Urbanismo e etapas de construção


Na cidade luxemburguesa de Esch-sur-Alzette, o bairro de Brouch está sendo reestruturado em torno de uma escola primária existente. Em um concurso, a JSWD foi premiada com o 1º lugar pelo conceito urbanístico. De acordo com a proposta, a até então impermeável ocupação perimetral do quarteirão será dissolvida em três conjuntos de edifícios, cada um envolvendo um pátio interno verde. Entre eles, será criada uma passagem pública exclusiva para pedestres.
Posteriormente, a JSWD foi contratada pela cidade de Esch para planejar a renovação do edifício histórico da escola e os três novos edifícios que substituirão parte da estrutura existente da escola primária (École du Brouch). Ao final, quatro volumes circundarão um pátio escolar quase quadrado. No térreo, grandes intervalos entre os edifícios permitem que o pátio interno seja visualizado e acessado por todos os lados. No primeiro andar, todos os volumes são conectados por passarelas.
A primeira etapa da construção já está em operação: duas novas edificações escolares — ao sul, o Edifício C, e a oeste, o Edifício D — dialogam com o edifício principal histórico (Edifício A), mas também constituem uma interpretação contemporânea e autônoma do programa arquitetônico. As fachadas de tijolos das novas construções foram concebidas em sintonia com a paleta cromática das fachadas rebocadas e de pedra natural do edifício existente.
Com as novas edificações, foram criados espaços internos e externos adequados às crianças, com alta qualidade de permanência, que também favorecem a identificação dos alunos com sua escola.
O terceiro edifício de substituição e a renovação do edifício histórico estão atualmente em execução.
A nova pré-escola, prevista ao norte do edifício antigo, também está em construção. Em seu pátio-jardim, as crianças poderão brincar tranquilamente, afastadas das atividades da escola.










Paisagem de aprendizagem flexível
As novas edificações e o edifício existente são percebidos como casas independentes dentro de uma espécie de “aldeia escolar” — embora estejam organizados e conectados como uma única unidade. O projeto atende ao programa espacial definido, mas permanece suficientemente flexível para responder a futuras mudanças de requisitos.
O Edifício C, em grande parte elevado sobre pilotis, possui três pavimentos, enquanto o Edifício D tem dois pavimentos. Ambos possuem cobertura plana com um pavimento técnico recuado para as instalações prediais e elementos fotovoltaicos.
No primeiro andar, os novos edifícios e a construção escolar histórica estão conectados por passarelas envidraçadas. A circulação em anel e a experiência das transições entre os edifícios facilitam a orientação. Os espaços destinados ao ensino e ao atendimento em período integral não são rigidamente separados. Ao contrário, seguindo os conhecimentos pedagógicos atuais, os diferentes usos se entrelaçam em uma paisagem de aprendizagem que pode ser utilizada de maneira flexível.
A configuração espacial permite ambientes abertos, semiabertos e fechados, que podem ser adaptados às mudanças de necessidades sem grandes intervenções construtivas.
No Edifício C, além da escada aberta com um vazio que percorre toda a altura do edifício, seis arquibancadas de madeira dispostas nos cantos convidam à permanência.
O ginásio esportivo foi integrado ao Edifício D e está parcialmente implantado abaixo do nível do terreno. Grandes superfícies envidraçadas permitem a entrada de luz natural no espaço, que pode ser dividido em diferentes áreas. No térreo, há um foyer independente com acesso também para usuários externos, permitindo que o ginásio seja utilizado fora dos horários escolares e de forma independente das atividades da escola.
Na parte sul do Edifício D, o campus escolar recebe uma cozinha de produção própria, com capacidade para preparar 500 refeições. Dessa forma, a escola pode atender às suas próprias necessidades e ainda fornecer até 200 refeições para outras escolas. A área de entrega foi posicionada, conforme solicitado, o mais distante possível da entrada principal da escola.
As áreas de trabalho da cozinha estão localizadas no térreo. Os espaços para refeições estão distribuídos pelos pavimentos superiores dos dois edifícios e também podem ser utilizados como salas para grupos ou para outras atividades.
O hall de entrada do terceiro edifício, ainda a ser construído, estará no mesmo nível do térreo do edifício histórico. A partir desse ponto, todos os ambientes poderão ser acessados no mesmo nível ou por elevador, garantindo acessibilidade universal.
O amplo hall de entrada e recreio se abre para o pátio escolar e para o espaço externo coberto, que se conecta naturalmente à loggia do edifício histórico. Uma escada externa com degraus que também funcionam como assentos conduz ao nível do pátio. Ela pode ser utilizada como pequena arquibancada para atividades pedagógicas e apresentações ao ar livre.
A nova pré-escola (Edifício E) será estrutural e espacialmente separada da escola, adquirindo assim uma identidade própria, especialmente perceptível para as crianças pequenas. As áreas externas de recreação ficam voltadas para o tranquilo pátio-jardim, sem interferência das atividades escolares.
Além disso, as três salas de grupo destinadas às crianças de 3 a 4 anos possuem terraços de recreação voltados para o sul. As salas de grupo dos pavimentos superiores também estão orientadas para o sul e, se necessário, poderão receber loggias. Os ambientes foram dimensionados de modo a permitir, quando necessário, a instalação de áreas para dormir e/ou espaços para cozinhar e fazer refeições.



Materialidade, desenho das fachadas e arte integrada à arquitetura
As fachadas de tijolos das novas edificações foram concebidas em sintonia com as cores do reboco e da pedra natural do edifício existente. Por razões de qualidade e durabilidade, optou-se por uma camada externa maciça de alvenaria.
As aberturas das janelas das novas edificações retomam, em suas proporções fundamentais, as características do edifício histórico. A paginação da alvenaria também segue a linguagem do edifício existente.
Para dar continuidade à composição horizontal do edifício histórico, os tijolos das áreas de peitoril e das platibandas das novas construções foram assentados em padrão irregular e alinhados à superfície da fachada. Já a alvenaria dos pilares do térreo e as superfícies entre as aberturas das janelas apresentam uma paginação vertical, com juntas cruzadas que criam um efeito de relevo.
A plasticidade resultante confere às novas edificações uma expressão autônoma, ao mesmo tempo em que valoriza as características próprias do material.
Os perfis das janelas das novas edificações são, externamente, de alumínio anodizado na cor bronze. Internamente, as janelas são de madeira de carvalho, assim como os demais elementos de madeira, como peitoris internos, armários e outros componentes.
Os pisos do hall de entrada, corredores e escadas são executados em terrazzo de tonalidade bege-clara. O piso de borracha das salas de aula segue a mesma paleta cromática.
Nas áreas das salas de aula, as paredes recebem acabamento de reboco branco. Os tetos permanecem em concreto aparente, com elevada qualidade de acabamento superficial. O tratamento acústico é realizado por meio de elementos de feltro colorido, os chamados baffles, dispostos em padrão losangular.
Os forros das áreas de circulação são revestidos em madeira. Algumas paredes maciças, assim como partes das superfícies de vidro, receberam intervenções artísticas inspiradas na técnica de aquarela. Predominam os tons de azul e laranja.
Na área aberta da escada, surge o motivo de um martim-pescador, ave típica da região, inserido em uma composição de elementos abstratos na forma de manchas e gotas. O desenho confere à composição uma atmosfera dinâmica e vibrante, ao mesmo tempo em que proporciona leveza e transparência, integrando-se à arquitetura e contribuindo para a construção de uma identidade própria.





Conceito energético
O conceito energético reduz a necessidade de manutenção das instalações prediais e o consumo de energia primária da escola. Este último é reduzido, entre outros fatores, por meio da ventilação natural dos ambientes.
Para isso, os chamados “elementos de janela Parieto” são integrados às fachadas, fornecendo ar fresco resfriado aos ambientes durante o verão. No inverno, o ar pré-aquecido pelo sol entra no edifício através do espaço entre os vidros. Ventiladores instalados na cobertura regulam o fluxo de ar.
Além disso, módulos fotovoltaicos foram instalados nas novas coberturas planas para a geração de energia elétrica.
Ficha técnica
Endereço do projeto: 23, rue Michel Lentz, 4209 Esch-sur-Alzette, Luxemburgo
Cliente: Ville d’Esch-sur-Alzette, Luxemburgo
Arquitetura: JSWD, Colônia + jim clemes associates, Esch/Alzette
Projeto no site da JSWD: https://jswd.de/projects/ecole-du-brouch
Conclusão – 1ª etapa: 2025
Área bruta de construção (BGF): aproximadamente 11.000 m²
Arte integrada à arquitetura: Daniel Mac Lloyd
Engenharia especializada
Paisagismo: JSWD Architekten, Colônia + jim clemes associates, Esch
Instalações prediais: betic ingénieurs-conseils
Estrutura: AuCARRE