A sede do Serviço de Resgate e Bombeiros de Praga, localizada em Holešovice, é concebida como uma infraestrutura cívica ancorada por uma forte presença urbana em um cruzamento de grande visibilidade. O projeto desenvolve uma estratégia de longo prazo para o Serviço de Resgate e Bombeiros, consolidando suas funções operacionais e administrativas em um campus coerente, que combina clareza organizacional com uma expressão arquitetônica marcadamente pública.

No centro da composição encontra-se uma esbelta torre de esquina que abriga as funções administrativas do serviço. Ela estabelece um marco vertical claro na paisagem urbana, reforçando a identidade da instituição e respondendo à abertura e à escala de seu entorno. Em vez de buscar uma monumentalidade representativa, o edifício expressa autoridade por meio da contenção, da precisão e de uma presença material serena.
O novo edifício administrativo completa um campus composto por duas partes. Ele está diretamente conectado ao edifício operacional concluído na primeira fase, que abriga as funções de resposta imediata e de atendimento do serviço. Juntas, as duas estruturas formam um sistema unificado, porém diferenciado, descrito pelos arquitetos como uma “cidade dentro da cidade” — um ambiente institucional compacto inserido em um distrito predominantemente residencial e de escritórios de Holešovice.








O conceito arquitetônico é definido pela tensão entre robustez e clareza. O edifício é concebido como um volume sólido e introvertido, que prioriza a eficiência interna e a lógica operacional, ao mesmo tempo em que mantém uma forte identidade externa. Sua organização espacial separa as áreas administrativas das funções técnicas e de apoio, permitindo que cada uma responda às suas necessidades específicas de iluminação natural, acústica e circulação.
A composição é articulada em três partes interconectadas: a torre administrativa de nove pavimentos, o bloco técnico e operacional associado e uma estrutura de três pavimentos com circulação de veículos, que funciona como um elemento de transição entre as duas fases do campus. Esse volume mais baixo medeia os fluxos de circulação pelo terreno e reforça a continuidade da organização institucional.


Do ponto de vista material, o edifício expressa um caráter industrial deliberadamente contido. As fachadas são definidas por uma malha disciplinada de painéis de concreto reforçado com fibra de vidro (GRC), conferindo à torre uma presença unificada e reconhecível na paisagem urbana. Os volumes de conexão são revestidos com elementos quadrados de alumínio, introduzindo uma leitura mais técnica e infraestrutural no nível térreo. Juntas, essas camadas reforçam a clareza da organização hierárquica do edifício.


O interior dá continuidade a essa linguagem arquitetônica, enfatizando a honestidade estrutural e a durabilidade. Concreto armado aparente, alvenaria sem revestimento e instalações prediais expostas definem uma atmosfera bruta e funcional. Essa abordagem também se estende à integração da sinalização e dos elementos institucionais, incluindo a identidade do Serviço de Resgate e Bombeiros e o número de emergência, tratados como parte da composição arquitetônica, e não como elementos gráficos aplicados posteriormente.
A cobertura acomoda tanto a infraestrutura operacional quanto espaços externos utilizáveis. Uma combinação de áreas de cobertura verde e terraços acessíveis introduz momentos de abertura no volume compacto, enquanto os equipamentos técnicos são integrados à malha arquitetônica para preservar a coerência da forma geral. Acima do núcleo dos elevadores, um mastro de antena treliçado de aço, com 18,2 metros de altura, completa a composição vertical, estendendo a linguagem técnica do campus.
















O resultado é uma arquitetura que opera entre infraestrutura e presença cívica. O projeto evita o expressionismo formal em favor da clareza, da durabilidade e da relevância a longo prazo, refletindo o papel do Serviço de Resgate e Bombeiros como um componente estável e essencial do sistema de emergência e segurança da cidade.
FICHA TECNICA
Projeto: Serviço de Resgate e Bombeiros de Praga
Localização: Argentinská 170/00, Praga, República Tcheca
Cliente: Serviço de Resgate e Bombeiros de Praga
Arquitetura: Studio Architektura
Autores: David Kraus e Miroslav Styk
Ano do projeto: 2018–2023
Ano de conclusão: 2025
Área do terreno: 6.504 m²
Área construída: 517 m²
Área útil: 2.257 m²
Fotografia: Filip Šlapal
Documentação do projeto: Projecticon
Construtora: OHLA ŽS