Arte e arquitetura: Theatro Municipal estreia opereta “A Viúva Alegre”

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Com direção de Miguel Falabella, montagem estreia no próximo dia 14, será encenada em português e fica em cartaz até o dia 24 de novembro

A trama da opereta A Viúva Alegre tem três atos e se passa em Paris, em 1905. Foto Rafael Salvador

A temporada lírica 2019 do Theatro Municipal de São Paulo, um dos teatros com a arquitetura mais linda do Brasil, se encerra com a divertidíssima opereta “A Viúva Alegre”, de Franz Lehár, e libreto original de Viktor Léon e Leo Stein, numa montagem inédita e exclusiva em português. Miguel Falabella, um dos diretores mais populares e ecléticos do Brasil, assina a tradução, versão e direção cênica. 

O convite a Miguel Falabella partiu do diretor artístico do Theatro Municipal de São Paulo, Hugo Possolo, que ao trazer um grande nome da televisão e do teatro brasileiro para dirigir A Viúva Alegre quer aproximar novos públicos do gênero ópera, reforçando a missão do municipal como um bem cultural acessível e democrático. “A visão dele em imprimir novos públicos ao Municipal tem muita sincronia com o nosso pensamento de trazer uma obra de alcance popular. O nome ‘Falabella’ pode gerar um interesse naqueles que não conhecem o Theatro em frequentar a casa. Sem contar que A Viúva Alegre é uma história que tem uma música de alta qualidade, muito divertida, será realizada em português e isso já possibilita um diálogo maior”, ressalta Possolo.

A grande estreia de Miguel Falabella no Theatro Municipal de São Paulo será como diretor.  Esta também é a primeira opereta/ópera da sua carreira. Ele que é um artista de renome, eclético em suas facetas como ator, diretor, dramaturgo, cineasta, dublador e uma das personalidades brasileiras mais conhecidas do teatro e da televisão, também é um fã de ópera e já assistiu a diversas produções em suas viagens para o exterior. 

“Meu avô era italiano e antes de falar, eu já ouvia ópera. Cresci ouvindo grandes nomes como Renata Tebaldi, Victoria de Los Angeles… O desejo de todos nós é ampliar a acessibilidade ao Theatro. Eu quero usar a minha imagem para popularizar e dizer venham! O Theatro é nosso. Estou profundamente emocionado por trabalhar com pessoas que tenho o maior respeito do mundo”, completa Falabella.

À frente da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo está o maestro assistente Alessandro Sangiorgi, que também assina a direção musical. “ A Viúva Alegre considerada a primeira e a mais popular entre todas as operetas, inclui todas as características que se possam desejar em uma obra deste gênero: vivacidade e elegância, situações cômicas e românticas, danças que na época estavam na moda, enfim, Lehar conseguiu uma operação musical impecável”, afirma.

Cenário Fovista

Todos os três atos da opereta A Viúva Alegre se passam em festas, sendo o primeiro uma celebração na embaixada de Pontevedro, o segundo no jardim da residência da viúva e o terceiro no salão de baile da mesma casa. O conceito criado por Miguel Falabella e os arquitetos Zezinho Santos e Turíbio Santos se baseiam no movimento cultural do fovismo que também surgiu no início do século 20, assim como a opereta, e também foram considerados “trabalhos menores”. A Viúva chegou a ser classificada como obscena em suas primeiras semanas e o fovismo, uma “arte boba”. Anos depois, a produção se torna um sucesso e atualmente ninguém mais descaracteriza os artistas fovistas.

“É um espetáculo popular, não é popularesco, é divertido, engraçado. Eu vou fazer uma viúva fovista, com uma paleta de cores que é uma explosão. A plateia vai ficar encantada porque realmente o impacto visual é muito grande. É uma noite divertida no Theatro”, afirma Falabella. O movimento fovista exaltou o colorido brutal em suas pinturas, usando exclusivamente as cores puras.

No cenário, o fovismo ganha destaque numa parede florida e extremamente colorida, com mais de 50 mil flores artificiais, que provocarão este deslumbramento e impacto no público, preenchendo o palco durante toda a opereta.  “A parede florida é o elemento que une os três atos e optamos por poucos elementos cênicos que marquem onde os personagens estão, na embaixada, no jardim, no salão de baile da viúva”, explica Zezinho Santos que junto com Turíbio Santos realizam o primeiro trabalho para o Theatro Municipal de São Paulo.

Agenda e ingressos

A produção tem o maior número de récitas do ano, ao todo são 10, sendo a estreia no dia 14 de novembro, às 20h. As apresentações seguem até o dia 24, sendo de terça a sábado, sempre às 20h, e aos domingos, às 18h. Os ingressos custam de R$ 20,00 a R$ 120,00 e podem ser adquiridos a partir de 18 de outubro, pela internet, no site theatromunicipal.org.br, ou na bilheteria do próprio Theatro.

Especialmente para as récitas de 17 e 24 de novembro (domingos), o ingresso terá preço único de R$ 20,00 para todos os setores e a venda será exclusiva na bilheteria do Theatro, a partir das 12h no dia do espetáculo – e a apresentação do dia 24 ainda terá recurso de audiodescrição.

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