A proposta do já consagrado escritório gaúcho deu à cidade um modelo nada ortodoxo de torre residencial. Confira os detalhes do projeto a seguir.

Foto: Rodolpho Reis

O projeto foi desenvolvido a partir das limitações de testada do terreno, de apenas 13,5 metros. Dimensão considerada reduzida tendo em vista que se desejava uma edificação com recuos laterais que permitissem aberturas por toda sua fachada lateral, impactando consideravelmente nos ganhos de luz e ventilação cruzada das unidades. Esses recuos, portanto, permitiram que fosse explorado o lado com maior dimensão do lote, o seu comprimento, com 47 metros de profundidade, além de garantir também um corpo de prédio com 7 metros de largura, mantendo uma boa proporcionalidade estética quando comparado a sua altura.

A partir dessa configuração volumétrica, optou-se por duas unidades por andar no pavimento tipo, com o volume de circulação centralizado, além de duas coberturas duplex nos últimos pavimentos, totalizando dez unidades. Além destes pavimentos com as unidades habitacionais, que variam de 94 a 154 metros quadrados privativos, o edifício possui um subsolo, totalmente destinado a vagas de garagem, e um andar térreo onde se localiza a entrada principal e, ao fundo, mais vagas de garagem, garantindo um maior conforto não só na quantidade mas também nas dimensões destas vagas.

O projeto buscou respeitar a importância das áreas condominiais na nossa rotina diária, que compreendem uma importante zona de transição entre o caos urbano e o conforto do nosso lar. Para isso, idealizou-se a criação de uma mesma identidade sensorial desde a fachada passando por todas as áreas condominiais, desde a garagem até a circulação de acesso aos apartamentos, utilizando-se da materialidade orgânica, de cores quentes e de intervenções artísticas para criar uma energia intimista e de aconchego. Esta energia criada tem por objetivo fazer com que o morador não se sinta em casa apenas da porta do seu apartamento para dentro, mas sim a partir do momento em que entra pela garagem do seu prédio.

Em relação à configuração interna das unidades, o projeto permitiu que o número de dormitórios, assim como o seu tamanho, fosse flexível, permitindo ao morador escolher desde um até três dormitórios. Junto à fachada dos fundos, uma sacada se abre aos dormitórios para aumentar a incidência do sol leste. Já na fachada frontal, a mesma sacada faz a transição da sala de estar ao ambiente externo, e recebendo diretamente o sol da tarde, cuja incidência foi controlada a partir da utilização de brises deslizantes.

Foto: Rodolpho Reis

O sistema de brises utilizado é composto basicamente por três painéis móveis por andar, com 1 metro de largura cada, e ripas fixadas equidistantes e paralelas entre si, com espaçamento igual à sua menor dimensão. A estética desses painéis, por sua vez, buscou uma identificação com o Jerivá preservado no recuo de jardim do terreno e protagonista da estética, tendo a naturalidade como premissa na definição das cores dos seus elementos. Definiu-se, portanto, o alumínio com pintura eletrostática padrão amadeirada para o sistema, também em função da leveza e facilidade de manutenção futura, facilitando não só a vida dos moradores, mas também garantindo uma estética quase que eterna da fachada.

O projeto, aliás, teve a facilidade de manutenção como regra geral na definição dos materiais escolhidos tanto para as áreas condominiais (granito polido, porcelanato e mosaico de vidro) quanto para a fachada (chapa perfurada em aluzic, pastilhas cerâmicas e alumínio), buscando materiais com maior durabilidade, resistência a impactos e a intempéries. A chapa perfurada da fachada, por exemplo, tem comportamento superior em 50 vezes a materiais galvanizados, e é infinitas vezes superior a um sistema convencional de pintura, evitando desbotamentos, rachaduras, necessidade de vernizes e etc. Assim, permite-se que o novo vizinho da rua tenha daqui a várias décadas a mesma aparência de quando foi concebido, mantendo uma estética perene e aliviando custos futuros do condomínio.

FICHA TÉCNICA:

Arquitetos: Oficina Conceito Arquitetura
Localização: Porto Alegre- Rio Grande do Sul
Área terreno: 620 m2
Área construída: 1742 m2
Equipe: Massilon Kopper, Rafael Kopper, Anna Falkenberg Muller, Maurício Ambrosi Rissinger, Daniel Dagort Billig, Guilherme Nogueira e Tiago Scherer.
Construção: MKS EMPREENDIMENTOS
Interiores:Rafael Kopper
Ano do projeto: 2015
Ano conclusão: 2017
Fotografias: Rodolpho Reis
Fabricantes: Hunter Douglas Brasil, Atlas Schindler, alvenaria de vedação, Vidrotil, Ceusa, concreto armado, Sul Gesso, Esquadrias Vetrus, Talien, Casa Vidro, Engemix, Viapol, Suvinil
Instalações elétricas: T. Peres Instalações 

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