Bárbara Penaforte

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Coleção Cores de Tarsila, assinada por Bárbara Penaforte

Pernambucana com base em São Paulo, a designer Bárbara Penaforte produz abstrações da brasilidades sobre a porcelana. Texto por Allaf Barros e Pedro Zuccolotto. Fotos por Estúdio Garagem.

Formada em Design de Moda, foi na porcelana que a recifence Bárbara Penaforte se encontrou. “Tive a ideia de aplicar a lógica da estamparia sobre a cerâmica. Comecei a testar o mesmo padrão desenvolvido para tecido na porcelana. A tridimensionalidade imprimiu ao trabalho um caráter completamente diferente”, explica.

Penaforte trabalha intensamente a temática brasileira, se inspirando nos mais diversos elementos da cultura nacional para suas criações. “É um resgate da minha própria essência, as coisas com as quais me identifico, numa perspectiva afetiva”, conta. A brasilidade pauta as escolhas: cores, texturas, formas e até a história por trás do design.

Montagem da instalação com a Coleção “Linhas de Samico” inspirada no artista e gravurinista Galvão Samico e assinada pela designer.

Carreira

Bárbara Penaforte se formou em Design de Moda em 2013. Logo em seguida veio para São Paulo para fazer pós graduação em Moda e Criação na Faculdade Santa Marcelina. “Foram dois anos e meio de curso e durante os estudos percebi que eu não queria trabalhar com moda”, revela. Na época foi orientada por uma professora a explorar o campo da estamparia. Durante o curso do artista plástico Celso Lima, especialista em design de superfície e estamparia manual ela se encontrou. “Foi então que me identifiquei com a estamparia manual, onde o designer é responsável pelo processo completo: a arte, trato do tecido, estampa”, explica Penaforte. “Comecei com tecido e depois fui para porcelana, que foi um processo bem espontâneo” conta.

A porcelana

Penaforte trabalhava ao lado de outros seis artistas no ramo da estamparia em tecido. Com o salto para a cerâmica, decidiu alçar voo solo, diversificando a técnica. Em 2017, estabeleceu marca própria e a partir daí abriu-se um universo de parcerias ligadas à porcelana. Os trabalhos da designer têm aplicações no tecido, cerâmica e azulejo. “Pretendo expandir as criações para o campo da estamparia”, revela com exclusividade.

Azulejos

Mosaicos de azulejo são parte significativa da sua produção. Uma de suas composições foi apresentada na Feira Paralela 2020. A coleção levada ao evento, realizado na OCA, em São Paulo, reuniu o conceito de uma viagem ao interior de Pernambuco, na região do Vale do Catimbau, quase sertão. “Fiquei uma semana lá, incomunicável. Foi ótimo porque eu estava precisando disso, ano passado eu passei praticamente o ano inteiro em São Paulo, então para mim foi muito importante entrar em contato de novo com as minhas origens”. Cada estampa criada é uma abstração de uma paisagem do Catimbau. “Desenvolvi uma paleta de cores com a qual não estava muito habituada a trabalhar, com o azul típico daquela paisagem”.

Cores

“Sempre priorizo o cromatismo. Gosto de explorar técnicas em que o resultado são matizes vibrantes” conta. A designer utiliza decalque sobre porcelana industrializada, geralmente de fundo branco. “Depois da aplicação, as peças vão para um forno de 750 graus Celsius”

O processo criativo

“Eu gosto de trabalhar com temática brasileira quando desenvolvo um trabalho autoral. No entanto, recebo demandas específicas de clientes, com briefing, cartelas de cores e temáticas diferentes”, explica. O trabalho assinado é focado na brasilidade e traduz a essência da autora. “depois de traduzir o recorte temático, parto para a pesquisa de referências virtuais, cores, formas, texturas e histórias, que pode ser por exemplo, o carnaval. É fundamental estudar as manifestações, pesquisar e entender a temática desenvolvida”, detalha a designer. A etapa seguinte é a definição da linguagem gráfica a utilizar.

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