Na capital paulista, casa da década de 1950 passa por reforma sem perder o contato com seus arredores. Texto: Bruno Henrique Silva | Fotos: Adriano Escanhuela.
Para o arquiteto Paulo Tripoloni, a arquitetura minimalista é uma forte inspiração na construção de ambientes funcionais para o contexto contemporâneo das cidades. Sob essa ótica, seu atelier realizou recentemente a reforma de uma casa da década de 1950 localizada no bairro do Cambuci, enaltecendo a arquitetura da época e agregando modernidade à vida dos moradores. Com 80m², o arquiteto trabalhou na concepção de uma residência aconchegante e afetiva, sem perder a conexão com o entorno. “Embora estejamos em um contexto totalmente diferente dos modos de vida daquela época, mostramos que é plenamente possível preservar a identidade de uma edificação ao passo que ela passou a oferecer as demandas do contexto atual”, diz o profissional.



Na reforma da casa, foram mantidos traços arquitetônicos característicos de sete décadas atrás. A fachada original foi mantida, enquanto as intervenções arquitetônicas ficaram reservadas ao interior da residência. Ao entrar na casa, o primeiro ambiente revelado é a sala de estar, um espaço fluido que favorece a circulação dos moradores e integração dos ambientes. Em contraponto com o aspecto vintage da sala, a cozinha dá preferência ao preto e grafite na marcenaria e revestimentos, o que traz o projeto para a atualidade. A bancada multifuncional, que atua como área complementar para o preparo dos alimentos e mesa, conecta o interior com o jardim mais ao fundo. “Essa conexão entre o antigo e o moderno promove essa atmosfera de sentir-se no aconchego da arquitetura de outrora e ainda assim desfrutar dos recursos atuais que fazem sentido no tempo presente”, avalia o arquiteto.


O jardim foi resultado de uma grande reconfiguração da casa original, partindo da demolição de uma edícula e construção de um deck de madeira. O local cria um refúgio verde para momentos de lazer ao ar livre com forte presença de plantas e árvores frutíferas. Durante as refeições, os moradores têm a oportunidade de apreciar a natureza, da mesma forma que a abertura permite a circulação de ar e controle de temperatura nas épocas mais quentes.


Próximo a entrada, a escada de madeira que conduz os moradores aos quartos também foi reformada. Nos cômodos superiores, as janelas foram substituídas por portas-balcão. O cômodo dos fundos também ganhou uma varanda, que além de iluminar e ampliar o espaço, serve de cobertura para a cozinha.



