Projetado pelo escritório Sanjay Puri Architects, o edifício corporativo The Primus, em Jaipur, na Índia, demonstra como limitações urbanísticas podem se tornar oportunidades para soluções arquitetônicas inovadoras. Localizado ao lado do aeroporto da cidade, o empreendimento precisou atender ao rígido limite de altura de 30 metros, resultando em uma composição de nove pavimentos formada por módulos de geometria orgânica empilhados verticalmente.
A solução arquitetônica cria uma volumetria marcante e, ao mesmo tempo, favorece o desempenho ambiental do edifício. Os módulos em formato de cápsula abrigam áreas ajardinadas protegidas por brises verticais de alumínio, formando uma camada intermediária entre os ambientes internos e o exterior. Além de qualificar visualmente os escritórios, esses jardins suspensos reduzem a incidência solar direta, contribuem para o conforto térmico e acústico e estabelecem uma relação constante entre os usuários e a vegetação.
Com área construída de 9.475 m², implantada em um terreno de 1.735,88 m², o edifício reúne oito unidades comerciais por pavimento, com áreas que variam entre 60 m² e 125 m². A estrutura foi concebida para oferecer máxima flexibilidade, permitindo a integração de diferentes módulos para formar escritórios de maiores dimensões conforme as necessidades dos ocupantes.
Cada unidade dispõe de amplas esquadrias de vidro deslizantes voltadas para as varandas ajardinadas, ampliando a entrada de luz natural e favorecendo a ventilação. Como o terreno praticamente não permitia áreas verdes ao nível do solo devido às exigências de ocupação, os arquitetos optaram por distribuir jardins ao longo de todos os pavimentos e criar um terraço verde na cobertura, oferecendo espaços de permanência ao ar livre aos usuários.
A estratégia responde diretamente ao clima extremo de Jaipur, onde as temperaturas ultrapassam os 40°C durante aproximadamente oito meses do ano. O edifício incorpora soluções passivas de sombreamento, ventilação natural e integração da vegetação para reduzir a carga térmica e minimizar o consumo energético ao longo de sua vida útil.
Segundo o escritório, o objetivo foi desenvolver um ambiente corporativo mais saudável e eficiente, combinando flexibilidade espacial, princípios bioclimáticos e elementos da arquitetura biofílica. O resultado é um edifício que reduz significativamente sua pegada de carbono operacional e se apresenta como uma referência para projetos comerciais sustentáveis em regiões de clima quente.






Ficha técnica
- Projeto: The Primus
- Localização: Jaipur, Índia
- Arquitetura: Sanjay Puri Architects
- Arquiteto responsável: Sanjay Puri
- Equipe de projeto: Chandan Joshi e Sonali Chougule
- Cliente: Mahima Real Estate Pvt. Ltd.
- Área do terreno: 1.735,88 m²
- Área construída: 9.475 m²
- Início da obra: 2023
- Conclusão: maio de 2026
- Paisagismo: Greenway Landscape
- Fotografia: Vinay Panjwani
Sobre o Sanjay Puri Architects
Com sede em Mumbai, o Sanjay Puri Architects figura entre os escritórios de arquitetura mais premiados da atualidade. A prática foi reconhecida entre os principais escritórios do mundo por plataformas como Archello, ArchDaily e Architizer, acumulando mais de 540 premiações, sendo cerca de 400 internacionais.
Entre os principais reconhecimentos estão o prêmio World Building of the Year 2024, concedido pela World Architects, e o título de Most Sustainable Architecture Firm of the Year, pela Architizer. Atualmente, o escritório reúne uma equipe de mais de 100 profissionais e desenvolve cerca de 200 projetos distribuídos por 55 cidades.
Sua produção é marcada por uma abordagem contextual e sustentável, explorando soluções arquitetônicas inovadoras que conciliam desempenho ambiental, expressão formal e qualidade dos espaços.