Texto: Emilly Taguchi | Fotos: Ikuya SASAKI, MOTIVE Inc.

O projeto arquitetônico do edifício Tanuki Noboru, realizado pela Takenaka Corporation, enfrentou um desafio incomum: três de suas fachadas eram rodeadas por outros prédios, e sua única entrada se dava por um passeio para pedestres. Além de limitar o uso de guindastes, essa condição também restringiu o intervalo de tempo para o transporte dos materiais, que só poderia acontecer após o fechamento das lojas ao redor e antes da sua reabertura.
Dessa forma, a execução da obra exigiu um planejamento rigoroso tanto para a eficiência do canteiro de obras quanto para o uso e descarte de materiais. Uma das estratégias que possibilitou uma maior organização de todo o processo foi a adoção da técnica de fôrmas moldadas in loco, que, após a cura do concreto, permanecem no lugar e passam a compor a estrutura. Esse método contribuiu para a diminuição de materiais transportados para dentro e fora do canteiro.

A forma projetada do edifício se destaca das demais construções vizinhas na Tanuki Koji Shopping Street por seu design que, invés de avançar sobre o pedestre para chamar sua atenção, recua e conforma um átrio interno na única fachada de acesso — um espaço convidativo e introspectivo em meio a um ambiente vibrante.

Auxiliado pela plasticidade da fachada principal, a luz natural, que entra por aberturas em estilo shed, torna-se um elemento marcante do projeto, destacando-o em relação às edificações vizinhas e ao próprio contexto local de climas frios. A luz, no entanto, também é um componente essencial do principal conceito arquitetônico que guia o projeto: o wayfinding design.
Esse conceito é percebido nas diversas partes da edificação, que trazem dinamismo a cada espaço construído. Um exemplo disso, ainda na fachada, são os ladrilhos posicionados diagonalmente, que, em conjunto com os raios de luz natural, reforçam a sensação de ser “puxado” para dentro.
Um detalhe curioso sobre esses feixes de luz é que eles guiam os pedestres que entram no átrio até os demais pavimentos, por meio do seu alinhamento com o elevador — criando uma sugestão de percurso. Essa continuidade também é observada no acabamento do piso do elevador, que se alinha com os demais pisos do edifício.


A preocupação em reduzir ao máximo os resíduos produzidos se manifesta nas placas de identificação dos pavimentos e das lojas que ocupam o prédio, confeccionadas a partir de vergalhões retorcidos, que compõem uma identidade visual única.

Parte dessa identidade singular do Tanuki Noboru está em seu nome: Tanuki, que em português significa cão-guaxinim japonês — animal conhecido na cultura japonesa por seu caráter brincalhão e espirituoso, capaz de se transformar e enganar as pessoas.
As placas dos banheiros materializam exatamente esse carácter do Tanuki: quando vistas de diferentes ângulos, assumem formas distintas de transmitir a informação, como se se transformassem para pregar uma travessura no observador.



Por fim, um último detalhe aparece logo na entrada, na placa com o nome do edifício em alfabeto japonês( 狸上るビル). Nela, a letra る(ru), que representa a sílaba a sílaba final, é estilizada como um cão-guaxinim que se esconde entre os próprios caracteres — um gesto lúdico que sintetiza o espírito do projeto.
