Tianjin 4A Sports Park

Inspirado na história do local, o escritório BAM concebe parque para a população urbana de Tianjin.

Inspirado na história do local, o escritório BAM concebe parque para a população urbana de Tianjin. Texto: Bruno Henrique Silva | Fotos: Wu Qingshan.

A Ballistic Architecture Machine (BAM) é um estúdio de design multidisciplinar conhecido internacionalmente por suas várias premiações e por continuar a desafiar as convenções sobre paisagens urbanas. Recentemente, o grupo foi convidado para construir um projeto de parque cheio de ação em meio a uma mega cidade portuária na China. O Tianjin 4A Sports Park propõe um espaço de fuga relaxante em meio a selva de concreto a partir da combinação de um projeto de paisagismo com mobiliário urbano, projeto luminotécnico e criação de diversas  zonas de atividades. Pensado para ser um espaço altamente ativo 24 horas por dia, o parque oferece ambientes agradáveis a todos, desde os mais novos aos mais velhos.

A concepção do parque tomou como inspiração o passado da cidade. “Neste projeto, ficámos inicialmente muito impressionados com a história do local, que incluía um templo e uma pequena cidade chamada cidade de Yixing”, recorda Daniel Gass, cofundador da BAM. A atual cidade está construída sobre a antiga e, embora muito tenha sido perdido, a BAM buscou utilizar o plano urbano original como inspiração para os espaços desenvolvidos.

Uma das principais inspirações no passado ganhou vida por meio dos labirintos e percursos presentes no parque. “Ambas as cidades históricas de Yixing estavam organizadas em torno de um templo central e da ‘Rua dos Professores’”, explica Gass. “A ideia de professores, crianças e educação está ligada aos vários programas do local, uma vez que o jogo e o desporto são um aspeto importante na educação”. O labirinto reflete as antigas ruas sinuosas, ao passo que também representa a viagem da aprendizagem, recordando aos visitantes que na vida procuramos continuamente nosso próprio caminho.

Outro importante aspecto estudado durante a concepção do parque foi o entendimento do natural. “Um parque urbano não é realmente uma condição ‘natural’, mas é tão construído como os arranha-céus e as torres do centro da cidade”, explica Jingwen Guan. Para os sócios da BAM natural não se reduz a uma simples adição de vegetação, mas tem forte relação com locais onde seres humanos podem sentir-se à escala do ambiente circundante. “As pessoas tendem a pensar em parques e espaços públicos em termos de espaços verdes e abertos, mas a realidade de uma cidade de alta densidade é que as pessoas precisam desesperadamente de espaços recreativos de qualidade”, finaliza Daniel Gass.

O parque está organizado em 4 parcelas que se sobrepõem umas às outras e que depois se subdividem em vários subsistemas. Um eixo central corta o parque de noroeste a sudeste, ligando o bairro residencial ao centro comercial e ao metrô. No centro, uma grande praça oferece um grande espaço aberto para atividades e eventos locais. O quadrante norte tem maior enfoque nas atividades esportivas devido a proximidade ao bairro residencial. Na sequência, o quadrante oriental apresenta espaços para alimentação, com instalações de restaurantes ao ar livre e espaços de bebidas. O quadrante sul apresenta vários ambientes lúdicos, com destaque para os labirintos.

“Todos os projetos da BAM são responsáveis no que diz respeito às funções ecológicas de qualquer local, como a recolha de águas pluviais e a gestão de inundações, mas também a contribuição das árvores para a redução do efeito de ilha de calor. No entanto, neste projeto, estamos a lidar com um local relativamente pequeno e conseguimos encaixar os programas de um parque muito maior num espaço muito mais pequeno”,observa Jake Walker, cofundador da BAM.

Dentre os ambientes lúdicos implementados, o principal é a Montanha da Água, um grande modelo hidrológico interativo. Nele, a paisagem do Rio Yangtze é representada junto da  barragem das Três Gargantas e do antigo sistema de irrigação de Dujiangyan. As crianças têm liberdade para ativar as fontes de água nas montanhas em miniatura e utilizar barragens para criar reservatórios. O modelo oferece um bom exemplo do funcionamento dos cursos de água na região, que seguem caminho até o oceano.

Por suas várias qualidades, o parque ganhou o título de projeto paisagístico do ano no 16º Grand Prix du Design Awards, no Canadá, e foi reconhecido no Architizer A+ Awards por sua abordagem inovadora de incorporar ambientes de aprendizagem em espaços públicos.