Ex-prototipista da Mercedes-Benz, com passagem relevante pela indústria de revestimentos cerâmicos, Maurício D’Avila fala sobre seu processo criativo, integração entre natureza e design, e a matéria-prima de seus objetos — a cerâmica. Por Pedro Zuccolotto

Maurício D’Avila e a luminária pendente Gaya. A peça pode ser usada de forma individual ou em conjunto, em posições definidas de acordo com o projeto de arquitetura e a demanda do espaço.

A trajetória profissional do designer Maurício D’Avila, ceramista com foco em luminotécnica, justifica sua especialidade. A formação em mecânica, a experiência em prototipagem automobilística e a vivência na indústria europeia de revestimentos cerâmicos, combinaram-se como num processo de alquimia. Seus produtos são lançados pela Geo Luz&Cerâmica, empresa do ramo de iluminação que teve destaque durante a  High Design Home & Office Expo, realizada em agosto deste ano em São Paulo. “Mesclar a natureza aos espaços físicos onde moramos ou trabalhamos é uma maneira de promover vínculos emocionais capazes de motivar o bem-estar”, explica. Design biofílico é o conceito empregado no abajur da linha Garden, ponto alto do estande da marca no evento.

Como é o processo criativo para suas luminárias? De onde vem a sua inspiração para o desenho das peças?

A natureza é minha grande inspiração de vida, mas cada coleção tem uma inspiração específica. Costumo fazer desenhos, guardá-los e depois resgato os croquis quando vou lançar uma coleção. Muitas vezes não há uma ideia pré–concebida e simplesmente começo a esculpir uma peça sem um “desenho prévio” ou forma pré-definida. A ideia vai surgindo enquanto estou interagindo com o material.

Quais são suas referências?

Oscar Niemeyer, Pininfarina e Philippe Starck. Philippe Starck é um designer completo que trabalha com os mais variados tipos de produtos. Gosto de seu desenho e de sua personalidade.

As luminárias Garden mesclam o design moderno com a natureza. Como foi o processo de criação desses produtos?

O abajur Garden une luz à natureza de forma única e criativa. A luminária cumpre a função de iluminar e, ao mesmo tempo, abrigar um criativo minijardim. A peça vem ao encontro do design biofílico, com o objetivo de criar espaços onde possamos viver e trabalhar em contato com o verde — já que passamos 90% de nossa vida em ambientes internos —, melhorando o bem-estar físico e mental. O design biofílico foi a corrente utilizada para a concepção dessa linha de produtos. É tendência na arquitetura a busca por criações que façam as pessoas mais satisfeitas, saudáveis e motivadas. Mesclar a natureza aos espaços físicos onde moramos ou trabalhamos é uma maneira de promover vínculos emocionais capazes de motivar o bem-estar e melhorar o desempenho e a produtividade, reduzindo a incidência de doenças relacionadas ao estresse. Está comprovado que a natureza tem uma influência positiva sobre a saúde e a sensação de felicidade das pessoas. Porém, como nem sempre dá para reformar e mudar toda a arquitetura de um edifício ou uma residência, para alcançar esse objetivo de conforto, pensar em peças que aliam beleza à natureza é um ótimo caminho.

Você usa principalmente a cerâmica nos seus produtos. Quais as vantagens e desvantagens de se usar esse material?

A cerâmica é um material nobre e que encanta principalmente pela versatilidade e possiblidade de criação que proporciona. Ao mesmo tempo, é um material desafiador e temperamental, principalmente porque tenho de me adaptar a ela para ter o resultado que busco. Por mais simples que pareça, é necessária muita experiência adquirida ao longo do tempo para conhecê-la e empregá-la. Um dos materiais mais antigos do mundo e também mais resistentes, a cerâmica possibilita criar diversas cores, texturas e formas.  É natural e orgânica, e é muito interessante pensar que une os 4 elementos naturais: água, terra, fogo e ar.

Foto: Pedro Zuccolotto

Você não é designer de formação. Conte sua trajetória profissional até chegar ao ponto atual de sua carreira.

Eu me tornei designer sem perceber. Minha primeira formação foi mecânica, e eu desenhava peças para Mercedes-Benz, criando protótipos à mão. Posteriormente, passei para a indústria de pisos e revestimentos e tive a oportunidade de mergulhar no universo da cerâmica desenvolvendo design e tecnologias novas para esse mercado na Espanha e na Itália. Quando estudei design de interiores, meu interesse foi despertado pelo universo da iluminação. Aliei algo que sempre me encantou, a luz, com minha área de maior expertise e a cerâmica. Foi então que passei a criar luminárias exclusivas para arquitetos e decoradores. Eu me apaixonei pelo mundo da iluminação e pelas possibilidades de aliar beleza a efeitos de luz únicos, para criar produtos com identidade e que emocionem.

Fale um pouco sobre o estande da Geo Cerâmica na High Design.

Concebemos o estande da High Design para expor as minhas criações pensando em proporcionar ao visitante uma experiência interativa, pela qual fosse possível ver as diferentes utilizações da cerâmica aliadas à luz e materiais inusitados. Queríamos que os visitantes caminhassem pelo estande como se estivessem numa galeria de arte, pois, de certa forma, faço arte. Levamos uma diversidade de produtos, e foi muito interessante perceber como as pessoas se emocionavam ao ver e entrar em contato com os objetos. O Garden foi um de nossos lançamentos de muito sucesso. As pessoas formaram filas para fotografar em frente ao conjunto de Pendentes Gaya.

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