Vencedor do concurso Lab-École, projeto do Pelletier de Fontenay em parceria com Leclerc Architects ressalta a fusão entre educação e natureza. Texto: Bruno Henrique Silva | Fotos: James Brittain.
Fundado em 2010, o Pelletier de Fontenay é um estúdio de arquitetura com sede em Montreal com experiência em diversas categorias de projetos arquitetônicos. Atualmente, tem desenvolvido uma série de projetos públicos rigorosos, mas sempre contextuais. Dentre estes projetos, o mais recente foi a École du Zénith, um projeto realizado em parceria com Leclerc Architects para o Centre de Service Scolaire Val-des-Cerfs. Fruto de um concurso lançado pela Lab-École em 2019, essa proposta marca um grande ponto de virada no programa educativo de Quebec para escolas primárias.


Situada numa paisagem vasta e aberta, a escola formula uma nova linha no horizonte a partir de seus volumes baixos e telhados inclinados, de forma a intensificar a comunicação entre o interno e o externo. A arquitetura traz formas que ecoam as casas e edifícios agrícolas próximos e acolhem os estudantes em um ambiente familiar. Os pavilhões se organizam em torno de um grande pátio com numerosas zonas plantadas, que combinam árvores maduras, arbustos e flores. Com diversas superfícies para acomodar toda a escola, esse ambiente permite que os estudantes se apropriem do espaço de forma lúdica antes de acessar os armários e salas de aula. Dessa forma, cada aluno pode identificar-se com seu próprio pavilhão e visualizar sua trajetória acadêmica.



De forma geral, os pavilhões são articulados por meio de grandes janelas, múltiplos pontos de entrada e telhados salientes. O pavilhão principal acomoda a recepção, a administração, os serviços de creche e as instalações comuns sob um generoso pé-direito duplo. De forma parecida, as salas de aula aproveitam a inclinação do telhado para obter ambientes mais amplos. O programa amplifica o uso de todos os lugares por meio da instalação de mobiliários fixos nos espaços de transição e na concepção de uma zona de colaboração, onde quatro turmas podem interagir. Uma escadaria entre o pátio e um mezanino, por exemplo, estabelece um ponto de encontro para os estudantes durante os momentos de lazer.


O projeto também trouxe preocupações de como garantir grandes aberturas sem prejudicar o conforto dos espaços. Nesse sentido, as saliências dos telhados ajudam a controlar a radiação do verão e a minimizar os ganhos solares. Em paralelo, grandes chaminés triangulares permitem a entrada generosa de luz natural, ao passo que funcionam como um dispositivo bioclimático para articular o ar quente antes de sua evacuação.
