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Construtora gaúcha desenvolve metodologia única de implementação de BIM

Implementação de ferramenta na RottaEly, player gaúcho marcado pela inovação, deverá ocorrer integralmente até 2022. Conheça a estratégia ambiciosa em detalhes.

O home Gallery, empreendimento da RottaEly na capital gaúcha, teve captação realizada por meio da platarforma de crowdfunding imobiliário Urbe.me. A plataforma, primeira a ser registrada na CVM para a realização deste tipo de projeto, permite ao investidor entrar na fase mais lucrativa do mercado imobiliário com montantes a partir de R$ 1.000 e resultados acima de carteiras comuns de investimento.

Nascida em meados dos anos 1990, a RottaEly surgiu como uma pequena empresa de prestação de serviços de engenharia sob o comando de Ricardo Ely. O engenheiro assumiu em 2000 a incumbência de construir o novo campus da Escola Superior de Propaganda e Marketing, ESPM, na capital gaúcha. Três anos depois, os filhos Pedro e Tiago, o primeiro engenheiro, o segundo administrador, ingressaram para o time da RottaEly. A partir de então, com empreendimentos inicialmente na Serra Gaúcha e posteriormente de forma mais expressiva na capital do estado, tornou-se notável ao criar o conceito de flagship de vendas, um estande rotativo com unidades decoradas localizado não na gleba de cada construção, mas num mesmo ponto no centro da cidade. “Usamos o conceito de marketplace. Nós temos um espaço de mil metros quadrados no bairro Menino de Deus, nobre aqui na capital, com 4 apartamentos decorados, e lá nós fazemos os lançamentos” explica Pedro. O executivo afirma que o contato direto entre os donos da construtora e os clientes em potencial é a chave dos bons resultados da iniciativa. “Normalmente, o setor comercial das construtoras é tocado por uma equipe de plantão de vendas alocada em cada empreendimento, com recepcionista e corretor”, explica Ricardo. “No nosso caso, a venda é feita pela nossa equipe, com a cara da empresa. Treinamos novos corretores, que começam a ter o acesso ao mercado de vendas por meio da RottaEly. Há 4 anos, nós criamos uma incubadora de ensino e treinamento para o mercado. Esse serviço é bastante requisitado por imobiliárias exatamente para fomentar este conhecimento. Lá estão congregados empreendimentos de diversos bairros”, complementa o administrador.

            Disruptiva no modelo de vendas, a RottaEly dedica-se agora a um ambicioso e bem estruturado processo de implementação da tecnologia BIM. O sistema próprio de modelagem e compatibilização de dados e processos tem sido conduzido por um grupo interno e interdisciplinar. Veja a seguir detalhes sobre o case gaúcho.

Tudo dentro de casa

            A RottaEly optou estrategicamente pela implementação do sistema dentro da própria empresa, com equipe própria de desenvolvimento. “O emprego do BIM é um diferencial estratégico nas etapas de concepção de projetos, orçamentos e planejamento da edificação. Esta ferramenta, se bem empregada, otimiza prazos e reduz custos com retrabalhos e indefinições ao logo de todo o ciclo construtivo”, explica Pedro Ely.

            Para o engenheiro Paulo Fassina Luz, gerente de projetos da RottaEly, a implementação interna da tecnologia potencializa o uso do BIM de forma a agregar maior valor ao negócio. “Esse movimento complexo pede fluidez e sinergia total da equipe para a implantação. Daí a opção por fazer internamente. Recrutamos um grupo de trabalho de profissionais de vários setores da empresa, com conhecimento e habilidades multidisciplinares em projetos, orçamento, planejamento, qualidade, entre outros”, explica o executivo. A premissa levantada por Fassina é de que o sistema BIM traga ainda mais eficiência e colaboração entre os times das mais diversas áreas da empresa.  “O sistema BIM trará informações altamente qualificadas e assertivas, no tempo correto, fatores esses fundamentais para atingir os resultados operacionais almejados pelos acionistas”, analisa. “O  ciclo produtivo da empresa, segundo Paulo, é muito longo. “Em mais de duas décadas de atuação, resulta da robustez técnica agregada pela empresa. A gente perderia muito valor se viesse de fora um parâmetro BIM. Daí a ideia de fomentar internamente”, conclui.

Pedro Ely,  administrador.

A implantação

            Um rigoroso planejamento em módulos de implementação foi desenhado pela RottaEly para a implementação do BIM. No final de 2018, a empresa iniciou a utilização da tecnologia em dois projetos, o empreendimento Home Gallery e um outro empreendimento que será lançado em breve, no mês de agosto. Para isso, optou pela contratação da empresa Projeta BIM. Combinando as iniciais da empresa Rotta “R” e Ely “E e a palavra BIM, definiu o projeto de implementação como REBIM. Diferentemente da grande maioria das empresas de Porto Alegre, o BIM para a RottaEly vai muito além da simples compatibilização. Nós gostamos de inovação, temos espírito de curiosidade. Junto do parceiro Projeta BIM, criamos o REBIM – RotaElyBIM”, explica Fassina. O grupo multidisciplinar é formado por profissionais das seguintes áreas: orçamento, custo, qualidade e planejamento. A implantação inicial ocorreu com base nos seguintes passos:

  • Criação do programa de implementação — REBIM
  • Criação do grupo de trabalho interdisciplinar
  • Treinamento do grupo de trabalho
  • Teste do sistema de comunicação – BimWeb
  • Início da elaboração do BIM Mandate – Briefing
  • Início da revisão dos processos e procedimentos de cada setor envolvido.

Capacitação de funcionários

            A RottaEly realizou um programa de imersão e treinamento de funcionários de três semanas, focado na extração de informações do modelo BIM e na padronização das informações por parte da construtora. Para isso, contratou a empresa Projeta BIM, responsável pela capacitação da equipe multidisciplinar. Após a fase de reconhecimento, o grupo realizou a customização do sistema para as necessidades da empresa, redefinindo nomenclaturas, conceitos, padronizações, templates e mandates (briefings).

Barreiras

“Está acontecendo um movimento em que empresas querem fornecer um projeto completo. No entanto, muitos parceiros que são bons projetistas não estão rodando bem no BIM”, explica a arquiteta Ronyze Moraes da Rosa Silva, coordenadora de projetos. Daí a necessidade de pesquisa fornecedores de fora do estado. No início, tínhamos de definir qual seria o software que iríamos trabalhar. “No Brasil, existe a questão da extensão do arquivo recebido. O “.ifc”, que não é universal. Nem todo mundo trabalha com este formato”, explica Ronyse.

            O grupo multidisciplinar montado dentro da empresa tem hoje 4 engenheiros de campo. Dois deles participaram de todo o treinamento. Os que são estagiários e assistentes também foram treinados. “Ao todo, capacitamos diretamente 12 pessoas. Para esta primeira fase, são estes times”, afirma Paulo. O engenheiro reforça que a geração de valor esperada com a implementação do BIM na RottaEly virá efetivamente quanto toda a integração e a inteligência estiverem implementadas. “Isso ocorrerá em 2022. Será quando o cliente vai conseguir manipular a planta em 3D de seu imóvel no celular. Na obra, a ideia é que as pessoas que estiverem no operacional trabalhem com tablets, depois de passar por treinamento técnico”, explica. Hoje, a RottaEly trabalha com uma periodicidade de aferição de 2 vezes ao mês. Durante este processo, faz medições físicas e compatibiliza os dados ainda de forma analógica. “Esperamos ainda, com o BIM 100% implementado, uma redução de pelo menos 30% no consumo de papel usado na impressão de plantas, cortes e desenhos técnicos”, comemora Ronyze.

Um plano a médio prazo.

A meta é consolidar a implantação do BIM com integração total de todos os setores envolvidos no processo até o final de 2022, para:

  • Gerar valor ao cliente final com as possibilidades de uso da ferramenta e seus plug-ins (tour virtual, realidade aumentada);
  • Auxiliar o Setor Comercial da Empresa com novas possibilidades de integração com prospects e clientes da carteira;
  • Aumentar eficiência e assertividade de todas as etapas que envolvem a concepção e construção do empreendimento;
  • Reduzir em mais de 50% os erros de concepção e compatibilização de Projetos;
  • Reduzir em mais de 30% o custo de plotagens, contribuindo com práticas sustentáveis.

Conteúdo publicado originalmente na Revista Téchne, edição 250, julho de 2019. Acesse a edição na íntegra aqui.

Categorias:Business, Content, Projetos

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