Mídia digital, fotografia, drama e atuação: estas não parecem competências da base curricular de uma escola padrão. E de fato não são. Modelos disruptivos têm sido levados adiante por benchmarks mundo afora. Conheça um exemplo aqui. Texto por Alexandra Gonsalez e Aline Barbosa.

Em 2018, o Ministério da Educação (MEC) divulgou o Censo Escolar da Educação Básica. O objetivo da pesquisa anual, desenvolvida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), é monitorar, avaliar e elaborar políticas públicas educacionais para o país. O levantamento mostrou que o Brasil conta com 181,9 mil escolas de educação básica. Desse total, a rede municipal é responsável por aproximadamente dois terços das unidades de ensino (60,6%). Os colégios particulares somam 22,3% da oferta educacional no país.

Todas as escolas, sejam públicas ou privadas, precisam oferecer no currículo escolar aulas de artes — uma decisão obrigatória instituída em 2016, a partir da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do MEC. De acordo com a psicopedagoga Lady Christina Sabadell, diretora geral de uma rede de escolas privadas, Artes Plásticas sempre foi um componente curricular. “Ao longo dos anos foi referendada a inclusão de música”, diz.

A educadora explica que em 2016, na publicação da primeira versão da BNCC do Ensino Médio, a disciplina de artes perdeu a obrigatoriedade. “Muitas foram as manifestações e pareceres que fizeram essa alteração.” Porém, uma nova diretriz foi emitida sobre o assunto. A norma 13.278/2016 altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, prevendo a obrigatoriedade de inclusão de artes, dança, música e teatro no currículo da Educação Básica, que contempla os ensinos Infantil, Fundamental e Médio. “A legislação determina o prazo de cinco anos para a implantação dessas disciplinas nos sistemas de ensino.”

No coração da Suíça, uma instituição de um século e meio traz em seu DNA o ensino das artes como base curricular. Conheça o leque de disciplinas oferecidas aos alunos estruturado nas variadas competências artísticas.

Desenvolvimento da comunicação

Lady Christina considera a lei 13.278/2016 muito importante e propícia, pois assegura a continuidade das aulas de artes para além dos pareceres da Base Nacional. Na opinião da educadora, a arte tem uma importância fundamental na formação educacional. “Acredito que é papel da escola
desenvolver habilidades e competências em seus alunos para lidarem com as demandas que a sociedade nos traz.” 

A diretora afirma que é essencial o desenvolvimento da linguagem expressiva presente na dança, música, teatro e artes visuais. “Os estudantes ganham desenvoltura de comunicação por meio dessas expressões e conhecem os ícones de cada manifestação artística no Brasil
e no mundo”, completa.

Segundo a especialista, a ausência do ensino das artes pode acarretar uma formação empobrecida de repertório cultural e comunicacional. “Arte é linguagem e manifestação. Não dá para ter arte sem fazer arte”, defende. De acordo com Lady, um currículo deve contemplar o fazer, o saber e o viver da manifestação artística. “A prática é essencial para a construção do conhecimento em todas as áreas, inclusive essa”, completa.

A educadora acredita que o ensino de práticas artísticas deve acompanhar o aluno durante toda a formação acadêmica. Para ela, os estudantes exploram diferentes experiências ao longo da vida escolar e ganham novas habilidades, “desde abstração, que ajuda a compreender fatos e contextos, até destreza motora para novas práticas musicais ou plásticas”.

Um modelo disruptivo

Uma das mais antigas e tradicionais escolas da Suíça, em St. Gallen, o Institut auf dem Rosenberg, gerido por Bernhard O. A. Gademann  há 150 anos, promove a formação de crianças e jovens entre 6 e 19 anos. Com 290 alunos e turmas de apenas oito pessoas, é o mais antigo colégio interno e semi-interno da Suíça. As instalações ficam num parque privativo de 100 mil m2. O lema “aprender a viver é o objetivo final de toda a educação” e reflete a importância do sistema pedagógico vanguardista, que transcende as habilidades ensinadas nos livros didáticos. A escola promove o pensamento independente, a autodisciplina e a inteligência emocional.

Com classes compostas por em média 8 alunos, a escola garante uma atenção individual que permite a entrega de excelentes resultados acadêmicos. Os alunos ainda recebem uma orientação personalizada pelo IDP (Departamento de Plano de Desenvolvimento Individual), que identifica e alimenta seus talentos. 

“Muitas escolas matam a criatividade em vez de incentivá-la. Em um mundo no qual a inteligência artificial tem um papel cada vez mais importante, a última resistência humana é a nossa mente engenhosa e nossa capacidade única de colaborar”, afirma Bernhard Gademann. 

Entre os ex-alunos do Institut auf dem Rosenber, estão líderes no campo da ciência, como o ganhador do Prêmio Nobel Mario J. Molina.

Site: http://www.instrosenberg.ch | E-mail: admission@instrosenberg.ch

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