Projeto de renovação da sede do escritório TozziniFreire Advogados assinado pela Perkins & Will traz particularidades no tratamento da laje exposta com recursos diversos para otimização termo-acústica. Por Allaf Barros

Cada tipo de forro oferece diferentes propriedades em termos de desempenho acústico. Para áreas de maior geração de barulho ou ruídos, são indica- dos os de maior absorção, como os do tipo sonex. Esses modelos são constituídos de espuma porosa e garantem um ótimo desempenho de absorção, diminuindo a re- verberação, além de abrir um leque de possibilidades de design. Há no mercado diversos formatos e cores do mesmo produto. Há também os forros minerais, que oferecem acabamento satisfatório para ambientes fechados. São indicados para espaços corporativos de uso comum, cada vez mais disseminados entre as empresas, com a eliminação das chamadas baias de trabalho. À parte as questões estéticas, o design desses dispositivos tem facilitado cada vez mais o acesso às infraestruturas do entreforro, como tubulações de ar-condicionado, luminotécnica ou demais dutos de alimentação. Os forros metálicos geralmente são usados para áreas que não re- querem um tratamento acústico tão preciso. “Os critérios principais para a escolha do tipo de tratamento do teto são estética, acústica e iluminação. Os forros compõem os ambientes e podem promover diferentes proporções, efeitos e sensações. Pés-direitos mais altos dão a sensação de mais amplitude, por exemplo. Forros desenhados em diferentes alturas e formatos passam a impressão de movimento”, explica a arquiteta Paula Caçador do escritório Perkins and Will, em São Paulo.

FORRO MINERAL

O sistema de forro mineral utilizado (foto à direita) é modular e fornecido pela Armstrong. Composto por placas de 625 x 1250 mm ou 625 x 625 mm, tem apoio em um sistema de suspensão formado por: perfis principais (1), perfis secundários (2) , cantoneiras (3) e tirantes (4). A integridade de todo o sistema de forro depende dos tirantes, geralmente arames, utilizados para apoiar os perfis T principais do sistema de suspensão. As seções dos perfis T principais estão montadas e conectadas pelos perfis T secundários. As extremidades dos perfis principais e dos perfis secundários são apoiadas na cantoneira, que se estende ao redor do perímetro do espaço e é fixada à parede.

LAJE EXPOSTA

No projeto de renovação da sede do escritório TozziniFreire Advogados, na Vila Mariana, em São Paulo, predomina o conceito de laje exposta, dando maior amplitude para as áreas de trabalho e modernizando o espaço com a exposição das infraestruturas. No entanto, em lugares de maior concentração de pessoas, como no lounge e áreas colaborativas, foi colocado o forro tipo baffle, que tem um efeito interessante, garante a acústica e ainda permite a visualização da laje. “Utilizamos também o forro mineral nas salas de reunião, o que deu proporção”, explica. Além do forro, interferem na combinação acústica o piso, as paredes, móveis e objetos. Quanto mais superfícies houver, mais as ondas sonoras se amenizam, perdem a intensidade e são absorvidas pelos materiais, como o carpete utilizado no piso e nos tecidos de cadeiras e mobiliários decorativos.

DIVISÓRIAS

As paredes foram construídas de drywall com enchimento de lã de rocha, que são indicadas para o conforto acústico, além se serem septadas até a laje, garantindo a performance acústica da parede.

LUMINOTÉCNICA

Luminárias são intercaladas entre os módulos do forro. A instalação vertical das estruturas permite acesso para manutenção da fiação.

Segundo Paula, atualmente há tecnologia de iluminação compatível com todos os tipos de forro, incluindo os retroiluminados. “A especificação das luminárias deve respeitar o desenho e formato do módulo para formar uma composição harmônica”, diz. Nos estudos e simulações dos efeitos acústicos feitos pelo escritório são levados em consideração o som direto, a reverberação, a absorção e a transmissão do som. “A partir daí, escolhemos a especificação com as propriedades que atenuam cada um dos efeitos do som.” De acordo com arquiteta, as luminárias foram fixadas em perfilados de alumínio. A retirada do forro deu mais amplitude nas áreas de trabalho e, junto com os outros materiais aplicados, como carpete e paredes de drywall, as ondas sonoras não reverberam tanto e o ambiente fica agradável. “Essa era uma preocupação do cliente desde o início, que o ambiente ficasse mais barulhento. Mas após a ocupação, constatou-se que ficou mais silencioso”, diz.

FICHA TÉCNICA

LOCAL: Vila Mariana, São Paulo – SP
ÁREA TOTAL: 7.500 metros quadrados
CONCLUSÃO: 2019

ARQUITETURA: Perkins & Will
ENGENHARIA: Lock Engenharia
EQUIPE DE PROJETO: Fernando Vidal, Paula Caçador, Lyara Maurutto, Clariane Nogueira, Alice Uemoto, Rodrigo Gianoni, César Tadao, Ana Thereza Sacchi, Deborah Sayão e Letícia Piza.

FORNECEDORES

MOBILIÁRIO: Fway e Mackey
DIVISÓRIAS: Stay Corp
CARPETE: First Floor

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