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Edifício em SC abre mão de muros em prol da qualidade urbana

Localizado na praia, projeto de Pablo Vailatti busca melhorar o espaço público por meio da influência da arquitetura brasileira moderna. Fotos: Alexandre Zelinski

Cidades litorâneas são, aos poucos, modernizadas com edifícios e casas luxuosas. No entanto, o Residencial H1, localizado em Balneário Piçarras, litoral norte de Santa Catarina, se destaca, dentre outras qualidades, por uma característica peculiar: ausência de muros. Isso dá um espaço à estreita calçada de 1,50 metros, oferendo assim um pequeno “respiro” para as pessoas que ali circulam. “Hoje cada vez mais precisamos pensar o edifício integrado ao urbanismo. Pode-se dizer que a não utilização de muro neste projeto tem a intenção de valorizar o espaço público, o espaço de todos. Esta pequena ‘gentileza urbana’ quando levada a todos os lotes da rua faz com que a qualidade deste lugar aumente significativamente.”, explica o arquiteto Pablo José Vailatti.

A disposição da planta explora as paisagens do lugar fazendo com que todos os apartamentos possuam bela vista da cidade e do mar. “Em cidades litorâneas, a vista é sempre um dos pontos principais do partido do projeto arquitetônico”, conta. O programa a ser resolvido, edifício habitacional multifamiliar em uma cidade turística e litorânea, partiu da análise das condicionantes do lugar, das possíveis vistas da paisagem, da área disponível para edificação, aliado ao programa solicitado (apartamentos de 2 dormitórios) e ao sistema construtivo proposto. Foram dispostos 2 apartamentos por pavimento, ambos com sacada social para a frente, permitindo melhor vista ao mar para todas as unidades. A suíte de cada unidade fica voltada para trás, também com agradável vista da cidade.

A estrutura independente do edifício consiste em pilares, vigas e lajes em concreto armado moldados in loco. A atemporalidade do concreto aparente é adotado como acabamento em diversas partes do edifício, inclusive nas lajes teto das sacadas. “O cuidado na execução das estruturas em concreto aparente é fundamental para que se atinja o cobrimento mínimo necessário das armaduras, evitado com que o efeito corrosivo da maresia oxide as ferragens da estrutura do edifício”, esclarece.

Os fechamentos internos são em alvenaria rebocada, e o volume da churrasqueira nas sacadas em tijolo aparente. “A ideia de utilizar os tijolos aparentes vem de encontro ao pensamento do escritório em utilizar sempre que possível o material em seu estado natural, evitando o uso de revestimentos que imitem uma aparência”, explica.

A forma da edificação é bastante simples, caracterizada por um volume cúbico sustentado pelos pilotis do pavimento térreo. Este pavimento utiliza a largura total do terreno, devido sua necessidade de conter 6 vagas de garagem, enquanto que o volume que contém os apartamentos, possui recuo de 1,50 metros nas suas laterais. A proposta formal é marcada pelas vigas horizontais que dividem os pavimentos e explicitam a própria estrutura da edificação. Em balanço, sobre o recuo frontal, ficam as sacadas dos apartamentos, as quais possuem fechamento de cobogó em concreto nas laterais, uma parede em concreto aparente que individualiza as duas sacadas por pavimento e também serve de suporte para a churrasqueira, tão característica na região, enquanto que para frente as sacadas possuem fechamento vazado em alumínio na cor preta. O alumínio na cor preta também é utilizado nas chaminés e em todas as esquadrias e portões do edifício.

Além do concreto aparente, explorado em diversas partes como acabamento, foram utilizados tijolos maciços, cobogós em concreto e alvenaria na cor branca e pequenas partes na cor chumbo escuro.

Contrastando com as linhas retas do corpo principal, a torre destinada a abrigar as caixas de água possui um desenho circular, construído a partir de vigas de concreto aparente e fechamento em tijolos maciços aparentes. “Os materiais utilizados buscam reafirmar a influência da arquitetura moderna brasileira brutalista neste projeto”, finaliza.

Ficha técnica

Nome do Projeto: Ed. Residencial H1
Escritório: PJV Arquitetura
Website: www.pjvarquitetura.com.br
E-mail: pablovailatti@gmail.com
Arquiteto responsável: Pablo José Vailatti
Localização: Balneário Piçarras, Santa Catarina
Ano de conclusão da obra: 2018
Área total construída: 685 m2
Fotógrafo: Alexandre Zelinski              
Website do fotógrafo: http://zelinski.com.br/

Outros participantes

Colaboradores: Ana Meirinho Neves I Vinícius Schewe
Projeto estrutural: Eng. Anamélia Adriano
Projeto elétrico: Eng. Luiz Negri
Projeto hidráulico: Eng. Anamélia Adriano
Execução da obra: Arq. Pablo J. Vailatti
Cliente: PJV Arquiteura
Construtora: Hirt Empreendimentos

Lista de fabricantes

Tijolo aparente: Olaria do pinho
Cobogós em concreto
: GMR Artefatos de cimento-Itajaí
Revestimentos de piso e parede: Cerâmicas Elizabeth
Concreto usinado: Max Mohr
Tijolos furados: Cerâmica Tupy Guarani, Tijucas-SC
Soleiras em ardósia: Arte Pedras- Penha-SC
Rufos em alumínio: Mario Calhas e Alumínios 

Categorias:Content, Projetos

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