser feito o arranjo estrutural para não afetar o prédio como um todo?

Primeiro passo e essencial é contar com um projetista estrutural com experiência com alvenaria estrutural e obter aprovações junto ao projetista responsável pela obra, dadas as considerações realizadas. Algumas técnicas de projeto estrutural a apesar de simples exigem o devido dimensionamento e detalhamento como realizar a abertura contando com vergas e contravergas que permitem a abertura mas sobrecarregam as paredes laterais que devem ter a resistência e deformações verificadas.

Outra técnica é a consideração do efeito arco na distribuição dos esforços, recurso este muito utilizado inclusive para as obras em alvenarias estruturais contemporâneas que combinam pavimentos em alvenaria portante e térreo ou sobressolos em estrutura reticulada (pilar+ viga) em concreto armado, como uma transição da distribuição contínua da parede para uma viga sobre pilares, este efeito pode ser exemplificado pelas estruturas antigas em pontes com arcos.

Contemporaneamente contamos com softwares que auxiliam a consideração de paredes através de elementos finitos e que permitem analisar com maior precisão e olhar “cirúrgico”  sobre a intervenção de aberturas em paredes portantes e as condições de redistribuição das tensões antes e com as aberturas desejadas. Portanto não se trata de se realizar uma abertura e outra como uma técnica simples e sim há que se considerar um projeto de análise estrutural e de estabilidade global que possui diretrizes projetuais.

3. Como impermeabilizar chapas de OSB ou similares para uso em fechamento de estruturas de steel light frame?   

Os fechamentos com OSB começam a configurar um novo cenário com foco nas construções verdes considerando que se trata de material com base mas fibras de madeira, que possui maior leveza e praticidade, porém é suscetível a umidade tanto direta, por capilaridade e como devido a efeitos de condensação entre diferenciais térmicos entre ambientes (como o exemplo de um vidro no tempo frio e o calor do interior em um veículo – as gotículas são devido a condensação).

Portanto a placa de OSB é um material hidroativo – troca de umidade entre massa e ambiente mas dependendo da umidade e não evaporação e secagem há a desconstituição do material, se descola e se desfaz e até apodrece, portanto para se garantir o bom desempenho há que se impermeabilizar ou mesmo somente revestir com placas de pvc, portanto depende do estudo dos meios e condições de umidade e riscos de penetração de água e de vazamentos.

Existem várias formas de impermeabilização como resinas e vernizes para madeiras, ceras naturais e com base poliméricas, imprimações asfálticas, mantas poliméricas diversas líquidas e de fixação, membranas líquidas e de fixação, mantas plásticas aluminizadas, etc. Para cada tipo de material de impermeabilização há uma definição de condições de desempenho e da durabilidade requerida. Convencionalmente utilizam mantas de impermeabilização como uma prática corrente e que fornece uma cobertura mais generalizada e uma uniformidade e produtividade, ou seja, se racionalizar a construção. 

Veja também a entrevista com Rafael Castelo.

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