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Design & Build: o conceito por trás da obra do terminal aéreo de Florianópolis

Novo terminal do Aeroporto Internacional de Florianópolis é entregue em prazo desafiador inédito no Brasil. A operação teve início apenas 15 meses após o início da obra. Por Gustavo Curcio Fotos Alex Brando Marques, Felipe Carneiro, Júlia Munhoz e Sérgio Sona

A Racional Engenharia, estabelecida no mercado privado há 48 anos, foi a empresa escolhida pela Floripa Airport, subsidiária do grupo Zurich Airport AG, para a execução do novo terminal de passageiros do Aeroporto Internacional de Florianópolis – Hercílio Luz, em Santa Catarina. Com 49 mil metros quadrados, 4 vezes maior que o anterior e capacidade para 8 milhões de passageiros por ano, o terminal iniciou sua operação hoje em 1º de outubro.

Para o empreendimento, a Racional desempenhou o papel de design-builder, sendo responsável pelo desenvolvimento dos projetos executivos (pré-construção) e construção do aeroporto. “Iniciamos a parceria com a Zurich ainda na fase de concepção do aeroporto, para viabilizar o negócio de concessão. Como consequência dos estudos iniciais realizados pela nossa equipe, a Zurich lançou um pacote de viabilidade de propostas para que pudesse participar deste leilão. Foram geradas premissas básicas para o desenvolvimento de um produto que pudesse viabilizar os negócios. Feito o leilão e tendo a Zurich como vencedora desta concessão, a Racional entrou como parceira no contrato de Design & Build”, conta Cassiano Gracio, coordenador de Projetos de Engenharia da empresa.

Esse modelo de contratação trouxe contribuições significativas para o empreendimento, segundo profissionais da empresa, dando mais velocidade às obras. e também garantiu o cumprimento do orçamento do projeto e do prazo estabelecido, com maior eficiência em termos de custo, além de trazer um nível maior de governança e transparência. “A Racional se colocou desde o início como braço de engenharia e construção da Floripa Airport, aportando inteligência de engenharia desde a fase de projetos até a entrega do Aeroporto em operação. Trabalhamos na pré-construção antes mesmo do leilão, apoiando o cliente na viabilização do seu negócio, com o objetivo de atingir o seu orçamento, nos confirmando automaticamente como a empresa que daria sequência à fase de construção”, comenta Erika Matsumoto, Vice-Presidente de Desenvolvimento de Negócios. “Fomos os primeiros entre os aeroportos concedidos no leilão em março de 2017 a dar início às obras. Não teríamos conseguido essa ‘antecipação’ se não fosse o modelo de contrato Design & Build”, ressalta Erika.

A Racional atua como design-builder há mais de 20 anos. Entre os projetos de destaque executados nesta modalidade está a fábrica da Jaguar Land Rover, em Itatiaia (RJ), inaugurada em junho de 2016. Nesse caso, o desenvolvimento dos projetos aconteceu concomitantemente com a construção da obra, o que possibilitou entregar a fábrica em operação em apenas catorze meses. Outro exemplo é a Arena MRV, nova casa do Atlético-MG, que será executada pela Racional. Com o Aeroporto de Florianópolis, essa prática foi inaugurada também no mercado de infraestrutura.
Entre as fases do projeto estão: readequação da via de acesso, finalização do pátio de aeronaves, estacionamento térreo descoberto para 2.530 vagas, novo Terminal de Passageiros com 10 pontes de embarque, e o aumento de acostamento em pista de pouso.

A empresa foi responsável pelos projetos básicos e executivos do empreendimento, assim como de todas as disciplinas e fornecimentos, como arquitetura, fundações, estrutura, MEP, infraestrutura, paisagismo, mobiliário operacional, iluminação, Wayfinding, BMS (Building Management System) e sistemas eletrônicos aeroportuários, BHS (Baggage Handling System) apoio de engenharia na aquisição de equipamentos especiais, além de memoriais e anteprojeto para o PGI (Plano de Gestão da Infraestrutura) e construção.

No empreendimento foram aplicados os conceitos do VDC (Virtual Design and Construction) a partir do modelo BIM (Building Information Modeling) desenvolvido para o projeto. Na fase de planejamento foram aplicados conceitos de Lean Construction, design for flow e modularidade de materiais e processos executivos.

O sistema Fast Tracking

“Iniciamos a parceira com a Zurich na concepção do aeroporto para viabilizar o negócio da concessão”, explica Cassiano. “Na fase pré BID, como um braço de engenharia, nós fizemos quatro estudos para aeroportos, desde o levantamento de fornecedores e subsídio de materiais, ajudando a montar um negócio customizado para cada aeroporto”, explica Marcelo Jordão, coordenador de Projetos de Engenharia da Racional. Como consequência desses estudos, a Zurich lançou um pacote de viabilidade de propostas para que pudesse participar do leilão. Foram geradas premissas básicas que pudessem criar um produto viável. Feito o leilão e tendo a Zurich como vencedora da concessão, a Racional entrou como parceira no contrato de Design & Build. Desenvolveu-se um programa arquitetônico mínimo para que o aeroporto pudessem ter um projeto conceitual. Em seguida, gerou-se uma pré-construção. Os projetos executivo foram desenvolvidos no sistema fast tracking. “Na prática, em vez de se iniciar uma tarefa após a finalização de outra, pode-se optar pelo Fast Tracking e realizar essas tarefas simultaneamente”, explica Marcelo.

Experiência anterior: Aeroporto Internacional de BH

Não é a primeira vez que o time de profissionais encarregado pelo projeto de Florianópolis é responsável pelas obras de um aeroporto. Em 2017, a empresa entregou o novo terminal de passageiros, noticiado pela Téchne, e o viaduto de embarque/desembarque de passageiros do Aeroporto Internacional de BH. Também fez a reforma do Terminal 1, em operação. Com a obra, a capacidade do aeroporto mineiro foi ampliada para 22 milhões de passageiros por ano.

“Conseguimos replicar para o setor de concessões a lógica de performance empresarial, com estrutura ágil de gestão, metas bem definidas e custos competitivos”, afirma Erika, ao explicar os fatores que levaram as obras a garantir ao cliente a previsibilidade de custos e tempo de execução de apenas 12 meses.

O empreendimento marcou a estreia da empresa no mercado de infraestrutura. “A Zurich Airport AG era sócia-investidora no Aeroporto Internacional de BH, quando estabelecemos uma relação de confiança que, agora, com o Aeroporto de Florianópolis, evolui para um modelo de contratação mais completo e consistente”, completa Erika.

O conceito de Design & build

“Imagine que você quer iniciar um processo, uma construção, tem ideia do produto mas não tem o programa detalhado. Tem ideia do volume de investimento, mas não tem o programa definido. O método de Design & Building permite que sejam criadas premissas, ou um programa mínimo para que você gere elementos para uma composição de custos”, explica Cassiano. Em seguida, firma-se um contrato com essas premissas pré-consolidadas, para que sobre elas e por meio de um pacote de gestão e de controle do escopo, o produto esperado pelo cliente seja apresentado com custo de realização garantido.

Segundo Cassiano, seguindo este modelo de trabalho, toda a responsabilidade do projeto, desde a contratação, a escolha dos projetistas, as propostas, o cronograma de desenvolvimento de projeto e a gestão, foi feito pela Racional. “Tudo o que estiver envolvido no projeto de construção, legalização, busca de cadeia produtiva local, projetistas e gestão foi e responsabilidade da nossa equipe. Podemos fazer uma analogia com a compra de um automóvel. Ao comprando uma Ferrari, toda a responsabilidade é da montadora. Assim acontece com a obra civil, neste caso, de infraestrutura”, aponta Cassiano.

Estratégia BIM

O empreendimento utiliza os conceitos do VDC (Virtual Design and Construction) a partir do modelo BIM (Building Information Modeling) desenvolvido para o projeto, modelo energético para garantir eficiência dos sistemas de climatização e iluminação, sistema para reutilização de água. Na fase de planejamento foram aplicados conceitos de Lean Construction, design for flow e modularidade de materiais e processos executivos. “Hoje, em 100% das obras utilizamos o recurso de virtual designing construction, o processo. O BIM é a base de dados, e nós temos os processo de gestão, qualidade e atendimento”, explica Cassiano.

Para o aeroporto catarinense, quando a equipe ainda estava na fase de pré-desenvolvimento de produto — atuando em 4 aeroportos simultaneamente —, o uso do BIM foi fundamental. O sistema oferece uma quantidade grande de informações em pouco tempo. “Desenvolvemos os modelos e extraímos as quantidades de cada orçamento, subsídio fundamental para o BID (Bidding Process). A Racional tem um caderno BIM que define a maneira como os projetistas têm de modelar. Seguindo esta cartilha, foram gerados 21 modelos BIM para os 4 aeroportos, para várias disciplinas, estruturas, arquitetura, alvenaria, com os blocos verga e complementos modelados. Tendo tudo isso modelado, construímos as bases para os projeto de coordenação, construtibilidade, interferências, recursos que o modelo proporciona”, conta Cassiano. Para fase de obra, foram escolhidos fornecedores que também trabalhassem com a modelagem. O modelo BIM permitiu que fossem incorporadas ao processo de fabricação e desenvolvimento referências para o modelo preciso de execução. 

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